Pirata informático conseguiu protagonizar o maior “desvio” de
sempre no mundo das criptomoedas. A plataforma Poly Network foi o alvo.
A própria plataforma Poly Network informou que é o maior “desvio” de sempre no mundo das criptomoedas: nesta terça-feira um pirata informático conseguiu roubar 600 milhões de dólares, pouco mais de 500 milhões de euros.
A plataforma financeira, descentralizada como é habitual neste ramo, já anunciou qual foi a falha: “O pirata explorou uma vulnerabilidade entre contract calls e o desvio não foi causado por um único keeper, conforme tinham indicado os rumores”.
Quando se apercebeu do que tinha acontecido, a Poly Network escreveu uma carta diretamente ao pirata,
a “informar” o pirata que este tinha sido o maior roubo de sempre nesta
indústria e dizendo ao pirata que este deveria falar com a própria Poly
para arranjarem uma solução.
“As autoridades de todos os países vão olhar para este roubo como um crime económico grave e tu serás perseguido. Será muito imprudente da tua parte realizares novas transações”, lê-se na carta:
A Poly Network pediu aos membros da comunidade da criptomoeda para bloquearem tudo que viesse das moradas virtuais do pirata – e publicou as moradas .
A plataforma disponibilizou de imediato várias moradas virtuais, para as quais o pirata poderia devolver o dinheiro.
Aparentemente, está a resultar porque, na noite desta quarta-feira, já tinha sido devolvido quase metade do valor: 260 milhões de dólares. A grande maioria (256 milhões) de Binance Smart Chain, 3.3 milhões de Ethereum e um milhão de dólares de Polygon.
Numa nota oficial, surgiu a indicação de que o pirata atacou a Poly Network “apenas para se divertir”. Era um desafio.
O, ou a, pirata pouco mais poderia fazer com o montante que roubou porque todas as transações são registadas e rastreadas.
O Departamento de Polícia de Nova Iorque (NYPD) gastou mais
de 159 milhões de dólares em sistemas de vigilância e manutenção desde
2007. Os gastos foram feitos sem supervisão pública, de acordo com
documentos recém-divulgados.
A Legal Aid Society (LAS) e o Surveillance Technology Oversight
Project (STOP) tiveram acesso aos documentos do NYPD, que incluem
contratos com fornecedores.
Os documentos mostram que o NYPD gastou milhões de dólares em
reconhecimento facial, tecnologia de policiamento preditivo e outros
sistemas de vigilância.
O NYPD fez as aquisições através de um Fundo de Despesas Especiais,
sendo que não foi necessário obter a aprovação do Conselho de Nova
Iorque ou de outras autoridades municipais antes de assinar os
contratos, escreve a Wired.
Agora, tanto a LAS como o STOP ameaçam avançar com uma ação legal caso a polícia de Nova Iorque não apresente detalhes sobre as suas práticas de vigilância.
Segundo o Wired, entre os documentos estão contratos da Palantir, American Science and Engineering e a Idemia Solutions, que presta serviços biométricos, como é o caso de reconhecimento facial.
Por exemplo, em 2016, o NYPD assinou um contrato de três anos – de
cerca de 750.000 dólares – com a American Science and Engineering, para
que a empresa fornecesse vans móveis de raios-X, desenvolvidas
originalmente para detetar dispositivos explosivos improvisados em zonas de conflito.
No entanto, as autoridades de saúde já tinham vindo a alertar que os
dispositivos poderiam representar um risco para a saúde pública devido
às elevadas taxas de radiação.
“Durante anos, o NYPD escondeu do público o seu fundo secreto de
vigilância, não para nos proteger, mas para proteger os seus resultados
financeiros”, afirmou o diretor executivo da STOP, Albert Fox Cahn, em comunicado.
“As tecnologias são caras, invasivas e simplesmente não funcionam.
Mas o NYPD não está apenas a desperdiçar milhões em tecnologias não
comprovadas, está a colocar as comunidades negras e pardas em risco.
Erros de alta tecnologia costumam ser apenas o primeiro passo para uma
prisão injusta devido a um algoritmo defeituoso”, acrescentou o
responsável.
Em sua defesa, um porta-voz do NYPD disse à Wired que
“nenhum departamento de polícia ou agência federal chegou ao nível de
profundidade e transparência nas ferramentas de aplicação da lei usadas
no campo que o NYPD atingiu”.
Segundo um responsável do Centro Médico da Universidade de
Leiden, nos Países Baixos, milhões de doses de vacina em todo o mundo
estão próximo de perder a validade – uma “tragédia evitável” que
resulta de uma “atitude elitista e decadente”.
Há milhões de doses de vacina em todo o mundo quase a perder a validade, denuncia o epidemiologista holandês Dennis Mook-Kanamori em declarações ao Washington Post.
De acordo com o médico, até recentemente responsável pela vacinação
no Centro Médico da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, há dezenas de pequenas caixas brancas guardadas numa câmara de refrigeração, em instalações governamentais localizadas na cidade universitária holandesa.
Mas, diz Dennis Mook-Kanamori, a maior parte destas caixas brancas,
que contêm doses de vacina contra a covid-19 da AstraZeneca no valor de
milhares de euros, está marcada com seis pequenos números que, brevemente, as tornarão inúteis: 08.2021.
O mês passado, Mook-Kanamori e a sua equipa deitaram fora 600 doses
destas vacinas. No fim deste mês, serão inutilizadas mais oito mil
doses. E, se nada mudar, diz ao Post o médico holandês, todas as restantes 10 mil doses guardadas na câmara refrigeradora de Leiden serão também deitadas ao lixo.
Segundo estimativas dos médicos holandeses, poderá haver nos Países
Baixos cerca de 200 mil doses de AstraZeneca com destino semelhante.
A situação holandesa está a acontecer em inúmeras instalações de refrigeração em todo o mundo: milhões de doses de vacinas
contra o novo coronavírus, desenvolvidas em tempo recorde para combater
a epidemia de covid-19, caminham silenciosamente para o fim da sua data
de validade — que será atingida antes que possam ser usadas.
Segundo Mook-Kanamori, esta é uma situação trágica, que poderia ser evitada, mas o governo holandês prepara-se para deixar as vacinas expirar em vez de optar pela sua exportação para outros países, alegando “razões legais e logísticas”.
Uma “atitude elitista e decadente“, considera o médico holandês.
Enquanto na maior parte das nações desenvolvidas, como os Países
Baixos, a procura de vacinas desacelera e há doses armazenadas a ganhar
pó e perder validade, há uma notória escassez de vacinas nos países mais vulneráveis, nomeadamente em África e na Ásia.
Segundo números da Organização Mundial de Saúde, no continente africano, o mês passado, apenas 2,2% da população tinha recebido pelo menos uma dose de vacina — enquanto mais de metade da população holandesa está já vacinada.
Entretanto, em Israel, 80 mil doses de Pfizer-BioNTech expiraram e julho e foram deitadas ao lixo. Na Polónia, 73 mil doses de vacina de diversos fabricantes foram desperdiçadas, e 160 mil doses de Sputnik V “com data de validade desconhecida” foram devolvidas pela Eslováquia à Rússia.
Nos Estados Unidos, a situação é semelhante, numa escala diferente. A Carolina do Norte, por exemplo, tem nada menos que 800 mil doses de vacina a expirar brevemente.
Em Portugal, a escala é outra e os números são diferentes. Segundo
Gouveia e Melo, coordenador da ‘task-force’ da vacinação, foram até
agora perdidas cerca de 20 mil doses de vacinas em 13 milhões administradas — 0,15% do total de doses.
Em declarações à TSF, Gouveia e Melo adiantou esta sexta-feira que há em Portugal cerca de 500 mil doses de vacina a expirar em outubro. Mas “não há qualquer risco de serem desperdiçadas: se não forem usadas, são doadas“, garantiu o coordenador da ‘task-force’ da vacinação.
Neste momento, com 63,84% da população completamente vacinada, Portugal é o 19º país do mundo com maior taxa de doses administradas por 100 habitantes.
Convencido de que os seus dois filhos menores tinham “ADN de
cobra”, um cidadão norte-americano, adepto do movimento de conspiração
QAnon, ligado à extrema-direita, foi acusado de homicídio das duas
crianças, uma de dois anos e outra de 10 meses.
Matthew Taylor Coleman, de 40 anos, disse às
autoridades que sabia que estava a agir de forma errado, mas que essa
“era a única ação que salvaria o mundo”.
Coleman foi acusado pelas autoridades federais de levar os seus filhos para o México e matá-los antes de regressar aos Estados Unidos, onde foi detido, de acordo com um comunicado do gabinete do procurador-geral da Califórnia.
A mãe das crianças foi quem alertou as autoridades no dia 7 de
agosto, quando Coleman as levou para longe da casa que compartilhavam.
Ele tinha dito que as levava para acampar, mas recusou-se a dizer para
onde e não respondeu às chamadas nem às mensagens de texto da mãe das
crianças.
Um dia depois, foi localizado pela polícia através do aplicativo
“Find My iPhone”, que indicava que a sua última localização conhecida
era Rosarito (México).
Quando voltou para os Estados Unidos no dia seguinte, foi parado pelo FBI na fronteira. Coleman confessou ter matado os dois filhos com uma arma de fogo e deixado os corpos no México, onde foram encontrados pelas autoridades mexicanas.
Coleman alegou que “acreditava que os seus filhos iam transformar-se em monstros, e por isso tinha que matá-los”, de acordo com o processo.
O homem disse aos agentes que foi “alertado pelas teorias do QAnon e dos Illuminati e que estava a receber visões e sinais que revelavam que sua esposa (…) possuía ADN de cobra e o tinha transmitido aos filhos”.
Em declarações às autoridades federais, Coleman disse acreditar que estava “a salvar o mundo dos monstros”. O homem foi acusado por homicídio de cidadãos americanos no exterior.
Um terremoto de magnitude 7,2 sacudiu o Haiti na manhã deste
sábado, causando pelo menos 227 mortes, e danos materiais em
propriedades no sudoeste da ilha, fazendo reviver memórias terríveis do
grande tremor de terra que sacudiu o país em 2010.
O tremor de terra ocorreu por volta das 8h30 locais, 13h30 de Lisboa, a 12 quilómetros da cidade de São Luís do Sul, localizada a 160 quilómetros da capital haitiana, Porto Príncipe, segundo dados do Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A USGS, que associou ao sismo um alerta vermelho na sua escala de danos humanos, adiantou no seu site que “é provável que haja um elevado número de vítimas e é provável que o desastre afete uma zona extensa”.
“No passado, outros eventos com este nível de alerta exigiram uma resposta de nível nacional e internacional”, advertiu ainda.
A Administração
Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em
inglês) emitiu um alerta de tsunami que posteriormente levantou, ao
determinar que se extinguira a ameaça de ocorrer esse fenómeno
caracterizado por ondas gigantes.
“Há mortes, confirmo, mas ainda não tenho o balanço preciso“, declarou à agência AFP o diretor da Defesa Civil haitiana, Jerry Chandler.
O sismo causou uma “situação dramática, perdas de várias vidas humanas e danos materiais em várias regiões do país”, disse o primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry. Segundo o balanço mais recente, o terramoto terá causado pelo menos 227 mortos.
Ralph Tedy Erol / EPA
Efeitos do tremor de terra de 14 de agosto em Los Cayos, Haiti
O tremor foi sentido em todo o país e danos
materiais já foram registados em várias cidades, segundo imagens
publicadas nas redes sociais por testemunhas no sudoeste da ilha.
“Estava dentro de casa quando tudo começou a tremer,
estava perto de uma janela e vi todas as coisas a cair”, Christella
Saint Hilaire, de 21 anos, que vive perto do epicentro do terramoto.
“Um pedaço de parede caiu nas minhas costas, mas não me magoei muito”, acrescemtou a jovem. “Várias casas desabaram completamente“, assegurou Christella.
Em vídeos partilhados nas redes, os moradores filmaram as ruínas de
vários edifícios de cimento, incluindo uma igreja em Les Anglais, 200
quilómetros a sudoeste de Porto Príncipe, na qual aparentemente decorria
uma cerimónia religiosa na manhã deste sábado.
O Presidente norte-americano, Joe Biden, ofereceu a ajuda dos Estados Unidos ao Haiti após o sismo que atingiu hoje o país, indicou a Casa Branca.
Biden “autorizou uma resposta norte-americana imediata e encarregou a diretora da Agência Norte-Americana de Ajuda Internacional (USAID), Samantha Powers, de coordenar esses esforços”, disse à imprensa um responsável da Casa Branca que solicitou o anonimato.
A Casa Branca
não especificou em que consistirá essa ajuda e não esclareceu se enviará
imediatamente algum tipo de assistência para o país das Caraíbas, que
divide com a República Dominicana a ilha de Hispaniola e que é o mais pobre do continente americano.
Também o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez,
expressou a sua solidariedade “e a de todo o povo espanhol” ao Haiti
devido ao grave sismo hoje sofrido, numa mensagem publicada na sua conta
oficial da rede social Twitter, na qual acrescentou: “Contais com o apoio de Espanha para seguir em frente após este terrível acontecimento”.
O terramoto de
hoje teve uma intensidade ligeiramente superior ao que em janeiro de
2010, com 7 graus de magnitude, fez 300.000 mortos, cerca de 300.000
feridos e 1,5 milhões de afetados no Haiti.
A Força Aérea dos Estados Unidos concedeu 60 milhões de
dólares à startup aeroespacial Hermeus para financiar testes de voo do
seu avião hipersónico Quarterhorse. Esta aeronave tem como destino
aplicações militares e comerciais.
A aeronave será capaz de voar em Mach 5 com um alcance de 7.400 quilómetros.
Também estará equipada com um motor TBCC (Turbine-Based Combined Cycle)
construído em torno de um motor turbo-jato GE J85 comercial.
O contrato, firmado em 30 de julho, estabelece objetivos ambiciosos
para a Hermeus, a serem cumpridos nos próximos três anos – o que inclui
a construção de três protótipos da aeronave Quarterhorse e o teste do
seu sistema de propulsão hipersónico reutilizável em grande escala.
A aeronave da Hermeus será capaz de voar cinco vezes a velocidade do som,
sendo, por exemplo, capaz de viajar de Nova Iorque até Londres em
apenas 90 minutos – em vez das sete horas que normalmente demoram os
aviões comerciais atuais.
O primeiro protótipo Quarterhorse está programado para ser não
tripulado. De acordo com um relatório de 2020 da Aviation International
News, Hermeus já construiu e testou um protótipo de motor hipersónico em
pequena escala e agora está a trabalhar num demonstrador de motor em escala real do seu motor TBCC.
“O Quarterhorse será a aeronave reutilizável mais rápida do mundo e a primeira do seu tipo a voar com um motor TBCC”, explicou Hermeus em comunicado.
Fundada por ex-membros da SpaceX, Blue Origin e Generation Orbit, a
Hermeus pretende pilotar uma aeronave de demonstração nesta década que
pode tornar-se a aeronave reutilizável mais rápida em serviço regular,
escreve o Interesting Engineering.
Nos últimos anos, a Força Aérea dos Estados Unidos tem demonstrado
interesse em tais aeronaves comerciais de alta velocidade, não apenas
para as suas aplicações militares, mas também como um substituto potencial de longo prazo para o Air Force One,
o avião do Presidente dos Estados Unidos da América, que atua tanto
como transporte pessoal do Chefe do Executivo, como um centro de comando
e controlo em caso de guerra nuclear ou emergência nacional.
A onda de calor “Lúcifer” que o país atravessa está na origem
das temperaturas elevadas. A cidade de Siracusa na ilha italiana da
Sicília atingiu 48,8º C, podendo ser a temperatura mais elevada de
sempre registada na Europa.
A temperatura registada na histórica cidade italiana será a mais quente de sempre, segundo apontam as autoridades regionais.
Ainda assim, a mesma precisa de ser verificada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que para já mantém o recorde oficial da temperatura mais elevada da Europa os 48º C registados em 1977 em Atenas, na Grécia.
A “Sicília tem passado por uma onda de calor nos últimos dias, devido ao efeito foehn,
que provoca uma mudança de condições húmidas e frias de um lado de uma
montanha para condições mais quentes e secas do outro lado, portanto no
sota-vento das montanhas a oeste de Siracusa provavelmente ajudou a
atingir os 48,8º C”, refere Trevor Mitchell, meteorologista do Instituto
de Meteorologia do Reino Unido, citado pelo JN.
As elevadas temperaturas que o país enfrenta causadas por uma onda de
calor, apelidada de “Lúcifer”, levou à propagação de incêndios nas
áreas florestais no sul de Itália, como Sicília, Calábria e Puglia.
As autoridades do país prevêm que a onda de calor prossiga para o
norte de Itália, atingindo cidades como Roma, Florença ou Palermo, com
temperaturas ainda mais elevadas.
Neste sentido, o ministério da Saúde do país já emitiu alertas vermelhos,
devido ao calor extremo que é registado em várias regiões, apontando
que o risco para a saúde deve aumentar de oito para 15 até ao final da
semana.
A Itália enfrenta graves fogos, que já vitimaram pelo menos uma pessoa
Calor extremo e incêndios assolam Sul da Europa e Mediterrâneo
Vários países do Sul da Europa e do Mediterrâneo estão a enfrentar uma onda de calor extremo que já provocou incêndios mortíferos em Itália, Grécia, Turquia ou Argélia e colocou em alerta Portugal e Espanha.
O balanço mais grave regista-se na Argélia,
país do Norte de África com costa mediterrânica, onde o número de
vítimas mortais dos incêndios aumentou nas últimas horas para 69 – 41
civis e 28 militares.
A Argélia observa hoje o primeiro de três dias de luto pelas vítimas
dos incêndios, mas o fogo continua sem dar tréguas na região montanhosa
da Cabília (Norte).
Na Grécia, os incêndios provocaram pelo menos três
mortos e destruíram mais de 100.000 hectares desde 29 de julho, um
recorde desde 2007, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação
sobre Incêndios Florestais (EFFIS).
No início de agosto, o país foi atingido pela “pior vaga de calor” em três décadas, segundo o primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, com temperaturas que atingiram os 45 ºC.
“A crise climática está aqui”, disse hoje Kyriakos Mitsotakis, repetindo mais uma vez que a Grécia está a enfrentar “uma imensa catástrofe ecológica”.
Sem registo de mortos, a Tunísia também está a braços com centenas de
incêndios em várias regiões devido às altas temperaturas, que atingiram
hoje 50,2 ºC na cidade de Kairouan (Centro), anunciou a proteção civil
daquele país africano do Mediterrâneo, segundo a EFE.
A onda de calor também provocou incêndios no Sul da Turquia,
onde se registaram oito mortos desde o final de julho, mas o país está
hoje a braços com cheias em três províncias do Norte que já fizeram pelo
menos cinco vítimas mortais.
A Península Ibérica também se prepara para
temperaturas elevadas esta semana, com alertas de calor e de risco de
incêndio em Portugal e Espanha devido à chegada de uma massa de ar
quente do Norte de África.
Em Espanha, 13 comunidades estão em alerta de
temperatura elevada, duas delas em risco extremo (Aragão e Catalunha), e
a Agência Estatal de Meteorologia antecipa temperaturas máximas que
poderão atingir os 44 ºC nos próximos dias.
As previsões levaram mesmo as autoridades catalãs a lançar esta
semana um “grito de alarme” e a recordar que “estas temperaturas muito
elevadas causaram muitos incêndios em simultâneo” na Grécia e em Itália.
O calor também atingiu a França, onde se esperam picos de 40 ºC no Sudeste do país e cerca de 20 departamentos estão sob uma vigilância de alta temperatura.
Em Portugal, 12 distritos estão hoje em aviso
amarelo devido ao calor e cinco deles vão passar a aviso laranja na
sexta-feira, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera,
que antecipa temperaturas acima dos 40 ºC em algumas regiões do
interior.
Também a ilha da Madeira vai estar com aviso amarelo devido às temperaturas elevadas entre sexta-feira e domingo.
Na quarta-feira, a Proteção Civil colocou cinco distritos do interior
Norte, Centro e Sul em alerta laranja no próximo fim de semana, devido
ao risco de incêndio potenciado pelas condições meteorológicas
previstas.
Embora seja difícil ligar qualquer incêndio específico às alterações
climáticas, os cientistas têm alertado para fenómenos extremos
resultantes do aumento da temperatura global.
As autoridades de saúde na Guiné-Conacri confirmaram uma
morte por vírus de Marburg, uma febre hemorrágica altamente infeciosa,
semelhante ao Ébola, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS). É a
primeira vez que a doença foi identificada na África Ocidental.
De acordo com o Guardian, houve 12 surtos de Marburg desde 1967, maioritariamente no sul e no leste da África. O novo casofoi identificado na Guiné-Conacri
na semana passada, dois meses após o país ter declarado que erradicou o
Ébola, após um breve surto no início deste ano, que matou 12 pessoas.
O paciente procurou inicialmente tratamento numa clínica local, antes de a sua condição piorar rapidamente, disse a OMS
na segunda-feira. Analistas do laboratório nacional de febre
hemorrágica da Guiné e do Instituto Pasteur, no Senegal, confirmaram
posteriormente o diagnóstico.
“Estamos a trabalhar com as autoridades de saúde para implementar uma resposta rápida, que se baseie na experiência e no conhecimento
anteriores da Guiné no tratamento do Ébola, que é transmitido de forma
semelhante”, disse Matshidiso Moeti, diretor regional da OMS para a
África.
Tanto o caso de Marburg como os casos de Ébola deste ano foram
detetados no distrito de Gueckedou, na Guiné-Conacri, perto da fronteira
com a Libéria e a Costa do Marfim. Os primeiros casos da epidemia de
Ébola, entre 2014 e 2016, também ocorreram na mesma região florestal do
sudeste do país.
As taxas de mortalidade dos casos de Marburg
variaram de 24% a 88% em surtos anteriores, dependendo da cepa do vírus e
do tratamento, referiu a OMS, acrescentando que a transmissão ocorreu
por contato com fluidos corporais e tecidos infetados.
Os surtos de Marburg começam quando um animal infetado, como um
macaco ou um morcego, transmite o vírus para um humano. O vírus então se
espalha de pessoa para pessoa através dos fluidos corporais. Os sintomas incluem dor de cabeça, vómito com sangue, dores musculares e perda de por vários orifícios.
Depois de vários anos a ser planeado, finalmente foi
aprovado. O coração de Londres irá receber um Memorial do Holocausto e
um centro educacional. De acordo com o governo britânico, o objetivo é
criar um espaço nacional para homenagear os 6 milhões de judeus vítimas
do Holocausto.
Além disso, todas as outras vítimas do nazismo também serão
homenageadas, incluindo membros de outras etnias, homossexuais e pessoas
com deficiências, segundo as autoridades londrinas.
O centro educacional também fará homenagem a genocídios posteriores, incluindo os ocorridos no Camboja, Ruanda, Bósnia e Herzegovina e Sudão. A entrada será gratuita.
Apesar de se tratar do primeiro memorial e centro educacional sobre o
Holocausto do Reino Unido, já existe um Jardim Memorial do Holocausto
no Hyde Park de Londres.
Monumento polémico
A construção do memorial em Westminster gerou polémica ainda na fase
de planeamento. Apresentado pelo ex-primeiro-ministro conservador David Cameron
em 2014, o projeto foi inicialmente rejeitado pelas autoridades locais
em 2018, sob os argumentos de que a localização, no Hyde Park, é muito
próxima a outros monumentos em Londres e de que não há espaço
suficiente.
O governo do atual primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, conseguiu convencer as autoridades locais em 2019, mas a escolha do local também foi criticada por vários académicos.
Vários cientistas de universidades britânicas rejeitaram a construção
de um memorial do Holocausto próximo a edifícios do governo e do
Parlamento britânico em Westminster. Os especialistas temem que isso
possa dar um peso exacerbado ao papel que o governo britânico da época
desempenhou ao salvar judeus e outras vítimas dos nazis.
Em 2018, 42 investigadores assinaram uma carta aberta, entre eles a
professora Shirli Gilbert, que pesquisa a história judaica na University
College London.
A carta afirmava que os estudiosos temiam que o Reino Unido fosse
retratar-se como uma vitoriosa nação com currículo repleto de
salvamentos heroicos, o que não corresponde à pesquisa histórica.
Essa preocupação não é partilhada por Jean-Marc Dreyfus, historiador e professor de estudos do Holocausto na Universidade de Manchester.
“O esboço do memorial é muito vago para retratar o Reino Unido como uma heroica nação salvadora”, alegou, em entrevista à DW.
Mas Dreyfus considera exatamente isso como algo problemático. “O memorial não contém um símbolo da Shoah (Holocausto), é extremamente neutro por fora. Poderia também remeter a algo completamente diferente”.
Também não está claro a quem este memorial é dedicado: aos cidadãos
judeus britânicos que fugiram para o Reino Unido, a todas as vítimas
judias do Holocausto ou a todos os perseguidos pelos nazis.
Dreyfus diz acreditar que é preciso perceber que há uma ligação entre o novo memorial e o Brexit.
Segundo o especialista, ambas as decisões foram tomadas no mesmo
contexto, no mesmo período de tempo e foram impulsionadas por governos
conservadores.
Memória global do Holocausto
Andrea Löw, professora do Centro de Estudos do Holocausto em Munique, enfatizou em conversa com a DW
o quão internacional é a memória da Shoah. Existem museus, instituições
educacionais e memoriais na Cidade do Cabo, em Sydney, Budapeste,
Israel, Washington, na América do Sul, exemplificou. Para Löw, pode-se
falar numa recordação global do Holocausto.
Atualmente, segundo a historiadora, o foco principal é a importância de passar da recordação ritualizada à individual.
“Como historiadores, consideramos que a nossa tarefa é levar para a
frente a mensagem das testemunhas que agora nos vão deixando”, diz.
Neste contexto, Dreyfus também destaca a importância do centro educacional que será construído no Hyde Park de Londres. “Esta é uma boa notícia para a recordação da Shoah, que deve continuar”, afirma.
Dreyfus espera que o centro desencadeie um debate mais histórico e
baseado em factos no país. Este ainda não é o caso: a recordação
britânica do Holocausto começou apenas nas décadas de 1990 e 2000 e
sempre ostentou um caráter vago, refere o historiador.
Por sua vez, a historiadora alemã Löw também enfatiza a grande
importância dos centros educacionais complementares a memoriais do
Holocausto em muitos sítios do mundo.
O memorial britânico e o associado centro educacional serão
construídos em Londres com base num projeto dos escritórios de
arquitetura Adjaye Associates, Ron Arad Architects e Gustafson
Porter+Bowman.
O início da obra está agendado para este ano, e o planeamento indica que o memorial deverá estar concluído e ser aberto ao público em 2025.
O gel é feito de aminoácidos e pode diminuir os sintomas da
doença em apenas uma administração. Os investigadores acreditam que
poderá ser útil no combate a outras doenças no cérebro. Os ensaios
clínicos devem começar nos próximos cinco anos.
Cientistas da Universidade Nacional da Austrália juntaram-se a outros
investigadores do Instituto de Neurociência e de Saúde Mental Florey na
luta contra a Parkinson. A equipa desenvolveu um gel de aminoácidos que pode ser injectado no cérebro e reparar alguns dos danos causados por esta e também possivelmente outras doenças neurológicas.
Segundo a Reuters, quando o gel é agitado, transforma-se num líquido que facilita a injecção no cérebro.
O gel volta depois ao seu estado sólido e preenche vácuos irregulares,
ajudando assim no transporte seguro de células estaminais que vão
substituir partes lesionadas do cérebro.
Até agora, o gel só foi testado em animais e foi eficaz no combate a distúrbios no movimento em ratos.
Os investigadores têm esperança que os ensaios clínicos comecem nos
próximos cinco anos, depois de se provar que o gel é seguro para ser
usado em humanos.
“A grande mudança aqui é ser uma intervenção única.
No futuro, um paciente de Parkinson poderá vir ao hospital e precisaria
apenas de uma intervenção deste tipo para potencialmente aliviar muitos
dos seus sintomas durante anos”, afirma David Nisbet, professor na
Universidade Nacional da Austrália.
O professor acrescenta que a produção do gel também é relativamente barata
e que a produção em grande escala deve ser relativamente fácil mal os
materiais sejam aprovados para uso clínico e administração em humanos. O
gel poderá também ser usado para tratar outros problemas neurológicos,
como por exemplo as sequelas de quem sofreu um AVC.
A Parkinson é uma doença degenerativa e lentamente progressiva no cérebro que causa tremores e dificuldades nos movimentos, no equilíbrio e na coordenação.
Actualmente, há cerca de 10 milhões de casos e todo o mundo e segundo a Sociedade Portuguesa de Neurologia, entre 18 mil e 20 mil pessoas em Portugal sofrem da doença, que não tem cura.
A jovem morreu depois de ter sido atacada pelo companheiro. Uma investigação do The New York Times revela que a vítima já se tinha queixado sete vezes à polícia britânica.
Daniela Espírito Santo ligou sete vezes para a polícia antes de falecer.
No dia em que morreu, ligou para as autoridades e começou por contar que o companheiro, Paulo de Jesus, a tinha tentado estrangular na cama. A polícia deteve o suspeito, mas libertou-o horas depois, porque “não” parecia perigoso, “mostrou arrependimento” e prometeu que não voltaria à casa da companheira.
Contudo, isso não aconteceu. À tarde, a mulher voltou a ligar à polícia, contando que o namorado a tinha voltado a atacar e ameaçado de morte.
Como o agressor já tinha saído e Daniela disse que não precisava de
ajuda médica nem de uma ambulância, a chamada foi transferida para uma
linha de apoio não urgente.
Depois de oito minutos de espera, o assistente só conseguiu ouvir um
bebé a chorar. Quando os agentes policiais foram à casa da vítima, uma
hora depois do telefonema, encontraram-na morta com um bebé de meses nos
braços.
Daniela sofria de problemas cardíacos e não terá
resistido ao stress provocado pela situação, acabando por morrer a 9 de
abril de 2020, durante o primeiro mês do confinamento britânico.
Por sua vez, Paulo de Jesus foi condenado a dez meses de prisão, pelo crime de ofensas corporais, depois de o Ministério Público britânico ter deixado cair a acusação de homicídio.
Isto porque o facto de Daniela sofrer de problemas cardíacos impossibilitava, na opinião dos procuradores, uma condenação por homicídio.
No entanto, de acordo com uma investigação doThe New York Times,
nos meses que antederam a sua morte Daniela ligou para a polícia sete
vezes, incluindo as duas chamadas que fez no dia 8 de abril.
O jornal norte-americano aponta várias falhas na forma como a polícia britânica lidou com o caso.
Por exemplo, um dos polícias que o interrogou escreveu num relatório
que a sua maior preocupação era “a saúde mental” do suspeito e que este
não representava um perigo.
Charly Price-Wallace, amiga de infância da jovem,
contou ao jornal que Daniela lhe confidenciou os seus problemas, como o
facto do companheiro lhe ter esvaziado a conta bancária para comprar
drogas, logo após o nascimento da filha.
Além disso, o homem espancou Daniela depois de esta o ter
confrontado, deixando-a com “um enorme olho roxo”. “A maior parte da
violência surgia por ele usar o dinheiro para comprar drogas e por ser questionado posteriormente por ela”, explicou Price-Wallace.
Em tribunal, a defesa de Paulo Jesus conseguiu demonstrar que o ataque cardíaco pode ter sido provocado por uma discussão verbal e que não foi resultado de uma agressão, o que levou a uma condenação de dez meses de prisão.
Apesar das críticas, a inspeção não recomendou quaisquer medidas disciplinares para os polícias.
A mulher estava no Reino Unido desde 1999, para onde
emigrou com a família com apenas dois anos. Na altura em que morreu,
trabalhava num lar de idosos em Grantham, perto de Lincolnshire, a 250
quilómetros de Londres.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai iniciar uma nova
fase de ensaios clínicos de medicamentos contra a covid-19, testando
três medicamentos em pacientes hospitalizados, estando a recrutar
participantes também em Portugal.
Os testes fazem parte da nova fase do ensaio clínico Solidarity,
da OMS, que entra na fase Solidarity Plus para testar a eficácia dos
medicamentos artesunate (do laboratório farmacêutico IPCA), usado para
tratar casos graves de malária; imatinib (Novartis), usado para tratar
alguns tipos de cancro; e infliximab (Johnson & Johnson), usado para
tratar doenças do sistema imunitário, como artrite reumatoide.
Os medicamentos foram doados pelas farmacêuticas para a realização do
ensaio clínico que decorre em 52 países, incluindo Portugal.
“Encontrar terapêuticas mais eficazes e acessíveis
para os doentes com covid-19 permanece uma necessidade crítica e a OMS
está orgulhosa por liderar este esforço global”, disse o diretor-geral
da OMS, Tedros Ghebreyesus, citado em comunicado da organização divulgado hoje.
O comunicado refere que na nova fase dos ensaios clínicos estão
envolvidos cerca de 600 hospitais nos 52 países participantes, mais 16
países do que na fase inicial, sendo possível avaliar a eficácia de
vários tratamentos ao mesmo tempo usando um único protocolo, recrutando milhares de pacientes para gerar estimativas robustas sobre a eficácia que um medicamento pode ter na mortalidade.
O protocolo também permite a adição de novos medicamentos ao longo do processo e o abandono dos que sejam considerados ineficazes.
Os ensaios já permitiram demonstrar, por exemplo, que medicamentos
como remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir e interferon têm pouca ou
nenhuma eficácia em pacientes hospitalizados.
O ensaio clínico vai recrutar apenas pacientes adultos, homens e mulheres, em internamento hospitalar, até 1 de maio de 2022.
A vacina da farmacêutica Hipra será a primeira desenhada em
Espanha a entrar em ensaios clínicos. Foi pensada para combater as
variantes Alpha e Beta e terá duas doses.
A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS)
autorizou o primeiro ensaio clínico da vacina contra a covid-19, PHH-1V,
desenvolvida em Espanha pela empresa Hipra, conforme divulgado no site
do regulador e anunciado pelo primeiro-ministro, Pedro Sánchez. A vacina
foi pensada para combater as variantes Alpha e Beta.
A diretora da empresa, Toni Maneu, já referiu que os resultados pré-clínicos (feitos em laboratório e animais) foram “muito positivos”.
A responsável também garantiu que os testes realizados até agora
indicam que a vacina é eficaz contra a variante delta, que se tornou
dominante nos últimos meses em vários países da Europa, sobretudo em
Portugal e Espanha.
Segundo avança o El País, o ensaio clínico – que envolve humanos – vai comparar a vacina espanhola com outras que já estão no mercado.
Assim, os voluntários irão tomar uma ou outra, sem saber qual, e será avaliado, como objetivo principal, a segurança e tolerância da vacina. Como objetivos secundários, serão avaliadas a imunogenicidade – capacidade de ativar o sistema imunitário – e a eficácia.
A vacina é composta por duas proteínas modificadas juntas,
correspondentes à proteína spike. Esta tecnologia também foi usada
pelas farmacêuticas Novavax e Sanofi/GSK, mas no caso da Hipra, as duas
proteínas recombinadas são semelhantes às da variante Alfa e da variante
Beta, noticiou o jornal espanhol.
A vacina será testada com duas doses, dadas com um intervalo de três semanas e os voluntários terão entre 18 e 39 anos, sendo que pode ser armazenada a uma temperatura de entre os dois e os oito graus Celsius, o que facilita o armazenamento e distribuição.
A empresa planeia produzir cerca de 400 milhões de doses da vacina durante o próximo ano.
As autoridades alemãs apelaram na terça-feira aos cerca de
8600 residentes de Friesland que podem ter sido afetados pela troca para
levarem outra dose da vacina.
Milhares de pessoas no Norte da Alemanha vão ter de ser vacinadas novamente
contra a covid-19, após uma investigação policial ter descoberto que
uma enfermeira da Cruz Vermelha pode ter substituído a vacina por uma solução salina.
A enfermeira é suspeita de ter injetado solução salina em vez de
doses da vacina num centro de vacinação em Friesland, uma região rural
perto da costa do Mar do Norte, no início da Primavera.
As autoridades alemãs apelaram na terça-feira aos cerca de 8600
residentes que podem ter sido afetados pela troca para levarem outra
dose da vacina.
“Estou totalmente chocado com este episódio”, disse Sven Ambrosy, um político local, no Facebook.
Apesar da solução salina ser inofensiva, a maioria das pessoas que
foram vacinadas na Alemanha em março e abril – quando a troca em causa
terá ocorrido – são idosos vulneráveis à doença.
Em conferência de imprensa, o investigador Peter Beer disse que, com base nas declarações de testemunhas, havia “uma suspeita razoável de perigo”, cita o jornal britânico The Guardian.
Os motivos da enfermeira não são claros, mas a mulher tinha revelado algum ceticismo sobre vacinas em publicações nas redes sociais, segundo a polícia.
De acordo com a emissora NDR, o caso foi entregue a uma unidade especial que investiga crimes de motivação política.
Desde a década de 1970, os abortos em função do género na
China, na Índia e noutras dez nações impediram o nascimento de 23 a 45
milhões de mulheres. Um novo estudo prevê que esses países percam mais
4,7 milhões até 2030.
Num novo estudo, publicado na BMJ Global Health e citado pelo Science Alert, os investigadores usaram um modelo baseado em 3,26 mil milhões de registos
de nascimento de 204 países, tendo identificado 12 nações com fortes
evidências de uma proporção de género distorcida e 17 em risco de seguir
essa mesma direção,
As 12 nações com uma proporção de género distorcida mostram sinais de
recuperação, especialmente a China e a Índia, com o governo a oferecer
incentivos para o nascimento de mulheres e restrições ao aborto
seletivo. Contudo, o modelo prevê que essas nações percam 5,7 milhões de
mulheres até 2100.
Nesses dois países, os homens atualmente superam as mulheres em cerca
de 70 milhões, um houve um aumento da violência, do tráfico de mulheres
e da prostituição. O cientistas referiram que é preciso agir
imediatamente para reequilibrar a balança em lugares como a China, a
Índia, a Albânia, a Arménia, o Azerbaijão e o Vietname.
Se outros países com preferência por filhos em vez
de filhas – como a Nigéria, o Paquistão, o Egito, a Tanzânia e o
Afeganistão – começarem a distorcer as suas proporções de género, o
modelo prevê que sejam “perdidas” mais 22 milhões de mulheres até 2100.
As nações da África Subsaariana poderiam contribuir com mais de um
terço.
Embora o aborto dê às mulheres a decisão sobre a gravidez, essa
escolha também pode ser ditada por normas sociais. Em algumas culturas,
apenas os homens podem trabalhar, manter a linhagem familiar ou cuidar
dos pais idosos. Noutros locais, as mulheres não podem trabalhar ou
possuir bens e, em certos casos, precisam de um dote para casar.
Além do aborto baseado no género, os investigadores apontaram o infanticídio feminino e a falta de saúde feminina como outras das razões para o desaparecimento de milhões de mulheres em todo o mundo.
“Essas descobertas sublinham a necessidade de monitorizar [a
proporção de sexos no nascimento] em países com preferência por filho e
abordar os fatores por trás da persistência do preconceito de género nas
famílias e instituições”, escreveram os autores.
Tal como muitas crianças, James Savage descobriu o amor pela
natação quando era ainda muito novo. Agora, o adolescente
norte-americano atravessou a nado o Lago Tahoe – tornando-se na pessoa
mais jovem de sempre a fazê-lo.
Jilian Savage, mãe do jovem de 14 anos, referiu que
nunca teve dúvidas das capacidades do filho, pois o jovem preparou-se
intensamente para a prova que ocorreu no dia 1 de agosto. “Ele tem
nadado quase todos os dias desde os oito anos. Sempre em águas abertas”,
frisou orgulhosa, em declarações ao jornal Tahoe Daily Tribune.
O adolescente de Los Banos, na Califórnia, alcançou esta conquista numa prova que começou em Camp Richardson, em South Lake Tahoe, na Califórnia, e que terminou na costa do Hyatt Regency, em Incline Village, no Nevada.
A mãe do jovem contou ao jornal local que o que impulsionou o filho a trabalhar nesta conquista foi o desafio mental,
explicando que este tem sempre a necessidade de se manter ocupado com
alguma coisa. “Ele não consegue sentar-se e conversar connosco quando
fica entediado”, referiu.
Embora o jornal não frise se o jovem recebeu algum incentivo financeiro, a progenitora não tem dúvidas de que o filho fez “um ótimo trabalho”.
Por sua vez, James revela que a paixão pela natação começou muito
cedo, por volta dos cinco anos de idade, apesar de relembrar que
inicialmente não tinha em mente alcançar estes feitos.
O jovem admite que o que o motiva é a aventura e
essa é umas das razões que o faz preferir nadar em locais abertos. “Em
águas abertas, posso nadar em oceanos, lagos e viajar”, explicou.
O lago Tahoe é o maior lago alpino da América do Norte
e sua profundidade é de 501 metros, o que faz dele o segundo mais
profundo do país – situando-se apenas atrás do Lago Crater, no Oregon.
As cadeiras de contenção são usadas nas prisões
norte-americanas para prender pessoas que representam um perigo para si
mesmas e para os outros. Contudo, em algumas prisões, são indevidamente
usadas para torturar os reclusos.
Ao longos dos anos são vários os relatos de pessoas que foram torturadas através do uso das cadeiras de contenção – sendo quem em alguns casos, os reclusos acabaram mesmo por morrer.
Neste sentido, algumas jurisdições decidiram restringir, ou até mesmo
banir, o uso destas cadeiras. Já os as ativistas de direitos humanos
pedem que estas sejam totalmente extintas em todo o país.
Num dos piores casos conhecidos, um homem com problemas de saúde
mental parou de respirar depois de ter torturado numa prisão no condado
de San Luis Obispo, na Califórnia, acabando depois por morrer, conta o Los Angeles Times.
O recluso foi deixado nu e algemado durante quase dois dias depois de ter sido espancado na cabeça e no rosto. Após o incidente, o condado decidiu que iria acabar com o uso da cadeira.
Segundo o VICE,
a cadeira deve ser usada em situações em que um recluso é tão violento
ou incontrolável que é necessário “prevenir a auto-mutilação, ferimentos
a terceiros ou danos à propriedade”, especialmente quando outras
técnicas não se mostram eficazes.
O site de notícias frisa que os dispositivos não foram criados para
serem usados como forma de punição, o que muitas vezes acontece.
Há duas décadas, o Comité das Nações Unidas contra a
Tortura instou as autoridades americanas a abolir completamente as
cadeiras de contenção e os cintos de atordoamento – dois métodos de
controlo que o painel considerou que poderiam “quase invariavelmente”
levar a violações do tratado internacional contra a tortura, citou o New York Times.
Ainda assim, o instrumento continuou a ser usado em todo o país e permanece ativo até aos dias de hoje.
Por sua vez, a Amnistia Internacional também exortou as autoridades a
proibir as cadeiras de retenção, em parte porque “são facilmente
instaladas e a sua utilização não é regulamentada em muitas
jurisdições”, cita o VICE.
Embora amarrar uma pessoa que representa um perigo para si mesma ou
para as outras pessoas possa ser útil em algumas circunstâncias, a
prática pode estar exposta a uma linha muito ténue onde a tortura surge
muito rapidamente.
Esta ação surge quando combinada com força excessiva ou humilhação, de acordo com Justin Mazzola,
vice-diretor de pesquisa da Amnistia Internacional dos EUA, sendo que
muitas das vezes as autoridades ultrapassam aquelas que são consideradas
as “linhas vermelhas” da atuação.
No Tennessee, por exemplo, um agente penitenciário da Comarca de Cheatham foi apanhado a dar choques a um adolescente indefeso que se encontrava amarrado a uma cadeira de contenção.
O polícia foi condenado a cinco anos de prisão no
ano passado pelo incidente que ocorreu em 2016, mas o adolescente nunca
mais foi o mesmo, acabando por se envolver com drogas e morrer por
overdose.
Em alguns casos, os próprios funcionários das prisões lutam contra o
uso indevido das cadeiras de contenção, mas este ainda é um assunto que
causa muita discussão nos Estados Unidos.
A erradicação global da covid-19 é “provavelmente viável”,
graças à vacinação, às medidas de saúde pública e ao interesse global em
controlar a pandemia, segundo um novo estudo.
Para os signatários do estudo publicado no BMJ Global Health,
as políticas de saúde e o interesse global em decorrência das crises
financeiras e sociais fazem com que a erradicação do vírus seja
possível, mas, segundo especialistas da Universidade de Otago Wellington
(Nova Zelândia), os principais objetivos são garantir uma maior
cobertura de vacinação, capaz de responder com rapidez às variantes, noticiou a agência Lusa.
“Embora a nossa análise seja preliminar, com vários elementos
subjetivos, parece colocar a erradicação da covid-19 dentro do campo do
possível, especialmente em termos de viabilidade técnica”, afirmaram os
autores do estudo, que inclui dados de fatores técnicos, sociopolíticos e
económicos de infeções por covid-19, poliomielite e varíola.
O grupo usou um sistema de pontuação de três pontos para cada uma das
17 variáveis, incluindo a disponibilidade de uma vacina segura e
eficaz, imunidade vitalícia, o impacto das medidas de saúde pública e
gestão governamental eficaz de controlo da infeção.
Também a preocupação política e pública com repercussões económicas e
sociais ou a aceitação de medidas restritivas foram calculadas. As
pontuações médias totalizaram 2,7 para a varíola, 1,6 para a covid-19
e 1,5 para poliomielite. A varíola foi erradicada em 1980 e dois dos
três serótipos do poliovírus também foram erradicados globalmente.
Os especialistas reconheceram que, em relação à varíola e à
poliomielite, os desafios técnicos da erradicação da covid-19 incluem a
baixa aceitação da vacina e o surgimento de variantes mais
transmissíveis.
“Porém, a evolução viral tem os seus limites. É de se esperar que o
vírus acabe por atingir a sua capacidade máxima e que novas vacinas
sejam concebidas”, argumentaram.
A persistência do vírus em reservatórios de animais também pode
frustrar os esforços, mas não parece ser um problema sério,
acrescentaram os investigadores. Por outro lado, é destacado o
“interesse global sem precedentes no controlo da doença e no
investimento maciço na vacinação contra a pandemia”.
Ao contrário da varíola e da poliomielite, a covid-19 beneficia do
impacto adicional das medidas de saúde pública, como controlo de
fronteiras, distanciamento social e o uso de máscaras, que “podem ser
muito eficazes, se [forem] bem implantadas”.
A eliminação da covid-19 foi alcançada e sustentada em longos
períodos, em várias regiões asiáticas, “fornecendo a prova […] de que a
erradicação global é tecnicamente possível”, resumiram.
O estudo identifica, entre os desafios futuros, conseguir a cooperação internacional para combater o “nacionalismo das vacinas”.
O sistema de saúde da Bolívia, no seu limite antes da
pandemia, tem visto a sua situação agravada pela falta de remédios,
especialistas e vagas nos hospitais públicos. Existem menos de 500
leitos de Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).
Segundo avançou na segunda-feira a RFI,
há quem opte pelo sistema de saúde privado, arriscando criar dívidas ou
não poder retirar os corpos dos familiares em caso de óbito. Num país
de 11 milhões de habitantes, em que o salário médio é
de cerca de 324 euros, pode chegar aos 65.000 euros manter um familiar
hospitalizado durante algumas semanas.
A RFI relatou o caso de Irma, que teve que hospitalizar o irmão e,
para fazer face às despesas, vender um automóvel. Já Wilma, cujo pai
morreu após 36 dias de hospitalização, não conseguiu reunir o montante
para pagamento das despesas médicas, tendo o hospital retido o corpo
durante quatro dias.
“Há alguns anos isso [retenção de cadáveres] acontecia com
frequência. Agora é mais raro, pois essa prática é proibida e há
sanções”, explicou Nadia Cruz, da Defensoria Pública. “Com a covid-19 e
os valores elevados que representam as [longas] hospitalizações, algumas
clínicas voltaram a fazer isso”, acrescentou.
Uma lei aprovada em fevereiro limita os honorários das clínicas privadas a cerca de 422 euros por dia na UCI.
“Com a nova lei, conseguimos verificar se as tarifas ultrapassam o limite imposto pelo governo. Mas não temos como verificar os medicamentos usados
na terapia intensiva”, disse Nadia Cruz, frisando: “Quando temos acesso
aos ficheiros completos, recebemos 10 páginas de tratamentos que não
temos como avaliar se eram realmente necessários”.
Mais da metade dos leitos de UCI no país são em estabelecimentos
privados. Algumas clínicas pedem aos familiares o pagamento de um sinal
antes da hospitalização, mesmo em caso de urgência, ou que seja
apresentada a escritura de uma casa própria.
Forças governamentais têm apertado o cerco aos dissidentes do
regime de Lukashenko. Depois de um ativista bielorrusso ter sido
encontrado morto num parque de Kiev, teme-se também pela vida dos
jornalistas que resistem em continuar a fazer o seu trabalho.
As grandes manifestações contra o regime de Alexander Lukashenko
na sequência das eleições de setembro de 2020 despoletaram uma escalada
de perseguição que o governo de tendências ditatoriais iniciara
anteriormente, ainda que de forma mais esporádica e discreta.
Recentemente, na mira das forças policiais têm estado jornalistas e ativistas,
com 60 buscas levadas a cabo entre 14 e 16 de Julho em casas e
escritórios de defensores dos direitos humanos e respetivas
organizações. Foram apreendidos documentos, equipamentos tecnológicos
como computadores ou telemóveis.
No início de Julho, também as casas de jornalistas e instalações de órgãos de comunicação social foram alvos de buscas, com a detenção de dezenas de jornalistas e bloggers — dos quais 30 permanecem na prisão. A Amnistia Internacional avançou publicamente que 46 associações
de direitos humanos e da sociedade civil foram encerradas, um número
que pode ter subido para 100, segundo ativistas bielorrussos.
“Isto é muito mais que repressão“, disse Tanya Lokshina,
da Human Rights Watch. “Numa reunião do Governo, realizada a 22 de
Julho, o presidente Lukashenko descreveu, sem rodeios, a intenção de
acabar com dezenas de grupos da sociedade civil como ‘uma purga‘ — e é isso que isto é, uma operação viciosa de limpeza em grande escala destinada a eliminar as vozes críticas.”
Ao longo do último ano, de acordo com a Federação internacional para os Direitos Humanos e a Viasna, organização que documenta casos de tortura, cerca de 35 mil
manifestantes pacíficos foram detidos, dos quais 4691 deram origem a
projetos criminais com seguimento em tribunal, 608 são considerados presos políticos e 1800 indivíduos terão sido vítimas de tortura. Um número não quantificado de ativistas, estima-se que centenas, abandonaram o país.
Ilya Nuzov, responsável pela delegação da Europa de Leste e Ásia Central da Federação internacional para os Direitos Humanos, afirmou ao The Guradian que o crescendo de repressão visível atualmente tem estado a ser preparado há meses.
“Isto não apareceu do nada. [As autoridades] têm vindo a preparar isto
diligentemente. É a progressão natural da deterioração do estado dos
direitos humano no país.”
Perante esta repressão, algumas organizações de direitos humanos, cujos trabalhadores abandonaram o país, continuaram o seu trabalho a partir do exterior, em alguns países vizinhos como a Lituânia, a Polónia ou a Ucrânia.
Victoria Fedorova, uma advogada de direitos humanos e
diretora da Legal Initiative, saiu de Bielorrússia em Março depois de
um dos seus colegas ter sido detido no âmbito de uma busca policial em
sua casa. Victoria sabia que seria o próximo alvo, pelo que partiu para Kiev, na Ucrânia — tendo-se apercebido recentemente que nem ali está a salvo.
Vitaky Shishov, que dirigiu a Belarusian House, uma organização que ajudou bielorrussos a sair do país, foi encontrado morto na semana passada num parque de Kiev, enforcado numa árvore — um episódio que a polícia ucraniana está a tratar como homicídio.
“Mesmo quando viajamos em Março percebemos que a Ucrânia não era segura“, afirmou Fedorova. “Sabemos que as forças de segurança podem raptar as pessoas. O desvio do avião foi um acontecimento muito assustador porque o regime mostrou total desrespeito pelas leis internacionais. Eles são capazes de qualquer coisa para deter os seus dissidentes.”
Natallia Satsunkevich, associada da Viasna, teve a sua casa invadida quando estava de férias no Egito, em Fevereiro, tendo optado por não regressar ao seu país.
Paralelamente, sete dos seus colegas foram detidos com condições que se
assemelham a tortura. “Não há chuveiros, não podes andar. Dormes numa
cama de metal sem almofada”.
Apesar de muitos ativistas terem optado por abandonar o país, há quem resista, mesmo com o cerco a apertar. “Eles passam o dia num estado de nervos, mas ao mesmo são muito corajosos e não vão parar“, defendeu Fedorova que reafirmou o compromisso com todas as pessoas que precisam de ajuda e com os colegas detidos.
Os brasileiros só vão poder saber se Jair Bolsonaro se
vacinou contra a covid-19 no longínquo ano de 2121. Também só dentro de
um século saberão quantas vezes os seus filhos mais velhos tiveram
acesso ao Palácio do Planalto.
O Executivo brasileiro usa um artigo da legislação para bloquear, durante 100 anos,
o acesso a informações como se Jair Bolsonaro foi ou não vacinado
contra a covid-19 ou quantas vezes os seus filhos mais velhos tiveram
acesso ao Palácio do Planalto.
Segundo o El País, a Lei de Acesso à Informação (LAI)
entrou em vigor em novembro de 2011, durante a presidência de Dilma
Rousseff, e foi considerada como um marco para a promoção da
transparência. No entanto, um dos seus artigos tem sido aproveitado para
precisamente o contrário.
Em causa está o artigo 31.º: “O tratamento das
informações pessoais deve ser feito de forma transparente e com respeito
à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. As informações
pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida
privada, honra e imagem (…) terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de cem anos”.
O Governo brasileiro tem usado este artigo, assim como a Lei Geral de
Proteção de Dados, para deixar nas sombras informações que considera
sensíveis.
Bolsonaro protegido por 100 anos
Um dos casos mais recentes de utilização deste artigo remonta ao final do mês de julho, altura em que a revista Crusoé pediu, ao abrigo da LAI, os dados relativos à atribuição de crachás de acesso ao Palácio do Planalto a dois dos filhos de Jair Bolsonaro – o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, e o deputado federal, Eduardo Bolsonaro.
O diário detalha que o Governo invocou o artigo 31.º para negar o
pedido e, assim, bloquear o acesso à informação durante um período de
100 anos.
Também em janeiro deste ano, o Executivo brasileiro decretou o sigilo de um século em relação ao boletim de vacinação de Bolsonaro e a qualquer informação relativa às doses da vacina contra a covid-19 recebidas pelo Presidente.
O Governo alegou, na altura, que a divulgação “diz respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem”.
A primeira vez que o Governo usou o artigo da LAI foi em dezembro,
quando a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) estabeleceu o
mesmo sigilo centenário para os nomes dos utilizadores que publicavam no
Twitter do organismo. Na altura, havia a suspeita de que o
perfil estaria a ser utilizado por pessoas ligadas ao “gabinete de
ódio”, alegadamente liderado por Carlos Bolsonaro para espalhar fake news e difamar opositores.
Juliana Sakai, diretora de operações da Transparência Brasil, referiu ao El País que as decisões do Governo podem ser revertidas, mas o processo demora muito tempo e custa muito dinheiro.
A responsável da organização independente que promove a transparência
e o controlo social do poder público considera que a intenção do
Governo brasileiro vai além da mera proteção da vida privada.
“Eles justificam as negas dentro dessa possibilidade legal com base
no artigo 31.º ou na Lei Geral de Proteção de Dados, mas com o objetivo
de atender a outros princípios. E isso acaba sendo feito de forma cada
vez mais abusiva. Se o Governo é refratário a passar uma informação,
alegará que ela é privada”, afirmou.
O menino hindu, de apenas oito anos, enfrenta uma possível
pena de morte depois de ter sido acusado de urinar intencionalmente na
biblioteca de uma madrassa.
A criança de oito anos é a mais jovem acusada com base nesta lei, por um crime que acarreta pena de morte. O menino, acusado de urinar intencionalmente na biblioteca de uma madrassa no Punjab, no Paquistão, encontra-se agora sob proteção policial.
Segundo o The Guardian,
a família da criança está escondida depois de ter havido um ataque a um
templo hindu na zona de Rahim Yar Khan por um grupo de muçulmanos que
protestavam contra a libertação da criança sob fiança, na semana passada. No sábado, 20 pessoas foram detidas na sequência deste ataque.
“Deixámos as nossas lojas e os nossos trabalhos, toda a comunidade
está com medo, e temos medo de represálias. Não queremos voltar. Não
vemos que haja qualquer ação contra os culpados [do ataque ao templo
hindu] ou para proteger as minorias que vivem ali”, disse um familiar da
criança ao diário britânico, sob anonimato.
O membro da família acrescentou ainda que o rapaz ainda não percebeu qual foi o crime que cometeu e por que razão esteve uma semana preso.
Há muitos especialistas chocados com o facto de as leis da blasfémia
poderem ser usadas para acusar crianças. “O ataque ao templo e as
alegações de blasfémia contra o rapaz menor de oito anos deixaram-me
verdadeiramente chocado”, confessou o deputado Ramesh Kumar, chefe do
Conselho Hindu do Paquistão.
Imran Khan, primeiro-ministro do Paquistão, condenou o ataque ao
templo e disse que ordenou à polícia que levasse a cabo ações contra
todos os envolvidos, incluindo polícias que possam ter sido negligentes.
Ainda segundo o diário, as leis da blasfémia têm sido usadas de modo desproporcionado contra minorias religiosas no Paquistão.
Ativistas atribuem a escalada de violência e ódio à
“crescente visibilidade da comunidade lésbica, gay, bissexual e
transgénero” no país. Apesar de os registos policiais comprovarem um
aumento de casos de violência relacionados com a discriminação
homofóbica e transfóbica, associações de direitos humanos acreditam que a
verdadeira dimensão do problema não está presente nos documentos
oficiais.
Os ativistas ucranianos pelos direitos LGBTQ+ têm
enfrentado uma onda de ameaças e insultos, tanto em via pública como em
contexto digital. Recentemente, a caixa de mensagens de Sofiia Lapina
tem sido palco deste mesmo fenómeno, depois de, no mês passado, membros
de um grupo de extrema-direita publicarem o seu número de telefone no Telegram, para além de terem localizado a sua morada.
“Tiraram fotografias à minha varanda e à entrada do meu prédio, e têm estado a enviá-las para mim”, revelou Lapina à Reuters. “É difícil dormir sabendo que há pessoas que anunciaram que me estão a caçar.”
Apesar de a Ucrânia ter legalizado o sexo gay em 1991, alguns elementos conservadores de uma fação maioritariamente ortodoxa cristã
têm-se oposto aos direitos LGBTQ+ e militantes da extrema-direita
estabelecem como alvo grupos e eventos de apoio à comunidade. Como
possível justificação para a onda de ódio, alguns ativistas sugerem a “crescente visibilidade da comunidade lésbica, gay, bissexual e transgénero” no país.
Os meios de comunicação locais noticiaram na passada sexta-feira confrontos entre a polícia e grupos de extrema-direita nas imediações do edifício presidencial, em Kiev, onde a organização UkrainePride, de Lapina, realizava uma manifestação para exigir igualdade LGBTQ+.
Lenny Emson, diretor do KyivPride, afirmou aos meios de comunicação que “o movimento LGBTQ+ está a tornar-se mais poderoso, mais produtivo e mais eficaz“.
“Por outro lado, quanto mais fortes ficamos, maior é o efeito de
ricochete”, afirmou. Um exemplo deste mesmo efeito pode ser o adiamento
da marcha de apoio ao movimento, que se irá realizar em setembro e não
em junho, como estava originalmente planeado.
A escalada de violência é confirmada pelos números do Centro de
Direitos Humanos LGBT Nash Mir, responsável por assinalar episódios
contra a comunidade LGBTQ+ na Ucrânia, que anotou 24 ataques a centros ou eventos no último ano, mais do dobro
dos números registados em 2019. Os documentos policiais também
confirmam a ocorrência de 14 crimes de ódio com base na orientação
sexual e na identidade de género em 2019.
No entanto, as organizações de direitos humanos acreditam que a verdadeira proporção do fenómeno é maior e não está verdadeiramente documentada
— por muitas vítimas terem receio de ir à polícia e se recusarem a
apresentarem queixa. Paralelamente, quando as vítimas fazem efetivamente
queixa de episódios homofóbicos ou transfóbicos, muitas são classificadas como atos de hooliganismo, o que também contribui para a desvalorização do problema.
O gabinete de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da
Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) recebeu
denúncias de mais de 140 incidentes, em 2019, ligadas a episódios de discriminação homofóbica e transfóbica.
Em maio, cerca de uma dezena de militantes de um grupo de
extrema-direita invadiu o local onde estava a ser projetado um filme
LGBTQ+, partiram os vidros e lançaram uma tocha e uma lata de gás
lacrimogéneo, denunciou o KyivPride, responsável pelo evento, na sua
página de Facebook.
A polícia afirmou, na sequência do acidente, que haviam sido iniciados procedimentos criminais à luz do artigo da lei referente ao hooliganismo.
Dois dias depois, membros de outro grupo de extrema-direita invadiram
eventos organizados pelo grupo de defesa dos direitos LGBTQ+ Insight, em
Kiev e na cidade de Odessa. Os atacantes também assaltaram o escritório
de Odessa de outra organização, a LGBT Association LIGA.
“Se a polícia tivesse detido os atacantes que
tentaram perturbar o evento daquele dia do Insight, eles não teriam
vindo até ao nosso escritório partir os vidros, criticou o presidente da
LIGA, Oleg Alyokhin. Posteriormente, a polícia explicou que analisou os
tumultos do evento do Insight em Kiev e que não foram encontrados dados que indicassem que tinha sido cometida qualquer infração criminal.
Os recentes episódios têm merecido a condenação de grupos internacionais e nacionais de direitos civis num país onde a discriminação em contexto laboral contra homossexuais só foi banida em 2015.
Em junho, a Amnistia Internacional descreveu a violência como parte de uma “campanha de grupos promotores de ódio direcionado para a intimidação de ativistas feministas e LGBTI”.
Uma carta suspeita endereçada ao Papa Francisco, proveniente
de França e que tinha no seu interior três balas, foi intercetada no
domingo à noite numa estação de triagem de correspondência na zona de
Milão.
De acordo com a polícia italiana, citada pela Associated Press, na carta, escrita à mão, lia-se: “Para o Papa, Cidade do Vaticano, Praça de São Pedro, Roma”.
Além das três balas, no envelope encontrava-se uma mensagem alusiva às operações financeiras no Vaticano.
As autoridades italianas estão a investigar a origem da carta.