quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Cop26 - Biden quer liderança dos EUA no combate à crise climática – Mas aprovou mais explorações fósseis que Trump !


Joe Biden quer impor-se como uma voz importante no combate às alterações climáticas depois da saída de Trump do Acordo de Paris, mas alguns aspectos da sua agenda são ainda mais nocivos para o clima do que as do seu antecessor. O seu grande pacote social também continua preso no Congresso.

Os Estados Unidos voltaram à coligação High Ambition das Nações Unidos, o grupo de países que se comprometeu a garantir que a temperatura média global não vai subir mais do que 1.5ºC — um dos principais objectivos do Acordo de Paris.

Este grupo vai também apelar esta terça-feira a que os governos aumentem os seus esforços para cortar nas emissões de gases com efeito de estufa e também na dependência no carvão para que o objectivo seja alcançado. A nível dos países ricos e também mais poluidores, a coligação quer que se dobrem os financiamentos dados aos países mais pobres para que estes se adaptem às consequências da crise climática. O fim dos subsídios à indústria de combustíveis fósseis também é uma exigência.

O regresso dos EUA enquanto maior economia mundial e segundo maior poluidor à coligação vem dar mais força às tentativas de se focar a Cimeira Climática Cop26 da ONU, que está a reunir mais de 120 líderes mundiais em Glasgow, na Escócia, e é a maior deste género desde a assinatura dos Acordos de Paris em 2015, na limitação do aumento da temperatura, que tem sido um dos pontos mais difíceis nas negociações.

Um responsável norte-americano afirmou que a coligação High Ambition foi “instrumental em Paris na garantia de que essa alta ambição fosse escrita no Acordo de Paris e vai ser instrumental em Glasgow para garantir que se concretiza.

A High Ambition nasceu na preparação para o Acordo de Paris pela mão do chefe para as negociações das Ilhas Marshall, Tony de Brum. Apesar do pequeno tamanho do país da Oceânia, com apenas 60 mil habitantes, o líder teve uma grande influência nas conversas, passando meses a reunir-se com líderes de países desenvolvidos e em desenvolvimento para angariar mais apoiantes da ideia.

As Ilhas Marshall são um dos países que mais tem a perder com as alterações climáticas, com a sua existência ameaçada nos próximos 100 anos devido ao aumento do nível das águas do mar.

“A coligação High Ambition criou o critério para aquilo que tem de acontecer nesta cimeira: entrar no caminho para se limitar o aumento da temperatura até 1.5ºC com acções reais e melhorados, como a descontinuação do uso do carvão, uma adaptação às mudanças no mar, com pelo menos o dobro dos actuais níveis de financiamento para as adaptações e com a garantia de que todos temos os recursos para lidar com esta crise, incluindo com as perdas e danos que já estamos a viver hoje”, afirma Tina Stege, a embaixadora para o clima das Ilhas Marshall e sobrinha de De Brum, que faleceu em 2017, citada pelo The Guardian.

Depois de se saber que apenas um país está a cumprir as metas do Acordo de Paris, há vários receios de que o objectivo do 1.5º não seja cumprido a tempo, apesar de ser um imperativo apoiado pela ciência. Mesmo assim, este objectivo implica um corte nas emissões de pelo menos 45% até 2030, em comparação com os números de 2010. Um aumento da temperatura além deste valor amplificará ainda mais os efeitos das alterações climáticas, com o derretimento dos glaciares e o aumento do nível das águas do mar a inundar completamente países insulares, a maior frequência de fenómenos extremos como incêndios, furações ou inundações e a devastação da biodiversidade.

John Kerry, o embaixador dos EUA para o clima e ex-Secretário de Estado de Obama, afirmou que o objectivo traçado em Paris “baseou-se no trabalho duro da coligação High Ambition e nos pequenos países insulares e em desenvolvimento”. “Eles consideraram que era um imperativo — e graças a Deus que sim. A ciência agora acompanha esse facto, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, a Agência Internacional Energética e outros já deixaram bem claro que é isto que precisamos de alcançar“, afirmou.

“Os Estados Unidos querem liderar através do exemplo”

No discurso na cimeira, Joe Biden tentou voltar a afirmar os EUA como um dos líderes na linha da frente no combate às alterações climáticas, depois da administração Trump ter abandonado o Acordo de Paris há cerca de um ano e promovido teorias negacionistas. A Casa Branca voltou a integrar o compromisso em Fevereiro deste ano.

O presidente norte-americano alertou para “a ameaça existencial para a existência humana como a conhecemos” e apelou a que outros líderes levem a sério a mudança profunda que tem de acontecer na produção de energia, numa Cop26 que tem de agir como “um pontapé de saída para uma década de ambição e inovação para preservar os nosso futuro partilhado”. 
“Vamos encontrar-nos com os olhos da História sobre nós. Vamos fazer o que é necessário? Ou vamos condenar as futuras gerações a sofrer?“, questionou Biden. “Vamos demonstrar ao mundo que os Estados Unidos não estão só de volta à mesa de discussão mas esperemos que a liderar com o poder do nosso exemplo. Sei que esse não tem sido o caso, e é por isso que a minha administração está a trabalhar ainda mais para mostrar o nosso compromisso através de acções e não palavras”, acrescentou, numa alfinetada a Donald Trump.

Ainda antes de chegar a Glasgow, Biden já tinha deixado críticas à política climática — ou, melhor dizendo, à falta dela — do seu antecessor. “Acho que não devia pedir desculpa, mas peço desculpa pelo facto dos Estados Unidos, a última administração, ter saído do Acordo de Paris e ter-nos colocado numa desvantagem”, condenou. A Rússia e a China, outros dois grandes poluidores, também não escaparam à mira de Biden, com o chefe de Estado dos EUA a mostrar-se “desapontado” com a falta de acção dos dois países. Recorde-se que nem Vladimir Putin nem Xi Jinping estão presentes na cimeira.

Na sua mensagem na Cop26, Biden avisou que neste momento “estamos a falhar” e que “não há tempo para indecisões ou discussões entre nós”. “Este é o desafio das nossas vidas colectivas, uma ameaça existencial para a existência humana como a conhecemos e o custo da nossa inacção aumenta a cada dia em que a adiamos”, rematou, lembrando a “responsabilidade esmagadora” dos grandes poluidores, como os EUA, na ajuda a países mais pequenos.

Biden quer também reconstruir a credibilidade verde norte-americana com o anúncio de um plano para controlar a emissão de metano, que a administração considera a forma mais potente de combater a crise climática a curto prazo. Esta terça-feira, o líder dos EUA vai revelar que uma aliança de 90 países, incluindo o Brasil, vai impor novas medidas para cortar as emissões globais de metano em 30% até ao final da década.

O compromisso, conhecido como Global Methane Pledge, inclui dois terços da economia global e metade dos 30 maiores emissores de metano. No entanto, os pesos pesados China, Índia e Rússia não integram o grupo. A intenção da administração da Casa Branca já tinha sido anunciada em Setembro, mas as autoridades americanas continuaram a tentar angariar mais países para a aliança.

Com uma agenda climática empatada dentro do seu próprio partido, Biden pode também respirar de alívio sobre algumas das mudanças nas regulações que a aliança exige, já que não precisam de ser aprovadas pelo Congresso. Os EUA dizem estar a trabalhar com a União Europeia sobre quais os incentivos a dar e as regulações a aplicar.

O foco vai cair sobre as indústrias do petróleo e gás, que são responsáveis por 30% das emissões de metano nos EUA, com a Casa Branca a esperar que 75% de todas as emissões no país sejam afectadas. A regra que regulava a detecção de vazamentos e reparações na indústria petrolífera, que foi revogada por Trump, também vai voltar, e começar a ser aplicada pela primeira vez à produção de gás.

Outro dos trunfos de Joe Biden nesta cimeira é uma declaração conjunta que será adoptada por mais de cem países onde se situam 85% das florestas mundiais, entre as quais a floresta boreal do Canadá, a floresta amazónica ou ainda a floresta tropical da bacia do Congo.

Os líderes mundiais vão comprometer-se a deter a desflorestação até 2030 para combater as alterações climáticas, anunciou o Governo britânico. A iniciativa, que beneficiará de um financiamento público e privado de 19,2 mil milhões de dólares (16,5 mil milhões de euros), é essencial para alcançar o objectivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos valores médios da era pré-industrial, segundo o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

“Esses formidáveis ecossistemas abundantes – essas catedrais da natureza – são os pulmões do nosso planeta”, estão no centro da vida de comunidades ao absorver uma grande parte do carbono libertado na atmosfera, dirá Boris Johnson no seu discurso, de acordo com excertos divulgados pelo seu gabinete. Com o compromisso, que está a ser classificado como “sem precedentes” e que pretende nomeadamente restaurar terras degradadas, combater incêndios e apoiar as comunidades indígenas, os países terão, para o chefe do governo britânico, “a oportunidade de terminar a longa história de uma humanidade conquistadora da natureza tornando-se antes guardiães”.

Entre os signatários do compromisso estão o Brasil e a Rússia, países acusados da aceleração da desflorestação nos seus territórios, bem como os Estados Unidos, a China, a Austrália e a França. Numa das sessões desta terça-feira da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP 26), os dirigentes de mais de 30 instituições financeiras irão também comprometer-se a não investir mais em actividades ligadas à desflorestação, segundo o comunicado de Downing Street. Actualmente, quase um quarto (23%) das emissões mundiais de gases com efeito de estufa provém de actividades como a agricultura e a indústria madeireira.
Biden deu mais autorizações para explorações fósseis em seis meses do que Trump num ano

Mas apesar destes gestos promissores, muitos activistas consideram que estas promessas não chegam. A Greenpeace, por exemplo, refere que o objectivo de 2030 para o compromisso sobre a desflorestação é demasiado distante no tempo e que dá, assim ‘luz verde’ a “mais uma década de desflorestação”. “Os povos indígenas exigem que 80% da floresta amazónica seja protegida até 2025, e eles têm razão, é o que é preciso fazer”, insistiu Carolina Pasquali, responsável da Greenpeace no Brasil.

O problema da destruição de territórios indígenas para a agricultura ou exploração petrolífera não é exclusivo do Brasil. Nos EUA, houve até marchas em Washington no primeiro feriado oficial dedicado aos povos indígenas contra a administração Biden e as promessas quebradas sobre o combate às alterações climáticas e protecções das tribos afectadas.

No seu primeiro dia enquanto presidente, o chefe de Estado rasgou a autorização para o polémico oleoduto Keystone, um enorme projecto de oito mil milhões de dólares que levaria o crude canadiano até às refinarias na costa do Golfo. Mas há outros projectos de exploração petrolífera onde Biden não tem sido tão assertivo.

Um dos principais pontos de origem das críticas é a construção do oleoduto da gigante petrolífera canadiana Enbridge, que teve um reforço de nove mil milhões de dólares no investimento. O oleoduto vai ligar Alberta, no Canadá, ao Wisconsin, nos EUA — um estado onde vivem mais de 80 mil nativos e 11 tribos reconhecidas a nível federal.

Muitos activistas esperavam também que Biden, que fez o combate à emergência climática um dos principais focos da sua campanha eleitoral, revertesse a sua posição nas autorizações para o projecto Linha 3, uma parte do oleoduto da Enbridge, e também para uma outra construção —Dakota Access Pipeline (DAPL) — que levaria petróleo deste a Dakota do Norte até ao sul do país. No entanto, Biden não interveio, deixando as decisões nas mãos dos tribunais.

“A credibilidade climática de Biden está em jogo. Acho que nesta fase, é muito claro que apenas o governo federal pode fazer o que tem de ser feito sobre a Linha 3, DAPL e outros projectos também”, criticou Bill Mckibben, co-fundador do grupo de activistas 350.org, citado pelo Financial Times.

Já em Glasgow, também se ouviram muitas vozes críticas a insurgirem-se contra a administração norte-americana à porta da cimeira, já que o seu pacote de medidas sociais Build Back Better, que inclui a maior parte da sua agenda climática, continua empatado no Congresso. Muitas das medidas mais importantes e significativas também tiveram de cair, devido às exigências do Senador Democrata Joe Manchin, que tem grandes ligações à indústria petrolífera.

Segundo escreve o The Guardian, Manchin já recebeu mais dinheiro em doações da indústria de petróleo e gás do que qualquer outro Senador, tendo conseguido mais do dobro do segundo maior beneficiário. O Senador da Virgínia Ocidental também é o que mais dinheiro recebeu do sector das minas de carvão e dos operadores de oleodutos e tem usado o seu voto favorável como moeda de troca para que muitas das medidas que prejudicam estas indústrias, como o maior investimento nas energias renováveis, caiam.

“Biden está em Glasgow de mãos vazias, com nada mais do que palavras no papel. É humilhante e insuficiente dado o momento em que estamos”, condenou Varshini Prakash, directora do movimento progressista Sunrise, que procura pressionar os líderes políticos a agir perante a crise climática.

Nos primeiros seis meses da administração Biden foram também emitidas mais 2500 autorizações para a exploração de gás e petróleo, numa quebra de uma promessa eleitoral, como revelou o NPR. Trump demorou um ano para chegar a este valor e as acusações de hipocrisia a Biden não tardaram, já que o actual presidente não tem poupado nas críticas ao seu antecessor.

O líder da Rede Ambiental Indígena, Tom Goldtooth, afirmou que está em Glasgow para “denunciar a conferência dos poluidores“. “Não é uma conferência climática — foi apropriada por interesses corporativos. Se nós, pessoas indígenas, não viermos, estamos no menu. Estamos aqui para defender os nossos povos, queremos viver”, declarou.

A activista sueca Greta Thunberg também marcou presença nos protestos à porta da Cop26. “Esta Cop26 até agora é como todas as outras Cops que não nos levaram a lado nenhum. Dentro da Cop ali estão só políticos e pessoas com poder a fingir que levam o nosso futuro a sério“, criticou a fundadora do movimento de greves de estudantes pelo combate às alterações climáticas.

“Estão a fingir que levam a sério a presença de pessoas que ja estão a ser seriamente afectadas hoje pela crise climática. A mudança não vai partir dali de dentro — aquilo não é liderança. Nós dizemos basta de “blá blá blá”. Chega da exploração de pessoas e da natureza do planeta”, rematou a activista de 18 anos.

https://zap.aeiou.pt/cop26-biden-lideranca-eua-crise-climatica-441880


terça-feira, 2 de novembro de 2021

Cinco milhões de mortos por covid-19 - “Uma vergonha global” !


O mundo atingiu esta segunda-feira a marca de 5 milhões de mortes confirmadas por covid-19, menos de dois anos após o início de uma pandemia que devastou países pobres, mas também abateu nações ricas com sistemas de saúde de primeira linha.

Em menos de dois anos, 5 milhões de mortos — algo como metade da população portuguesa. “Uma vergonha global”, considera o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, “uma marca arrasadora que nos recorda que estamos a fracassar em grande parte do mundo”.

Esta segunda-feira, Guterres realçou que enquanto os países ricos avançam para terceiras doses da vacina, apenas cerca de 5% de pessoas em África estão totalmente inoculadas.

Mas apesar da escassa vacinação nos países em desenvolvimento, é nos países mais ricos que se regista maior número de mortes por covid-19.

Juntos, os Estados Unidos, a União Europeia (UE), o Reino Unido e o Brasil – países com rendimento médio-alto ou alto – representam um oitavo da população mundial, mas somam quase metade de todas as mortes oficialmente notificadas.

Os Estados Unidos, sozinhos, registaram mais de 745 mil óbitos — número superior ao de qualquer outra nação, em números absolutos.

Segue-se o Brasil, com mais de 607 mil vidas perdidas. Os dois países juntos somam quase 25% do total de mortes, embora representem menos de 7% da população mundial.

O total de mortes oficialmente notificadas no mundo, calculado pela Universidade Johns Hopkins, nos EUA, é, à hora desta edição, de 5.004.153, com 247.000.948 casos confirmados em todo o mundo.

O número é semelhante ao total de pessoas mortas em batalhas entre nações desde 1950, segundo estimativas do Peace Research Institute Oslo, instituição privada de pesquisa em estudos de paz e conflitos, com sede na Noruega.

A covid-19 é agora a terceira principal causa de morte em todo o mundo, depois das doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.

Apenas a Gripe Espanhola de 1918, que vitimou 50 milhões de pessoas (3% da população mundial) e a SIDA, que levou a vida a 36,3 milhões de pessoas, provocaram mais mortos do que a covid-19.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais de mortes na pandemia devem ser ainda maiores, devido à falta de testes em larga escala e de pessoas que morrem em casa sem atenção médica, especialmente em regiões mais pobres.

Os países em situação mais grave doenças cardíacas e derrame desde que o primeiro caso foi detetado, na cidade de Wuhan, na China, transformando diferentes lugares no mapa mundo em “zonas vermelhas”.

Atualmente, o vírus afeta principalmente a Rússia, a Ucrânia e outros países do Leste Europeu, especialmente onde as teorias da conspiração, a desinformação e a desconfiança no governo têm prejudicado os esforços de vacinação.

Na Ucrânia, apenas 17% da população adulta está completamente vacinada. Na Arménia, apenas 7%.

Entre os continentes, a situação é pior na Europa, cujos óbitos aumentaram 14% na semana passada em relação à semana anterior, e na Ásia, com uma subida de 13%.

Em África, por outro lado, as mortes caíram 21%, apesar do lento ritmo de vacinação. Ao todo, as mortes globais subiram 5% na última semana, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Desigualdade

“O que é singularmente diferente sobre esta pandemia é que ela atingiu com mais força os países com mais recursos“, observou a epidemiologista Wafaa El-Sadr, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. “Essa é a ironia da covid-19“.

Nações mais ricas com expectativas de vida mais longas têm proporções maiores de idosos, de residentes em lares e de sobreviventes de cancro, que são especialmente vulneráveis à doença causada pelo coronavírus, aponta El-Sadr.

Já países mais pobres tendem a ter mais crianças, adolescentes e jovens adultos, que são menos propensos a adoecer gravemente.

Mas o padrão que ressalta em grande escala, ao comparar países, é diferente quando são examinados de perto. Em cada nação desenvolvida, quando as infecções são rastreadas, as regiões e bairros mais pobres são os mais atingidos.

Nos EUA, por exemplo, a covid-19 teve um impacto muito maior nas populações negra e hispânica, que são mais propensas a viver em regiões mais pobres e têm menos acesso a cuidados de saúde.

A economia também desempenhou um papel importante na campanha global de vacinação, com os países ricos a ser acusados de bloquear a distribuição de vacinas.

Enquanto os EUA e outros países desenvolvidos já estão a administrar doses de reforço das vacinas, milhões de pessoas em África não receberam sequer a primeira dose.

África continua a ser a região menos vacinada do mundo, com apenas 5% de sua população de 1,3 mil milhões de pessoas totalmente vacinada.

https://zap.aeiou.pt/em-menos-de-dois-anos-5-milhoes-de-mortos-441867


Qatar 2022 - Inspirado no Médio Oriente, novo estádio não deixa que os jogadores sintam as altas temperaturas !

 

Tem capacidade para 40.000 pessoas e localiza-se no sul de Doha. Este é o sexto estádio a ser inaugurado antes do mundial de 2022, que está programado para o próximo ano no Qatar.

O mundial de futebol de 2022 está cada vez mais perto e o Qatar – país anfitrião do evento – tem realizado múltiplos investimentos em infraestruturas que tenham capacidade para receber as equipas e os adeptos.

Uma das obras realizada foi a construção do estádio Al Thumama, sendo que toda a sua arquitetura foi pensada ao pormenor. O design do estádio foi inspirado no gahfiya, um boné tradicional usado pelos homens em todo o Médio Oriente.

Mas mais importante do que isso: a infraestrutura foi pensada para manter os espetadores e jogadores a uma temperatura confortável, já que o o evento da FIFA se vai realizar num país conhecido pelas temperaturas elevadas.

De acordo com Ibrahim M Jaidah, arquiteto responsável pela grandiosa obra, da mesma forma que o gahfiya protege a cabeça dos homens do sol quente que se faz sentir no Médio Oriente, o estádio também terá capacidade para manter uma boa temperatura ambiente que ajudará os jogadores na sua exibição e tornará o local mais agradável para os visitantes. Isto só será possível com a ajuda de um complexo sistema de refrigeração que conta com jatos de água, ar-condicionado e ventiladores.

“Os jogadores precisam de ar mais fresco – mais do que os espetadores, pois estão a correr”, referiu Saud Abdulaziz Abdul Ghani, responsável pela execução do projeto de refrigeração.

“Em cada local, o nosso desafio foi fornecer a tecnologia e a temperatura adequadas para as diferentes zona do estádio. Na zona dos espetadores, o ar é arrefecido sob os assentos”, explica Ghani. Por outro lado “o facto de o estádio ser todo branco no exterior também ajuda a manter uma boa temperatura”, acrescenta.

O estádio foi construído perto do deserto e embora não haja nada particularmente “sustentável” na construção de infraestruturas nestes locais, o Al Thumama conta com um design ecológico que reduz a pegada de carbono.

Segundo o New Atlas, a água será reutilizada para irrigar a vegetação e as árvores que cobrem a maior parte da área imediata. O estádio é também parcialmente alimentado por um enorme painel solar instalado nas proximidades. Um outro painel alimenta os sistemas de ar condicionado do edifício.

Além das instalações desportivas, o novo estádio possui ainda uma mesquita, um hotel e áreas comerciais.

A preparação para o mundial de 2022 tem sido uma tarefa grandiosa para o país e resultou em projetos notáveis como o Diamond in the Desert e o Estádio Al Wakrah. No entanto, este último projeto também gerou alguma controvérsia, pois houve vários relatos de maus tratos condições aos trabalhadores da obra.

O mundial de 2022 realiza-se no Qatar de 21 de novembro a 18 de dezembro e promete maravilhar os espetadores com os seus estádios. São oito projetos no total.

https://zap.aeiou.pt/qatar-2022-novo-estadio-441439

 

No Japão, os votos de eleitores rurais contam mais ! Sistema injusto ou acertado ?


No Japão, os votos dos eleitores rurais valem mais do que os votos dos eleitores das cidades. Será este um sistema adequado ou injusto? As opiniões dividem-se.

O Partido Liberal Democrata (PLD) é o maior partido do Japão e tem-se mantido regularmente no poder desde a sua fundação, em 1955. Este fenómeno é, em grande parte, explicado pelo facto de que, no Japão, os votos de eleitores provenientes de zonas rurais contam mais do que os dos habitantes de zonas urbanas.

Isto faz com que pequenas aldeias como Chizu — que tem apenas 6.660 habitantes — tenham um número desproporcionalmente grande de lugares no Parlamento e maior probabilidade de ver as suas preocupações atendidas pelos políticos nacionais.

Nas próximas eleições legislativas, espera-se que o PLD consiga obter a maioria, muito graças ao apoio das áreas rurais que recebem uma grande fatia do dinheiro dos contribuintes, escreve o The New York Times. Em Chizu, por exemplo, a ligação entre representação política e acesso aos cofres públicos é inconfundível.

Nem todos concordam com este sistema, considerando-o injusto e contrário aos princípios da democracia. Os críticos dizem que estas disparidades vão contra o princípio democrático de “uma pessoa, um voto”.

“As políticas do Japão são focadas nas áreas rurais”, disse Junichiro Wada, economista político da Universidade de Yokohama. Por sua vez, Yusaku Horiuchi, professor de estudos japoneses na Dartmouth College, diz que os eleitores rurais tendem a eleger políticos — geralmente do PLD — que mantêm o status quo.

Por outro lado, há quem argumente que se o sistema não fosse assim, as áreas rurais japonesas estaria ainda mais deterioradas.

Yuko Kasuya, professora de política na Universidade Keio, em Tóquio, é uma dessas pessoas. “Um contra-argumento seria que, OK, você pode ter uma distribuição muito eficiente e igualitária de subsídios, mas isso significaria que as áreas rurais não teriam estradas, não teriam shoppings e não teriam instalações básicas”.

Em Chizu, as pessoas dão muito valor aos seus direitos de voto. “A população rural tem os seus próprios problemas que a população urbana não entende. Mesmo que a população seja pequena, as nossas vozes devem ser ouvidas”, disse um habitante da aldeia ao NY Times.

“O Japão não deve ser um lugar onde a população continua a diminuir e as pessoas apenas se mudam para Tóquio. Precisamos de maximizar os poderes da agricultura, pesca, silvicultura, turismo, indústrias de serviços e pequenas e médias empresas nesta área”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/japao-votos-sistema-injusto-acertado-441430


Vítima das alterações climáticas, lago turco seca e mata milhares de flamingos !

Lago Tuz, na Turquia
O lago Tuz, no centro da Turquia, acolheu durante séculos colónias de flamingos. No verão, os animais chegavam para procriar, alimentando-se das algas do lago. Este ano, a imagem idílica foi substituída por uma mais desoladora, com flamingos mortos no leito ressequido do lago.

Já não resta uma única gota de água no lago de 1.665 quilómetros quadrados, o segundo maior da Turquia. O Tuz (Salt Lake, em inglês) é vítima de uma seca provocada pelas alterações climáticas e décadas de políticas agrícolas que esgotaram as águas subterrâneas.

De acordo com o The Independent, Tuz não é o único: outros lagos turcos também recuaram, afetados pela baixa precipitação e práticas insustentáveis de irrigação.

Especialistas em Clima advertem que toda a bacia mediterrânica, que inclui a Turquia, está particularmente em risco de seca severa e desertificação.  

Um estudo, conduzido pela Universidade Ege, mostra que os níveis de água no Lago Tuz começaram a baixar a partir do ano 2000. Segundo a Agência Estatal Anadolu, o lago recuou completamente este ano devido ao aumento das temperaturas, evaporação intensificada e chuva insuficiente.

O mesmo estudo indicou ainda um declínio acentuado dos níveis das águas subterrâneas em torno do Lago Tuz, um lago hipersalino que atravessa as províncias turcas de Ankara, Konya e Aksaray.

Os grupos ambientalistas argumentam que as pobres políticas agrícolas governamentais desempenham um papel significativo na deterioração dos lagos turcos.

“Se não lhes pagarem dinheiro suficiente, os agricultores vão plantar o que quer que seja de água intensiva e ganhar dinheiro. E se simplesmente lhes disserem que não é permitido, eles não vão votar nessa pessoa nas próximas eleições”, disse Levent Kurnaz, cientista do Bogazici University’s Center for Climate Change and Policy Studies.

O uso excessivo das águas subterrâneas está também a tornar a região mais suscetível à formação de depressões.

“Continuam a dizer às pessoas que não devem utilizar as águas subterrâneas para esta agricultura e as pessoas não estão a ouvir. Existem cerca de 120 mil poços não licenciados na região, e todos estão a bombear água como se essa água durasse para sempre”, afirmou Kurnaz.

A seca e as mortes de flamingos no Lago Tuz foram apenas um de um conjunto de desastres ecológicos a atingir a Turquia neste verão, em parte devido às alterações climáticas.

https://zap.aeiou.pt/lago-turco-seca-e-mata-flamingos-441402


“A Batalha do Lago Changjin” transforma a dolorosa história da Guerra da Coreia em gloriosa vitória da China !

Na China de hoje, refletir sobre a guerra pode ter consequências graves. Recentemente, o antigo jornalista de investigação Luo Changping foi preso por ridicularizar o filme chinês de propaganda “A Batalha do Lago Changjin”, um drama sobre o Exército Voluntário Popular durante a Guerra da Coreia.

A longa metragem foi lançada no âmbito das comemorações do centésimo aniversário do Partido Comunista da China.

Com um orçamento de produção de 200 milhões de dólares, o filme é realizado pelos premiados cineastas Chen Kaige, Tsui Hark e Dante Lam e protagonizado pelo célebre ator Wu Jing.

O lançamento ocorreu no Dia Nacional da China, e a receita de bilheteria na China Continental ultrapassou 4 mil milhões de yuans (cerca de 520 milhões de euros) em menos de 10 dias.

O filme conta a história do heroísmo altruísta dos soldados voluntários chineses para vencer dramaticamente o exército americano na batalha do Reservatório de Chosin.
A batalha do Reservatório de Chosin

A batalha aconteceu entre 27 de novembro e 13 de dezembro de 1950, um mês depois de o líder chinês, Mao Tsé-Tung, ter lançado oficialmente a China na Guerra da Coreia.

A guerra de três anos entre a Coreia do Norte, apoiada pelos soviéticos, e a Coreia do Sul, apoiada pelas Nações Unidas, começou depois de as forças militares norte-coreanas terem cruzado a fronteira e entrado na Coreia do Sul, em 25 de junho de 1950.

Sob o slogan “resistir aos EUA para apoiar a Coreia”, Mao ordenou o ataque do exército de libertação chinês às tropas das Nações Unidas, compostas principalmente por forças dos EUA, para impedir a unificação da Coreia sob forças capitalistas.

Para evitar declarar guerra contra a ONU e os EUA, as tropas chinesas foram nomeadas “Exército Voluntário Popular”. Cerca de 3 milhões de civis chineses e pessoal militar serviram na Guerra da Coreia.

Durante a guerra, 120.000 soldados chineses do 9º Exército Voluntário Popular foram enviados para o campo de batalha na Coreia do Norte, a meio do inverno, para atacar 30.000 soldados das Nações Unidas no Reservatório Chosin.

O exército voluntário chinês estava tão pouco equipado que dezenas de milhares de soldados morreram congelados, quando as temperaturas no Reservatório Chosin chegaram aos 30°C negativos.

Segundo relatórios oficiais chineses, o exército teve 48.156 baixas durante o combate, com quase 29.000 mortes não vinculadas à batalha.

Quanto às tropas da ONU, foram registadas 17.843 vidas perdidas, sendo 7.338 mortes devido ao tempo brutalmente frio.

Contudo, as tropas das Nações Unidas conseguiram bater em retirada e evacuar 98.100 refugiados e civis que queriam escapar a um regime militar apoiado pelos soviéticos no nordeste da Coreia do Norte, numa região cercada pelo Exército Popular da Coreia.
Controvérsia e crítica

A escolha da batalha como filme de propaganda patriótico é controversa, porque a Guerra da Coreia foi um período muito doloroso para China e Coreia.

Estima-se que a Coreia do Norte e a China tenham perdido, cada uma, entre 200.000 e 400.00 soldados, enquanto o exército sul-coreano perdeu 162.394.

O exército norte-americano perdeu 36.574 vidas na Guerra da Coreia, e as forças aéreas da União Soviética perderam 335 aviões e 299 vidas.

A intervenção chinesa na Guerra da Coreia foi altamente controversa até há pouco tempo, porque a guerra causou enormes perdas de ambos os lados. Mais de três milhões de civis coreanos morreram na guerra.

Segundo o analista chinês Adam Ni, radicado na Alemanha, a batalha do Reservatório de Chosin foi considerada pelo próprio 9º Exército Voluntário Popular uma “falha com um custo massivo”.

“Mesmo antes do fim da batalha, já havia no Centro do Partido um documento intitulado ‘Autocrítica do 9º Grupo Militar sobre a batalha na frente leste‘, declarando-a um fracasso de alto custo. Hoje, esse fracasso é celebrado“, escreve Adan Ni.

No entanto, na China de hoje, refletir sobre a guerra pode ter consequências graves. O antigo jornalista de investigação Luo Changping foi preso por “infringir a reputação e honra dos mártires nacionais” depois de ter escrito um comentário nas redes sociais chinesas.

“Depois de meio século, as pessoas neste país pouco refletem sobre a causa dessa guerra. A situação é como a das tropas congeladas da altura, elas não questionaram a ‘grave decisão’ vinda de cima”, opinou Changping.

Apesar de a maior parte dos comentários negativos sobre o filme e críticas sobre a intervenção da China na Guerra da Coreia serem silenciados e censurados, a mensagem de Luo espalhou-se pelas redes sociais.

Propaganda concertada

Recentemente, o internauta @fangshimin partilhou duas interpretações ditas “pessoais” de bloggers chinesas sobre o filme, para mostrar o esforço de propaganda das autoridades em defender um patriotismo “a sangue quente” e o desejo de lutar pelo país.

“Aqui vai o roteiro de propaganda de Batalha do Lago Changjing“, diz o utilizador.

É comum ver bloggers pró-governo chinês a partilhar os pontos de vista das autoridades. Um exemplo notável foi a enxurrada de vídeos sobre a vida dos uigures em Xinjiang.

Jornalistas de investigação apontaram na altura que a chamada “experiência partilhada por mais de mil uigures” parecia tirada de uma cartilha comum, o que sugeria que os vídeos eram parte de uma campanha coordenada de influência.

@fangshimin acredita que as bloggers usaram a mesma tática para discutir o filme patriótico. Ambas diziam que tinham um avô que tinha lutado na Batalha do Reservatório de Chosin e que a história mostra que é necessário suprimir a masculinidade efeminada e a cultura de fãs.

O governo chinês anunciou recentemente que vai apertar as regras aplicáveis aos programas televisivos, e lançou uma campanha de comunicação para abolir os “homens efeminados” e a cultura de fãs.

O filme criou também um debate sobre as batalhas à volta da edição chinesa da Wikipédia.

William Long, conhecido blogger de tecnologia, notou que alguns utilizadores da Wikipédia estão continuamente a tentar editar a nota original sobre o termo chinês Batalha do Reservatório de Chosin, para sugerir que a China teve uma “vitória decisiva” no confronto.

O repórter do New York Times Evan Hill, realça entretanto que no exterior da China o espaço para expressão crítica sobre a história do país está também a encolher.

Segundo Hill, Hollywood tem embarcado alegremente numa auto-censura à sua produção artística — em nome dos lucros no mercado chinês.

“É muito engraçado que o cinema ocidental não produza nada sobre o nacionalismo anti-China. A indústria de Hollywood quer desesperadamente dinheiro, e entretanto o filme mais popular do mundo vai ser sobre soldados chineses a derrotar soldados americanos na Guerra da Coreia.”

https://zap.aeiou.pt/a-batalha-do-lago-changjin-transforma-a-dolorosa-historia-da-guerra-da-coreia-em-gloriosa-vitoria-da-china-441830


COP26 - Guterres declara que é tempo de dizer “chega” !


O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou hoje aos líderes mundiais para salvarem a humanidade das alterações climáticas, alertando que se está “a cavar a nossa própria sepultura” e que é tempo de dizer “basta”.

“É hora de dizer basta. Basta de brutalizar a biodiversidade, basta de matarmo-nos a nós mesmos com carbono, basta de tratar a natureza como uma latrina (…) e de cavar a nossa própria sepultura”, afirmou o dirigente português, perante dezenas de chefes de Estado e de governo presentes na cerimónia de abertura da Cimeira de Líderes Mundiais da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP26), que decorre hoje e na terça-feira em Glasgow, na Escócia.

Face à continuação da exploração dos recursos do planeta além do limite suportável, o secretário-geral da ONU pediu a alternativa de “salvar o futuro e salvar a humanidade” e “manter vivo o objetivo” do aumento da temperatura de 1,5 graus e de redução das emissões em 45%, embora, avisou, ainda se esteja longe disso.

António Guterres pediu o fim do “vício em combustíveis fósseis, que está a levar” o clima “ao limite”, e que, apesar de recentes anúncios até podem dar a impressão de que a humanidade “está a dar a volta por cima”, “isso é uma ilusão”, apontando que, na verdade, o planeta deverá aquecer 2,7 graus até ao fim do século.

“Embora as promessas recentes sejam reais e verosímeis e haja sérias dúvidas sobre algumas delas, ainda estamos a caminho de uma catástrofe. No melhor cenário, as temperaturas subirão bem acima de dois graus”, acrescentou.

Guterres afirmou também que há um “défice de credibilidade e um superávite de confusão sobre redução de emissões, com metas e métricas diferentes”.

“Por isso, além dos mecanismos estabelecidos no Acordo de Paris, hoje anúncio que irei constituir um grupo de especialistas para propor padrões claros para medir e analisar os compromissos de emissão zero de atores não estatais”, disse o secretário-geral da ONU.

Mais de 120 líderes políticos e milhares de especialistas, ativistas e decisores públicos reúnem-se até 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia, na 26.ª Conferência das Nações Unidas Sobre Alterações Climáticas (COP26) para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

https://zap.aeiou.pt/cop26-guterres-declara-que-e-tempo-de-dizer-chega-441821


segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Criptomoeda Shiba Inu vale uma fração de cêntimo, mas já cria multimilionários !

Há uma nova criptomoeda a tomar de assalto o mercado de moedas digitais: Shiba Inu. Embora 1 SHIB seja vendido apenas a 0,00007049 dólares, o mercado de Shiba está avaliado em 38 mil milhões de dólares.

Embora a Bitcoin e a Ethereum sejam as moedas digitais mais conhecidas, há centenas de outras criptomoedas. Num mercado altamente volátil, o seu valor aumenta e diminui do dia para a noite. No caso da Shiba Inu (SHIB), a ascensão foi meteórica.

O mercado de Shiba vale agora cerca de 38 mil milhões de dólares, de acordo com o portal CoinMarketCap, com 1 SHIB a ser vendido por cerca de 0,00007049 dólares.

Um investidor sortudo tornou-se multimilionário graças a esta criptomoeda emergente. Uma carteira virtual, que entretanto tornou-se viral no Twitter, comprou o equivalente a 8 mil dólares em SHIB desde agosto do ano passado e não mexeu no seu investimento durante mais de 200 dias, relata a VICE. Agora, as 70 biliões de moedas têm um valor que oscila entre 5 e 6 mil milhões de dólares.

Com cerca de 549 biliões de tokens em circulação, a carteira digital partilhada nas redes sociais detém sensivelmente 12% de todas as SHIB em circulação no mercado atualmente. Este valor é monstruoso se pensarmos que o inventor da Bitcoin, Satoshi Nakamoto, detém 1 milhão de Bitcoins, uma imensidão que representa apenas 5% de todas as tokens em circulação.

No entanto, ser multimilionário no papel e realmente ter esse dinheiro são duas coisas bem diferentes.

Se o portador da carteira decidisse descarregar todos os 70 biliões de moedas de uma vez só usando a Uniswap, poderia ter um custo altíssimo. A interface do site revela que para trocar tanto Shiba por USDC, uma moeda estável digital que está associada ao dólar, primeiro teria uma taxa de cerca de 3 milhões, dado o tamanho da transação.

Depois, a Uniswap estima que a negociação resultaria num impacto de preço chocante de 99%, deixando o vendedor de SHIB com cerca de 5 milhões de dólares em USDC.

Elon Musk até foi provocado pelos próprios criadores da Shiba Inu através do Twitter, que perguntaram quantas tokens de SHIB é que ele tinha. “Nenhuma”, respondeu sem grandes rodeios o fundador da Tesla.

https://zap.aeiou.pt/shiba-vale-fracao-centimo-cria-milionarios-441399


 

Os últimos sete anos foram provavelmente os mais quentes já registados !


Os sete anos entre 2015 e 2021 foram provavelmente os mais quentes já registados, anunciou este domingo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), num relatório que alerta que o clima está a entrar em “território desconhecido”.

Este relatório anual sobre o estado do clima “tem por base os dados científicos mais recentes que mostram que o planeta está a mudar diante dos nossos olhos”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, citado no texto.

“Das profundezas dos oceanos ao topo das montanhas, da fusão dos glaciares aos incessantes eventos climáticos extremos, ecossistemas e comunidades em todo o mundo estão a ser destruídos“, acrescenta o relatório.

O texto, elaborado a partir de observações no solo e de satélites de serviços meteorológicos de todo o mundo, foi divulgado no início da Conferência sobre as Mudanças Climáticas da ONU, COP26, este domingo.

A cidade escocesa de Glasgow acolhe a conferência, na qual a comunidade internacional deverá intensificar a luta para limitar o aquecimento global e mantê-lo, idealmente, num máximo de +1,5ºC por ano.

A COP26 “deve ser um ponto de inflexão para as pessoas e para o planeta”, defendeu Guterres.

O relatório é baseado nos registos históricos das temperaturas no planeta e, em particular, usa o período de 1850 a 1910, que os especialistas climáticos da ONU (IPCC) usam como base para comparar com os dias de hoje.

A humanidade está a emitir atualmente muito mais do que o dobro das emissões de gases de efeito estufa em comparação com a referida época.

No entanto, estes registos históricos não levam em consideração fenómenos meteorológicos anteriores, que são registados graças à paleontologia climática.
Tom alarmante

O tom do relatório da OMM é alarmante, relacionando secas, incêndios florestais e grandes inundações em diferentes regiões do planeta com a atividade humana.

“O ano de 2021 é menos quente do que os últimos anos devido à influência de um episódio moderado de La Niña ocorrido no início do ano. O La Niña tem um efeito de arrefecimento temporário sobre a temperatura média global e afeta as condições meteorológicas e climáticas. A marca do La Niña foi claramente observada no Pacífico tropical“, realça o texto.

No entanto, a temperatura média dos últimos 20 anos ultrapassou a barreira simbólica de +1°C pela primeira vez.

“As persistentes precipitações superiores à média registadas durante o primeiro semestre do ano em algumas partes do norte da América do Sul, especialmente no norte da Bacia do Amazonas, ocasionaram inundações graves e de longa duração na região“, acrescenta o texto.

E, ao mesmo tempo, “pelo segundo ano consecutivo, ocorreram grandes secas que devastaram grande parte da região subtropical da América do Sul. As precipitações ficaram abaixo da média na maior parte do sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e norte da Argentina”.

Os especialistas reconhecem que usaram um sistema de “atribuição rápida”, ou seja, o estudo de eventos naturais extremos logo após sua ocorrência, para determinar até que ponto eles são responsabilidade da atividade humana.

“O IPCC observou que houve um aumento de chuvas fortes no Leste Asiático, mas há um baixo nível de confiança em relação à influência humana”, reconhece o texto.

https://zap.aeiou.pt/os-ultimos-sete-anos-foram-provavelmente-os-mais-quentes-ja-registados-441752


Jornalistas agredidos em Roma por seguranças de Bolsonaro !


Homens que faziam a segurança do presidente brasileiro na capital italiana deram murros e empurraram repórteres. Segundo a Globo, a “retórica beligerante” de Bolsonaro contra os jornalistas “está na raiz desse tipo de ataque”.

Jornalistas brasileiros que acompanham a visita de Jair Bolsonaro a Roma foram hostilizados pelo presidente e agredidos na noite deste domingo por homens que faziam a segurança do chefe de Estado brasileiro durante uma caminhada no centro da capital italiana.

As agressões foram dirigidas a jornalistas da Globo, Folha e UOL, relata a Deutsche Welle.

O primeiro incidente envolveu a jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, do jornal Folha de S.Paulo, que relatou ter sido empurrada por um segurança enquanto aguardava em frente à embaixada brasileira na capital italiana, onde Bolsonaro está alojado.

Pouco depois, Bolsonaro deixou o prédio e fez uma caminhada improvisada para se encontrar com algumas dezenas de apoiantes que se concentravam em frente à embaixada, tendo-se então gerado um tumulto no local.

Nesse momento, os jornalistas aproximaram-se para tentar colocar perguntas, tendo sido afastados de forma violenta do presidente brasileiro. O correspondente da Globo, Leonardo Monteiro, perguntou a Bolsonaro por que motivo não compareceu aos eventos do G20 na manhã deste domingo.

“É a Globo? Você não tem vergonha na cara….”, disse Bolsonaro. Seguidamente, o jornalista levou um murro no estômago de um segurança e foi empurrado com violência.

O jornalista Jamil Chade, do portal UOL, começou a filmar a violência contra os jornalistas, tendo então sido empurrado por um segurança — que lhe agarrou e torceu o braço, tirando-lhe o telemóvel Seguidamente, o segurança atirou o aparelho ao chão, relatou o jornalista.

Chade também perguntou a Bolsonaro por que motivo não estará presente na Cimeirs do Clima COP26, em Glasgow, ao que o presidente respondeu que “não te devo satisfação”.

Pouco antes do início dos tumultos, uma assistente da Globo que aguardava para gravar imagens do presidente foi intimidada, tendo sido alvo de gritos de “infiltrada” por apoiantes do presidente.

O presidente brasileiro encontrava-se em Roma para participar na cimeira do G20. Ao contrário de outros líderes, a agenda de Bolsonaro tem sido pouco preenchida, e o chefe de estado brasileiro tem gastado boa parte do tempo em passeios e encontros com apoiantes. Este foi o terceiro passeio de Bolsonaro nas ruas da capital italiana em três dias.

Segundo os relatos dos jornalistas, não é claro se os responsáveis pelas agressões eram agentes da polícia ou seguranças particulares.

Este não é o primeiro incidente envolvendo agressões físicas e verbais a jornalistas que desagradam a Bolsonaro.

Em janeiro, um relatório divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) brasileiros anotou que Bolsonaro protagonizou 175 ataques contra a imprensa em 2020.

Em maio, em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente mandou um jornalista da Folha “calar a boca”. Em agosto do mesmo ano, disse a um jornalista que tinha “vontade de encher tua boca com porrada, tá? Seu safado”.

Também são comuns agressões físicas e verbais por parte de apoiantes do presidente, que muitas vezes estimula os ataques.

Em julho deste ano, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) incluiu Bolsonaro numa lista de 37 líderes de todo o mundo que a organização considera “predadores da liberdade de imprensa“.

A lista inclui ainda os chefes de Estado da Síria, Bashar al-Assad, e da China, Xi Jinping.

https://zap.aeiou.pt/jornalistas-agredidos-em-roma-por-segurancas-de-bolsonaro-441773


Misterioso líder supremo dos Taliban apareceu em público pela primeira vez !


Alguns davam-no como morto, outros diziam que estava escondido no Paquistão ou a viver no subsolo em Kandahar. O misterioso líder supremo dos Taliban, mulá Hibatullah Akhundzada, apareceu em público pela primeira vez desde a sua nomeação, em 2016, anunciou o governo afegão este domingo.

“O comandante dos crentes, o xeque Hibatullah Akhundzada, apareceu diante de uma grande congregação na famosa madraça Darul Uloom Hakimah e falou durante 10 minutos com os seus bravos soldados e discípulos”, disse o governo dos Taliban numa mensagem que acompanha um registo de áudio.

No áudio publicado nas redes sociais dos Taliban, Akhundzada recita orações e bênçãos. De acordo com uma fonte local, o líder supremo dos Taliban chegou à escola corânica em Kandahar acompanhado por um comboio de dois veículos.

No seu discurso, Akhundzada não fez comentários políticos e pediu a bênção de Deus sobre a liderança dos Taliban.

O evento em Kandahar foi realizado sob fortes medidas de segurança e a divulgação de fotos ou vídeos não foi permitida, embora a imprensa Taliban tenha compartilhado o áudio de 10 minutos.

No áudio divulgado, Akhundzada ora também pelos mártires do movimento, pelos combatentes feridos e pelo sucesso dos funcionários do Emirado Islâmico neste “grande teste”.

“Que Deus recompense o povo do Afeganistão que lutou contra os infiéis e a opressão durante 20 anos”, declarou o líder religioso em seu discurso.

Após uma rápida campanha militar, acelerada pelo anúncio da retirada das tropas dos Estados Unidos do país, os Talibans voltaram ao poder em agosto passado.

Com exceção de raras mensagens anuais para marcar feriados islâmicos, o líder dos Taliban mantém a maior discrição possível sobre sua vida.

Até a retirada das forças americanas do Afeganistão em agosto, ninguém sabia onde se encontrava ou sequer se estava vivo. Uma única fotografia, com barba e turbante, foi distribuída pelos Taliban.

Akhundzada foi nomeado líder dos Taliban numa rápida transição de comando depois de um ataque de drone dos EUA ter matada o seu antecessor, o mulá Akhtar Mansour, em 2016.

Até então, Akhundzada era uma figura relativamente desconhecida e participava mais em assuntos religiosos e jurídicos do que de manobras militares.

Depois da nomeação como líder doa Taliban, Akhundzada obteve rapidamente a lealdade do egípcio Ayman al-Zawahiri, o líder da Al-Qaeda, que o nomeou “emir dos crentes”, reforçando a sua credibilidade no universo jihadista e sunita.

No seu papel como líder supremo, Akhundzada é responsável por manter a união dentro dos Taliban, uma missão complexa devido às lutas internas que fragmentam o movimento islâmico radical.

Os Taliban anunciaram em setembro passado que o seu líder supremo vivia em Kandahar “desde o início” do regresso ao poder e que iria “aparecer em público em breve “.

“Temos reuniões regulares com ele sobre o controlo da situação no Afeganistão e como administrar o nosso governo”, garantiu na quarta-feira o governador de Kandahar, mulá Yusef Wafa.

“Ele dá conselhos a todos os líderes do Emirado Islâmico do Afeganistão e seguimos as suas regras, os seus conselhos, e se temos um governo que progride, é graças a ele“, acrescentou.

Segundo observou um jornalista da AFP, realiza-se anualmente num lugar secreto de Kandahar um “seminário” de altos funcionários dos Taliban.

https://zap.aeiou.pt/lider-supremo-taliban-primeira-aparicao-441747


Crianças afegãs traumatizadas sofrem num abrigo que não está apto para cuidar delas !


Há crianças afegãs refugiadas nos Estados Unidos que estão traumatizadas e já se magoaram a si e a outros menores num abrigo em Chicago.

Em Chicago, nos Estados Unidos, um abrigo recebeu várias crianças afegãs que fugiram do país após os talibãs terem assumido controlo. A ProPublica escreve que algumas destas crianças magoaram-se a si mesmas ou a outras pessoas. Outras até ameaçaram algum do pessoal que trabalha no abrigo. Há ainda alguns casos de menores que tentaram escapar ou disseram que queriam morrer.

O cenário dentro do abrigo é retratado por três funcionários e outras pessoas que têm conhecimentos das condições vividas lá dentro. A ProPublica também obteve documentos internos e relatórios da polícia que corroboraram algumas das situações descritas.

Os funcionários da organização sem fins lucrativos Heartland Alliance dizem que o abrigo não tem condições para receber as cerca de 40 crianças e jovens afegãos. Muitos deles, contam, têm problemas psicológicos e estão traumatizadas. As barreiras linguísticas e culturais só agravam a situação, nunca antes vivida por estes trabalhadores, assumem os próprios.

“Não sabemos se estão a dizer que vão se magoar até finalmente conseguirmos um tradutor na linha”, disse um trabalhador do abrigo.

“Eles podem estar a dizer-nos algo… Tentamos adivinhar. Tentamos comunicar com dicas, linguagem gestual, fazendo movimentos como se estivéssemos com fome ou precisássemos disto ou daquilo”, explicou ainda um membro do staff.

Há quatro abrigos da Heartland em Chicago que têm um total de 79 crianças afegãs, mas o de Bronzeville é onde estão a ser relatados os problemas. Um número representativo, tendo em conta que o governo norte-americano recebeu um total de 186 crianças e jovens.

“Estes jovens afegãos estão a enfrentar fardos de trauma muito altos e problemas de saúde mental por terem vivido num país devastado pela guerra, exacerbado pela sua chegada caótica e não tradicional sozinhas a um país estrangeiro”, disse a Heartland em comunicado. “Algo tão simples como um telefonema para casa é altamente emocional… E se os meus pais não responderem? Estarão mortos? Ausentes? Voltarei a vê-los? E se os talibãs me encontrarem aqui?”. São perguntas como estas que passam pela cabeças das crianças deste — e de outros — abrigos.

Embora os trabalhadores entendam que fatores fora do controlo da Heartland são os principais culpados pelos problemas, mostram-se insatisfeitos com a resposta da própria organização e do Office of Refugee Resettlement, o órgão federal que gere o restabelecimento de refugiados nos Estados Unidos.

Funcionários da Heartland dizem que fornecem “cuidados residenciais seguros e acolhedores 24 horas por dia, sete dias por semana, que incluem alimentação, roupa, abrigo, escola e cuidados médicos básicos”.

No Michigan, a resposta ao problema tem sido diferente. Lá, a Starr Commonwealth tem um intérprete em cada chalé que fala afegão, persa afegão ou ambos.

https://zap.aeiou.pt/criancas-afegas-traumatizadas-sofrem-num-abrigo-que-nao-esta-apto-para-cuidar-delas-441087


Adeus, insónias - Sleeping Bus Tour é a primeira excursão para quem quer dormir no autocarro !

Um homem no interior de um veículo a dormir
O Sleeping Bus Tour foi especialmente concebido para ajudar os passageiros a adormecer. Os turistas com saudades de viajar ou privação de sono são os alvos da iniciativa.

Em circunstâncias normais, adormecer durante uma viagem paga é um desperdício de dinheiro. Por mais estranho que pareça, o Sleeping Bus Tour nasceu com esse mesmo propósito.

“Quando estávamos a fazer um brainstorming sobre novas escursões, vi uma publicação de um amigo meu nas redes sociais que dizia que estava stressado com o trabalho, que não conseguia dormir à noite”, contou Kenneth Kong, diretor de marketing e desenvolvimento de negócios da Ulu Travel, a empresa por detrás deste novo conceito.

O que mais o intrigou foi o facto de saber que o amigo adormecia rápido e dormia tranquilamente quando viajava de autocarro. “Aquele post inspirou-nos a criar esta viagem que permite aos passageiros dormir no autocarro”, disse, em declarações à Associated Press.

A viagem de autocarro tem uma duração de cinco horas e leva os passageiros num itinerário de 83 quilómetros a bordo de um autocarro normal de dois andares.

O Sleeping Bus Tour não só é a primeira iniciativa deste género, como também a rota de autocarro mais longa de Hong Kong.

Segundo o Travel and Leisure, a experiência começa num restaurante, onde é servido um “menu ocidental de 2 pratos”, ou o que a empresa descreve como um “Food Coma Lunch”.

Depois de acomodados no autocarro, dá-se início à viagem, que inclui algumas paragens para fotografias e pausas para os passageiros irem casa de banho.

Os bilhetes para o Sleeping Bus Tour estão divididos em quatro categorias, desde o “Zero-decibel Sleeping Cabin” até à “VIP Panorama Cabin”. Os preços variam entre 15 e 100 euros por pessoa.

https://zap.aeiou.pt/adeus-insonias-sleeping-bus-tour-441142


domingo, 31 de outubro de 2021

Cobrar mais impostos aos milionários gera sentimentos paradoxais - E a ciência tratou de descobrir porquê


Um conjunto de estudos na área da psicologia chegou à conclusão que as pessoas tendem a ter mais simpatia com os milionários e respetivos privilégios quando estes se apresentam individualmente. Contrariamente, o “grupo” dos mais ricos revolta e sentimentos de injustiça junto cidadão comum.

Um conjunto de estudos na área da psicologia descobriu que a maioria das pessoas concorda com a ideia que, como grupo, os milionários devem pagar impostos correspondentes à dimensão da sua riqueza, mas considera que, enquanto pessoas individuais, estes deviam ser capazes de manter os valores, por muito altos que sejam. Trata-se de um paradoxo, que os cientistas acreditam estar relacionado com o que outras pesquisas anteriores na área da psicologia já evidenciavam: é mais fácil para o ser humano rever-se numa pessoa de forma isolada do que num grupo de indivíduos.

As conclusões da pesquisa dizem que as pessoas não têm tantos problemas com a desigualdade da distribuição da riqueza quando esta é enquadrada em termos mais pessoais, mesmo que o processo para lá chegar por uma empresa, por exemplo, seja semelhante. Pelo contrário, as pessoas tendem a achar que um milionário merece mais o seu dinheiro e são menos prováveis de apoiar a redistribuição de dinheiro. Às vezes, escreve a Science Alert, quando a discussão parte de um âmbito mais abrangente para um exemplo mais específico, as pessoas também tendem até a defender a ideia que se deve pagar mais aos milionários. Por outras palavras, os indivíduos parecem mais tolerantes com as pessoas que fazem parte do sistema do que com o sistema em si.

“Quando há um grupo de pessoas no topo, nós achamos que é injusto e pensamos quanta sorte ou quanto do sistema económico é que contribuiu para o processo que esteve na origem daquela riqueza”, explicou Jesse Walker, estudante na área do comportamento do consumidor na Universidade do estado do Ohio. “Mas quando olhamos para uma pessoa no topo, tendemos a pensar que ela é talentosa e trabalhadora, pelo que é mais merecedora de todo o dinheiro que fez.

Investigações científicas anteriores também mostraram que as pessoas tendem a atribuir mais os sucessos e fracassos de um indivíduo aos seus traços internos ou aspirações do que os resultados que têm origem na atividade de um conjunto de pessoas. Como tal, uma pessoa que consiga incluir-se no grupo de pessoas mais ricas do mundo será, mais provavelmente, considerada mais trabalhadora e mais talentosa do que o grupo como um todo. Esta tendência já está, provavelmente, refletida nos resultados deste estudo, assim como o que os especialistas chamam de “streaking star effect” (efeito da estrela às riscas, numa tradução literal para português), segundo o qual as pessoas se sentem mais inspiradas pelo sucesso de um indivíduo do que pelo sucesso de um grupo.

As conclusões apresentadas surgem de oito estudos diferentes, com um máximo de 600 participantes. O primeiro incluiu mais de 200 respondentes, a quem foi pedido que sugerissem uma remuneração adequada para os CEO’s. A metade dos participantes foi mostrada informações sobre os salários dos CEO’s das 350 maiores empresas dos Estados Unidos e como é que estes evoluíram — em média 372 vezes mais — face ao salário médio de um subordinado. A outra metade apenasleu sobre uma empresa específica, cujo salário do CEO cresceu de igual forma no mesmo período de tempo.

Entre os integrantes do primeiro grupo, todos concordaram que a maioria dos CEO’s nos Estados Unidos da América recebia demasiado dinheiro, sobretudo quando se comparava a quantia com a recebida pelo trabalhador médio. Pelo contrário, os integrantes do segundo grupo acharam que o CEO da empresa sobre a qual leram devia receber ainda mais, mesmo quando confrontados com os salários dos restantes trabalhadores.

Como tal, os cientistas responsáveis pelos estudos sugerem que a maneira como falamos sobre os milionários de forma individual, comparativamente com a forma como falamos sobre os milionários enquanto grupo, tem impacto no nosso discernimento relativamente aos impostos que são cobrados aos milionários, nomeadamente os impostos progressivos.

De forma a explorar esta premissa, um segundo estudo foi levado a cabo, tendo contado com a participação de 400 participantes. A estes, foi mostrada a capa da revista Forbes. Metade dos inquiridos viram um grupo de milionários na imagem (nenhum deles especialmente conhecido) e a outra metade viu apenas um milionário — apesar de todos terem tido acesso a uma pequena descrição biográfica dos indivíduos que estavam a ver. Posteriormente, foi pedido aos participantes que fizessem, por escrito, uma pequena reflexão sobre os milionários e respetivas riquezas.

Mais uma vez, os resultados reproduziram-se: os participantes consideram que a riqueza individual é mais justa e merecida do que a do grupo de 1% dos mais ricos do mundo. “As pessoas no nosso estudo ficavam claramente mais chateadas pela riqueza dos sete indivíduos juntos na fotografia da capa do que por aqueles que apareciam individualmente”, resumiu Jesse Walker. Ainda mais revelador é o facto de os participantes que viram a capa com os sete milionários apoiarem mais aplicação de impostos progressivos à riqueza face aos que viram a capa apenas com um único indivíduo.

Esta tendência também sugere que a forma como se apresenta a problemática da distribuição desigual da riqueza influência o pensamento das pessoas no que concerne a maneiras de a solucionar. Para comprovar também esta premissa, os investigadores avançaram para um terceiro estudo.

Neste caso, foi apresentado aos participantes o história de um ator de Bollywood, nascido no seio de uma família famosa com ligações à indústria cinematográfica. Metade dos inquiridos tiveram conhecimento do percurso da família, ao passo que a outra metade permaneceu “às escuras” sobre esta matéria. Uma das conclusões a que os investigadores chegaram foi a de que apenas os participantes que conheciam o contexto da ascensão do ator apoiavam que lhe fossem cobrados impostos mais altos.

“Se queres mudar o sistema, é preciso levar a que as pessoas pensem de maneira sistémica”, explicou o psicólogo Thomas Gilovich, da Cornell University, à Science Alert. No entanto, isto nem sempre é possível, sobretudo num ambiente jornalístico em que a história de um indivíduo é, regra geral, centro de atenção mediática e da discussão. Na realidade, os artigos tendem a priorizar a história de um indivíduo mesmo quando o assunto que se quer retratar é um coletivo. Como tal, a abordagem pode ajudar a moldar a opinião dos indivíduos e impedir que se avancem com políticas destinadas a diminuir as desigualdades económicas.

Os autores dos estudos argumentam que é por este motivo que termos como “os 1%” ou os “super ricos” — utilizados muito na sociedade norte-americana — conseguem originar contestações tão acesas. De facto, a centralização de protagonistas leva as pessoas a refletir mais sobre as vantagens, as quais alguns consideram injustas, do sistema. “Quando se se pensa nos “ricos” ou no “1%”, a mente viaja para atribuições situacionais muito mais rapidamente”, explica Gilovich. “Pensamos no sistema a ser manipulado, nos privilégios que os ricos têm, e por isso estamos muito mais dispostos a apoiar, por exemplo, um imposto progressivo para lidar com a crescente desigualdade de rendimentos”.

https://zap.aeiou.pt/cobrar-mais-impostos-milionarios-sentimentos-paradoxais-440288


RÚSSIA E UCRÂNIA A UM PASSO DO CAOS !!!


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Israel realiza ataques na Síria a luz do dia !


A mídia estatal síria noticia que mísseis solo-solo foram disparados de Israel na manhã de sábado, 31 de outubro, em direção aos subúrbios da capital, Damasco. Nenhum detalhe foi oferecido, exceto para alegar que alguns dos mísseis foram abatidos pelas defesas aéreas da Síria e feriram dois soldados sírios.

O DEBKAfile acrescenta que a principal rodovia da Síria ao Líbano foi alvo, assim como as bases do Hezbollah na área de Dimas a oeste da capital síria, para restringir as entregas de armas iranianas ao Hezbollah. Este último ataque foi incomum, pois usou mísseis terra-terra precisos em prol de um alto grau de precisão no ataque a alvos iranianos e pró-iranianos.

Essa ação ocorreu após a conversa do primeiro-ministro Naftali Bennett em Sochi com o presidente Vladimir Putin em 22 de outubro. O líder russo informou a Israel que Moscou não toleraria mais ataques aéreos capazes de desestabilizar o regime de Assad. Ele também pediu a Israel que avisasse com antecedência sobre os próximos ataques contra alvos iranianos na Síria em um estágio anterior ao atual.
Uma consequência provável dessa conversa foi o recurso da IDF a mísseis de superfície extra-precisos para conter a presença militar iraniana na Síria, em vez de ataques aéreos noturnos de rotina .

https://www.debka.com

Manuscritos recém-descobertos de antigo escritor antissemita abrem batalha legal em França !

Os manuscritos de Louis-Ferdinand Céline.
Jean-Pierre Thibaudat, antigo escritor de cultura de um jornal francês, revelou um conjunto de manuscritos do tão aclamado quanto polémico escritor Louis-Ferdinand Céline.

A sua magnum opus é “Viagem ao Fim da Noite”, embora também seja conhecido pela obra “Morte a Crédito”. No entanto, o autor francês tem um lado negro: escreveu três panfletos que revelam uma identidade abertamente antissemita, facto que lhe terá valido a famosa acusação por parte de Jean-Paul Sartre de ter colaborado com os nazis.

Thibaudat levou os manuscritos a Emmanuel Pierrat, um advogado especializado em propriedade intelectual. “Esta é a maior descoberta literária de sempre”, disse Pierrat citado pelo The New York Times.

Os manuscritos estavam perdidos há mais de 75 anos, com Céline a alegar que tinham sido roubados do seu apartamento em Paris quando escapou para a Alemanha, em 1944, temendo que fosse castigado por ter colaborado com as forças nazis.

Céline voltou para França em 1951 após receber amnistia. O escritor culpou Oscar Rosembly, um vizinho que contratou para fazer a sua contabilidade, pelo desaparecimento dos papéis.

O acervo contém 6 mil páginas não publicadas que incluem uma versão completa de um romance que foi impresso, mas que estava inacabado, e outra obra totalmente desconhecida até hoje.

Thibaudat diz que recebeu os manuscritos de um benfeitor ou benfeitores anónimos há cerca de 15 anos. O escritor manteve-os em segredo este tempo todo — a pedido do tal benfeitor — até que a viúva de Céline morresse, para que uma “família antissemita” não lucrasse com o tesouro literário. A ideia é manter as obras sob domínio público e acessíveis a investigadores.

A controvérsia surgiu, entretanto, com os herdeiro de Céline a entrarem com uma ação judicial contra Thibaudat em fevereiro, acusando-o de manusear bens roubados e exigindo os manuscritos como legítimos proprietários dos bens do falecido escritor.

David Alliot, um investigador literário, diz que o problema para muitos franceses era que, embora Céline fosse um “génio literário”, era um ser humano com vários defeitos.

Émile Brami, livreiro judeu em Paris que dedicou a sua vida ao trabalho de Céline, diz que nos anos 90 encontrou a filha de Rosembly, Marie-Luce, que disse que ainda tinha “muitas coisas de Céline” na sua posse.

“As pessoas que me deram os manuscritos viram como uma forma de livrar-se deles”, disse Thibaudat numa entrevista telefónica. “Era um fardo para eles”.

O antigo escritor diz que não podia ter revelado os documentos sem cumprir a promessa que tinha feito ao benfeitor.

“Fui obrigado por este juramento. Eu não poderia trair as pessoas”, disse o gaulês. “Por isso estava à espera. Não achei que fosse demorar tanto”.

https://zap.aeiou.pt/manuscritos-recem-descobertos-de-antigo-escritor-antissemita-abrem-batalha-legal-em-franca-440733

O maior bairro do mundo impresso em 3D vai ser construído nos Estados Unidos !

 A cidade de Austin, no estado norte-americano do Texas, irá em breve albergar o maior bairro do mundo impresso em 3D.O ambicioso projeto, que começará em 2022, resultou de uma colaboração entre a construtora norte-americana Lennar Group e a ICON, uma empresa de tecnologia de construção que, segundo o site Interesting Engineering, ficou conhecida por imprimir as casas de uma rua inteira no Texas e por construir o Mars Dune Alpha, uma estrutura para os astronautas da NASA simularem a vida em Marte.

A ideia é construir a maior comunidade de casas impressas em 3D até hoje, com um total de cem residências, também para mostrar uma forma promissora de responder à crescente procura por habitação.

“A escassez de mão de obra e de materiais são dois dos maiores fatores que afastam o sonho de muitas famílias norte-americanas de ter uma casa própria” , disse, em comunicado, Eric Feder, presidente da LENX, do grupo Lennar.

“A Lennar sempre expandiu os limites da inovação tecnológica para manter casas de qualidade, mas acessíveis, e a impressão 3D é uma abordagem extremamente encorajadora. Estamos entusiasmados por colaborar com a ICON para desenvolver soluções para os desafios emergentes dos próximos anos”, acrescentou.

Tal como recorda o mesmo site, a ICON usa um sistema de impressão robótica que imprime a uma velocidade de cerca de 25 centímetros por segundo e usa um material de construção patenteado chamado Lavacrete.

“A impressão 3D na construção não só oferece casas de alta qualidade com mais rapidez e economia, como pode mudar para melhor a forma como comunidades inteiras são construídas”, explica, na mesma nota, Jason Ballard, co-fundador e diretor executivo da ICON.

“Os Estados Unidos enfrentam um défice de aproximadamente cinco milhões de residências, logo, existe uma necessidade profunda de aumentar rapidamente a oferta sem comprometer a qualidade, beleza ou sustentabilidade e essa é exatamente a força da nossa tecnologia”, considerou.

Além disso, as casas também contarão com telhados fotovoltaicos, tornando-as sustentáveis e autossuficientes no que toca à energia.

https://zap.aeiou.pt/maior-bairro-mundo-impresso-3d-441427  
 

Vacinas, imposto global único e pandemia. Assim foi o primeiro dia da cimeira dos G20 !


Imposto mínimo global é uma medida há muito pedida pela OCDE e que ganhou nova força depois de Joe Biden se mostrar favorável à ideia. De acordo com as conclusões da cimeira, as empresas que faturem mais de 750 milhões de euros devem pagar pelo mínimo 15% de impostos.

O primeiro dia da cimeira dos G20, que se realiza este fim-de-semana em Roma, ficou marcado pelo acordo em torno de um IRC mínimo global. A ideia vinha a ser trabalhada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e tem como objetivo travar o desvio de impostos para países com tributações mais baixou ou para os chamados paraísos fiscais – em última análise garantir um sistema tributário mais justo.

Trata-se de uma mensagem forte, enviada por um conjunto de países que representa mais de 80% do PIB mundial, mas que ainda está longe de se refletir numa implantação efetiva. Em Junho, o apoio do G7 deu um novo impulso à medida, sobretudo quando os Estados Unidos, liderados por Joe Biden, se mostraram adeptos da implantação da medida.

Num quadro mais abrangente, a OCDE tem lutado pela adoção de um sistema baseado em dois pilares: o primeiro tem que ver com a limitação do volume de lucro residual das empresas – o que fica depois de o país onde estão sediadas ter cobrado o imposto correspondente a 10% do lucro –, o qual deverá ser repartido entre os países onde as empresa operam; o segundo determina uma taxação mínima de 15% a empresas que faturem mais do 750 milhões de euros.


No início do mês, a OCDE revelou que 136 países e jurisdições (dos 140 que participam nas negociações), representativos de mais de 90% do PIB mundial, concordaram que, para o primeiro pilar, a percentagem seria de 25% do lucro residual, escreve o Público.

“Apelamos ao Quadro Inclusivo da OCDE/G20 sobre Erosão de Base e Transferências de Lucros para desenvolver rapidamente as regras modelo e instrumentos multilaterais conforme acordado no Plano de Implementações Detalhado, com vista a garantir que as novas regras entrarão em vigor a nível global em 2023”, pode ler-se nos rascunhos das conclusões da cimeira.

A agência Efe fala ainda num acordo baseado em regras tributárias “justas, modernas e eficientes”, que são também essências para estimular o investimento e o crescimento. No que respeita ao primeiro pilar, inclui-se o compromisso de eliminar os impostos sobre os serviços digitais existentes e outras medidas unilaterais semelhantes, assim como o de não introduzir novos impostos do mesmo tipo no futuro, quando as novas regras entrarem em vigor.

Num outro âmbito, o da pandemia — não fosse esta a primeira grande cimeira a juntar presencialmente líderes mundiais depois de a crise sanitária dar os primeiros sinais de abrandamento —, os decisores políticos comprometeram-se a atingir pelo menos os 70% de vacinados no mundo em 2022, nomeadamente através da distribuição de doses pelos países mais pobres. No que respeita ainda ao ano de 2021, a meta é alcançar 40% da população mundial inoculada.

Para além de distribuição das vacinas, foi discutida ainda a necessidade de aumentar a capacidade produtiva das doses e transferência da tecnologia, nomeadamente para o continente africano, de forma a prevenir futuras crises sanitárias. Itália, que preside atualmente ao G20, propôs o reforço dos organismos de saúde, de forma a “compensar a insuficiente coordenação entre as autoridades de saúde e financeiras evidenciadas durante a pandemia”.

O contexto pandémico foi também evocado por Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, que lembrou os principais desafios do bloco europeu — sejam eles o preço dos preços de energia, interrupção nas cadeias de valor e falhas na vacinação. O responsável afirmou mesmo que a pandemia mostrou os “pontos fracos e fortes”.

“No G20, insisti em aumentar a cooperação internacional em matéria de energia, cadeias de valor e saúde. Precisamos de expandir a partilha e produção de vacinas em países vulneráveis, em particular contra a covid-19. Um tratado sobre pandemias permitirá uma melhor prevenção, preparação e resposta global”, escreveu Michel no Twitter. Ainda segundo a agência Efe, o presidente do Conselho Europeu disse na reunião que existe “uma obrigação moral” de partilhar vacinas, mas também “um interesse económico coletivo”.

https://zap.aeiou.pt/vacinas-imposto-global-unico-e-pandemia-assim-foi-o-primeiro-dia-da-cimeira-dos-g20-441633


Cientistas precisam da nossa ajuda para identificar novos exoplanetas !


Se sempre sonhou descobrir um planeta, está aqui a sua oportunidade. Cientistas estão a pedir ajuda para identificar novos exoplanetas.

Este projeto online, chamado “Planet Hunters Next-Generation Transit Search” (NGTS), está a contar com a ajuda do público para examinar cinco anos de filmagens digitais, que mostram algumas das estrelas mais brilhantes no céu.

As pessoas interessadas têm uma missão: localizar estrelas que escurecem por breves momentos, o que pode sugerir que um planeta está a passar à frente delas.

“Se a órbita de um exoplaneta for vista do ângulo certo a partir da Terra, podemos observar o planeta a passar diretamente à frente da sua estrela hospedeira, uma situação a que chamamos de trânsito. Isto faz com que o planeta bloqueie periodicamente uma parte da luz das estrelas que observamos”, explica, em comunicado, Meg Schwamb, astrónoma da Escola de Matemática e Física da Queen’s University Belfast, que lidera o projeto.

Segundo a astrónoma, “a cada 10 segundos, os telescópios NGTS captam a luz de mil estrelas no céu em busca de assinaturas reveladoras do trânsito de um exoplaneta” e os computadores do projeto analisam essas observações em busca desses sinais.

Só que os “algoritmos automatizados produzem uma enorme quantidade de possíveis eventos de trânsito, que depois precisam de ser analisados pela equipa para confirmar se são reais ou não”.

Enquanto os investigadores do NGTS analisam os objetos mais interessantes identificados pelos computadores, os interessados neste projeto podem captar outros sinais dos planetas em trânsito, pois a equipa acha que ainda podem haver planetas escondidos nos dados que os seus computadores perderam.

Segundo o projeto, os interessados não precisam de fazer nenhuma candidatura e basta terem acesso à Internet para começarem a mergulhar nos dados disponíveis.

“É emocionante poder envolver o público na nossa busca por planetas à volta de outras estrelas. Nós controlamos os telescópios NGTS da Universidade de Warwick e processamos todos os dados, mas temos a certeza de que os nossos programas estão a falhar alguns planetas. E provavelmente esses serão os mais interessantes”, explicou na mesma nota Peter Wheatley, professor de Astronomia e Astrofísica da universidade inglesa.

“Os humanos ainda são mais espertos do que as máquinas, portanto, mal posso esperar para ver o que nossos voluntários irão descobrir”, disse ainda.

O NGTS é uma colaboração entre a Universidade de Warwick, a Queen’s University Belfast, a Universidade de Cambridge, a Universidade de Leicester (Reino Unido), o Observatório de Genebra (Suíça), o Centro Aeroespacial Alemão, o Observatório Europeu do Sul (Alemanha), a Universidade do Chile e a Universidade Católica do Norte (Chile).

https://zap.aeiou.pt/cientistas-precisam-ajuda-identificar-exoplanetas-440523


Países ricos gastam mais dinheiro a aumentar poder militar – E deixam de lado os compromissos climáticos !

De acordo com um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), os países mais ricos estão cada vez mais atrasados no que diz respeito ao cumprimento da promessa de ajudar os estados mais pobres a ajustarem-se ao impacto das alterações climáticas.

O relatório da organização, no âmbito da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), sugere que as potências com maior capacidade financeira têm canalizado os seus fundos para aumentar o seu poder militar, deixando de lado os compromissos ambientais.

Em 2009, os países mais ricos fizeram a promessa de contribuir com cerca de 100 mil milhões de dólares por ano para ajudar as nações mais empobrecidas a dar resposta aos problemas causados pelas alterações climáticas. Na altura, ficou definido que o valor total das ajudas seria alcançado em 2020, mas a meta já foi deixada para trás.

Segundo a ONU, que na passada segunda-feira apresentou um plano, mesmo que este seja cumprido, demoraria até 2023 até estar concluído – ou seja, três anos após o prazo inicial.

Esta não é a primeira vez que surgem este tipo de críticas. O Fundo Verde para o Clima tem sido assombrado por problemas desde o início, tendo já sido criticado por má gestão, escreve o Gizmodo.

Em setembro, o presidente dos EUA, Joe Biden, informou que o país iria oferecer 5,7 mil milhões de dólares – um grande passo em relação ao que o país contribuiu com o ex-presidente Donald Trump, quando deu menos do que a França, Alemanha, Japão ou Reino Unido, apesar de ser o maior poluidor histórico.

A quantia pode parecer bastante elevada para os EUA desembolsarem todos os anos, mas a verdade é que o país está a gastar muito mais noutros campos. Tendo em conta o relatório apresentado, as maiores economias do mundo estão a investir centenas de milhões de dólares no armamento das suas fronteiras.

Sete dos maiores emissores históricos do mundo, segundo o relatório do Instituto Transnacional sem fins lucrativos internacional, gastam em média 2,3 vezes mais para tornar a segurança das suas fronteiras fortemente militarizada, do que para ajudar outros países a enfrentar o impacto das mudanças climáticas.

Os autores do relatório destacam que em vez de ajudarem as populações mais fragilizadas, os países mais ricos só estão a fazer com que estes investimentos aumentem as mortes e a violência, e não farão nada para conter a migração climática, já que as condições meteorológicas extremas têm obrigado a que mais pessoas abandonem as suas casas.

Embora os EUA não sejam o pior infrator na lista apresentada no relatório, ainda assim, gastam 11 vezes mais com segurança de fronteira. O país gasta uma média de 19,6 mil milhões de dólares por ano em elementos como drones, tecnologia de reconhecimento facial e construções, como é o caso do muro na fronteira com o México. O valor total também inclui custos de manutenção, vigilância e pagamentos a agentes armados.

Ao contrário do que seria esperado, refere o relatório, as mudanças climáticas estão a ser cada vez mais usadas como instrumentos para intensificar a militarização, em vez de fornecerem uma oportunidade de recuar e avaliar as razões por trás do motivo pelo qual as pessoas estão a ser deslocadas.

O relatório frisa que esta é uma visão sombria de um futuro onde o dinheiro que deveria ser atribuído aos países mais pobres para ajudar a mitigar os desastres climáticos, é dado para pagar os serviços de empresas contratadas com o intuito de endurecer as fronteiras.

“Se os maiores poluidores históricos se desfizessem minimamente da militarização das fronteiras e investissem esse dinheiro no financiamento do clima para o Sul Global, poderíamos evitar uma catástrofe no sofrimento humano”, remata Mohamed Adow, diretor do Power Shift Africa.

https://zap.aeiou.pt/paises-ricos-poder-militar-440518

Navios da II Guerra Mundial emergem do fundo do Pacífico após erupção vulcânica !


A atividade sísmica de um vulcão submarino no Japão fez emergir vários “navios fantasma”, afundados depois de uma das batalhas mais famosas da II Guerra Mundial, do fundo do Oceano Pacífico.

De acordo com o site Live Science, as imagens de helicóptero captadas pela rede televisiva japonesa All Nippon News (ANN) mostraram os 24 navios junto à costa da ilha japonesa de Iwo Jima, que fica a 1200 quilómetros de Tóquio. As embarcações da II Guerra Mundial foram empurradas para a superfície devido à atividade do vulcão submarino Fukutoku-Okanoba.

Como recorda o mesmo site, estes “navios fantasma” foram afundados pelas forças norte-americanas na Batalha de Iwo Jima, em 1945, considerada uma das mais sangrentas do conflito. Vinte mil fuzileiros navais dos Estados Unidos acabaram feridos, quase sete mil perderam a vida e, do lado japonês, quase todos os soldados (com exceção de 216 que foram capturados vivos) foram mortos em combate.

Como Iwo Jima não tinha porto, os navios foram deliberadamente afundados pelos norte-americanos no rescaldo da batalha paralelamente à costa para formar um quebra-mar, ou seja, uma estrutura resistente que protegeu as tropas e as armas que chegaram à ilha, de acordo com os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos.

O Fukutoku-Okanoba está em erupção desde agosto e, além de fazer emergir estes navios, a sua atividade sísmica também levou ao aparecimento de uma pequena ilha, feita de pedra-pomes e cinza vulcânica. No entanto, de acordo com Setsuya Nakada, diretor do Centro de Pesquisa Integrada de Vulcões do Governo japonês, citado pelo mesmo site, a ilha deve desaparecer em breve devido à erosão.

https://zap.aeiou.pt/navios-ii-guerra-mundial-emergem-pacifico-441093


Polónia avança com construção de muro para travar migrantes na fronteira com Bielorrússia !


A União Europeia, que recusa financiar “arame farpado e muros”, aponta o dedo à Bielorrúsia, que acusa de facilitar a entrada de migrantes na Europa para depois os deixar avançar até às fronteiras com a Lituânia, a Letónia e a Polónia para se vingar das sanções económicas impostas pela UE.

O Parlamento polaco aprovou ontem o plano do governo de construir um muro na fronteira com a Bielorrússia para impedir a passagem de migrantes e refugiados para a Polónia. O custo do muro está estimado em 353 milhões de euros e este deve estender-se por mais de 100 quilómetros ao longo da fronteira oriental da União Europeia.

O Presidente polaco, Andrzej Duda, tinha já anunciado que assinaria a lei se esta fosse aprovada pelo Parlamento. Milhares de migrantes, na sua maioria oriundos do Médio Oriente, atravessaram ou tentaram atravessar a fronteira da Bielorrússia desde o verão.

A União Europeia acusa o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, de trazer cidadãos de países do Médio Oriente e África para Minsk e depois facilitar-lhes a passagem através das suas fronteiras para a Lituânia, Letónia e Polónia, como retaliação pelas sanções económicas da UE contra o seu regime. Em resposta, a Polónia impôs um estado de emergência na zona fronteiriça, enviou milhares de soldados e legalizou a controversa prática de expulsão direta.

A Polónia é um dos 12 estados membros da UE que na semana passada pediu à União Europeia para financiar a construção de “barreiras” nas suas fronteiras.

Contudo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que Bruxelas não iria financiar a construção de barreiras nas fronteiras da UE. Von der Leyen relembrou aos líderes presentes na cimeira em Bruxelas na semana passada uma posição conjunta da Comissão e do Parlamento Europeu de que “não haverá financiamento para arame farpado e muros”.

O primeiro-ministro polaco, o nacionalista Mateusz Morawiecki, insistiu que a Polónia está “sob ataque” da Bielorrússia e disse que o muro é essencial para “proteger” a Polónia.

As Nações Unidas pediram, na semana passada, uma ação urgente para salvar vidas e prevenir o sofrimento na fronteira entre a UE e a Bielorrússia após a morte de vários requerentes de asilo.

https://zap.aeiou.pt/polonia-avanca-com-construcao-de-muro-para-travar-migrantes-na-fronteira-com-bielorrussia-441536


EUA emitem primeiro passaporte com “X” nas opções de género !


Com esta decisão, os EUA juntam-se a outros países como o Canadá, o Nepal ou a Austrália, que já incluem pessoas não-binárias nos documentos.

Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira que criaram o primeiro passaporte no país com “X” nas opções de género, para que as pessoas não-binárias ou intersexo também tenham escolha além de masculino e feminino, de acordo com o Departamento de Estado.

O Secretário de Estado Antony Blinken já tinha anunciado em Junho que a opção ia passar a ser dada em passaportes, mas que ainda demoraria algum tempo devido às mudanças necessárias no sistema informático.

Ned Price, o porta-voz do Departamento, também revelou num comunicado que todos aqueles que se candidatarem a receber passaportes vão agora ter a opção X disponível. As autoridades não divulgaram a identidade do primeiro galardoado que teve um passaporte identificado com o género “X” argumentando questões de privacidade, mas a organização de direitos civis Lambda Legal afirma que Dana Zzyym tinha sido a primeira pessoa a ter um documento com essa opção.

“Quase comecei a chorar quando abri o envelope, puxei o meu novo passaporte e vi o carimbo “X” debaixo de “sexo”, afirmou Zzyym, uma pessoa intersexo e não-binária que já integrou a marinha norte-americana, num comunicado. “Demorou seis anos, mas ter um passaporte verdadeiro, um que não me obriga a identificar como homem ou mulher mas que reconhece que não são nenhuma das duas opções, é libertador“, confessa.

Zzyym usa o pronome neutro “they” em inglês e nasceu com características sexuais ambíguas. A organização Lambda Legal revelou que Zzyym teve de passar por várias “cirurgias irreversíveis, dolorosas e medicamente desnecessárias” depois dos seus pais terem decidido educar a criança como um rapaz.

Depois de servir na marinha e estudar na Universidade estadual do Colorado, Zzyym, percebeu que tinha nascido intersexo. Já há vários anos que Dana Zzyym estava numa batalha judicial com o Departamento de Estado. Em 2015, não teve direito a um passaporte por não escolhido entre masculino e feminino, tendo antes escrito “intersexual” acima dos quadrados com as duas opções. Zzyym pediu depois numa carta que fosse acrescentada a designação “X”.

O pedido foi recusado pelo Departamento de Estado, o que levou a que Zzyym não pudesse viajar até ao México para assistir a uma reunião da Organização Intersexo Internacional.

“Quando nos é negado o acesso a ir a lugares, é como uma prisão. Gostaria muito de ir à Costa Rica pescar ou ao México… Isto é o tipo de coisa com que sonho“, revelou numa entrevista.

Os EUA seguem assim o exemplo dado no Canadá, na Alemanha, na Austrália, na Nova Zelândia, no Nepal ou na Índia, que já oferecem uma terceira escolha.

https://zap.aeiou.pt/eua-emitem-primeiro-passaporte-com-x-nas-opcoes-de-sexo-441482


sábado, 30 de outubro de 2021

Ginecologista criou “o primeiro preservativo unisexo do mundo” !


John Tang Ing Chinh, um ginecologista malaio, inventou o primeiro preservativo unisexo do mundo.

De acordo com o USA Today News, o Wondaleaf Unisex Condom é o mais recente contracetivo de barreira, e pode ser usado interna e externamente.

“Wondaleaf poderá ser a contraceção ideal que pode revolucionar a saúde sexual e reprodutiva”, disse Sabaratnam Arulkumaran, antigo presidente do Royal College of Obstetricians and Gynecologists, em Londres.

O preservativo unisexo é feito de Poliuretano — um material médico que pode ser encontrado em luvas ou pensos para feridas — e tem uma espessura de 0,03 milímetros.

“É um preservativo com uma cobertura adesiva que se fixa à vagina ou ao pénis, e que cobre a área adjacente para proteção extra”, explicou John Tang Ing Chinh, inventor do preservativo Unisexo Wondaleaf, em declarações à Reuters.

“Depois de o colocar, muitas vezes não se dá conta de que está lá”, continuou.

Como o preservativo cobre toda a área púbica, é muito mais seguro do que outros contracetivos na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez, garante a Wondaleaf, que não quantifica, no entanto, a sua eficácia.

O preservativo de tamanho único é um método contracetivo alternativo para quem tem alergias ao látex e, embora só esteja disponível na Malásia, a empresa diz que está a trabalhar para cumprir as normas de outros países e tornar o preservativo amplamente disponível.

“Estou bastante otimista de que, com o tempo, será um acréscimo importante aos muitos métodos contracetivos utilizados na prevenção de gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis”, disse Tang.

De acordo com os dados das Nações Unidas, a esterilização feminina e os preservativos são os contracetivos mais utilizados e eficazes em todo o mundo. Além disso, são o único contracetivo que pode prevenir tanto a gravidez como a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, segundo a Organização Mundial de Saúde.

https://zap.aeiou.pt/primeiro-preservativo-unisexo-441306


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