A covid-19 terá provocado 18,2 milhões de mortes no mundo até 31 de dezembro, cerca de três vezes mais do que os números oficiais, estima um estudo publicado hoje na revista científica The Lancet.
“Apesar de terem sido reportadas, entre 01 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021, um total de 5,94 milhões de mortes, estimamos que 18,2 milhões morreram em todo o mundo devido à pandemia de covid-19 – medida pelo excesso de mortalidade – durante esse período”, adianta a investigação já revista por pares.
Em relação a Portugal, o estudo indica 19.000 mortes reportadas por covid-19 até 31 de dezembro, uma taxa de mortalidade por covid-19 reportada por 100 mil pessoas de 94.8 e um excesso de mortes estimado de 40.400.
A investigação avança ainda que as taxas de mortes em excesso variaram amplamente entre regiões, embora o número de óbitos resultantes da pandemia tenha sido muito maior particularmente no sul da Ásia e na África Subsaariana do que os registos oficiais indicam.
“Estima-se que o excesso de mortalidade seja de 120 mortes por 100.000 habitantes em todo o mundo e que 21 países tenham taxas de mais de 300 mortes em excesso por 100.000 habitantes”, adiantam as conclusões da investigação.
As maiores taxas estimadas de mortes em excesso registaram-se na América Latina (512 mortes por 100.000 habitantes), Europa Oriental (345 mortes), Europa Central (316), África Subsaariana do Sul (309) e América Latina Central (274).
Em sentido contrário, os dados publicados na The Lancet indicam que alguns países tiveram menos mortes do que o esperado com base nas tendências de mortalidade em anos anteriores, caso da Islândia (48 mortes a menos por 100.000), a Austrália (38 mortes) e Singapura (16).
Ao nível dos países, o maior número estimado de mortes em excesso ocorreu na Índia (4,1 milhões), EUA (1,1 milhão), Rússia (1,1 milhão), México (798.000), Brasil (792.000), Indonésia (736.000) e Paquistão (664.000).
“Esses sete países podem ter sido responsáveis por mais da metade das mortes em excesso globais causadas pela pandemia durante o período de 24 meses”, refere.
A distinção entre os óbitos causados diretamente pela covid-19 e aqueles que ocorreram como resultado indireto da pandemia é crucial, salientam os autores da investigação.
“Entender o verdadeiro número de mortes da pandemia é vital para uma tomada de decisão eficaz em saúde pública. Estudos de vários países, incluindo a Suécia e os Países Baixos, sugerem que a covid-19 foi a causa direta da maioria das mortes em excesso, mas atualmente não temos dados suficientes para a maioria dos locais”, adiantou Haidong Wang, do Institute for Health Metrics and Evaluation e autor principal do estudo.
A covid-19 provocou pelo menos 6.011.769 mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.
A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.
A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.
O ex-embaixador português na ONU, António Monteiro, acredita que mesmo que Kiev caia haverá sempre “um conflito latente” e é impensável que a Rússia consiga dominar totalmente a Ucrânia.
Em entrevista à TSF e ao DN, António Monteiro considera que, neste momento Putin é “imparável”. O antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-embaixador português na ONU acredita ainda que o líder russo não alcançaria os seus objetivos na Ucrânia “utilizando a via negocial”, mas acha que a guerra é “inútil”.
O diplomata confessa que não achava que a guerra fosse acontecer, dado o estatuto da Rússia como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. “Penso que, nesse sentido, Putin nos enganou, mas talvez também nos tenhamos enganado a nós próprios”, afirma.
Biden já afirmou que acha que Putin quer restabelecer a União Soviética, mas António Monteiro duvida, considerando que o chefe de Estado, ao contrário de Lenine ou Estaline, que tinham “alguma contenção e algum filtro provocado pela estrutura do partido”, está
“completamente isolado”. Esta é uma “guerra de um homem só“.
O ex-Ministro acredita que a ameaça de Putin “uniu a Europa”.
“Deixámos de ter aquelas decisões que têm de ser tomadas depois de
grandes consultas burocráticas e discussões? Não, as decisões aqui eram
políticas, não eram burocráticas, e foram políticas e foram tomadas”,
afirma.
Mesmo com as pesadas sanções, Putin não tem sido dissuadido, algo que “angustia” António Monteiro, que não vê outras saídas.
“Devemos não estar apenas num confronto entre Rússia e Ocidente, mas
arranjar mais parceiros – e sei que é difícil -, mas deveríamos estar em
permanente contacto com países que não estão aliados connosco”, sugere,
apontando para a China, a Índia ou o Brasil.
“A China tem, pelo menos em relação à Rússia, um aspeto positivo, não
é uma potência agressiva, portanto, é trazê-los para o nosso lado, tal
como deveríamos fazer com a Índia”, considera, lembrando que a Pequim
sabe que a ordem internacional “lhe tem sido favorável” e afirmando o
gigante asiático “vê sempre na Rússia uma ameaça e uma ocupação da Sibéria e da Ásia”.
Monteiro descarta a possibilidade da China também avançar agora com uma intervenção militar em Taiwan.
“É completamente diferente, o que está em causa relativamente a Taiwan é
a questão da democracia, das liberdades, do sistema que é diferente. A
China tem a famosa diplomacia da paciência e, portanto, não tem
necessidade nenhuma de entrar nisso”, antecipa.
Mesmo que Kiev caia para as tropas russas, há ainda uma “incógnita enorme“.
“Putin ocupa a Ucrânia e Kiev para quê? Alguém pensa que ele vai poder
dominar um país como a Ucrânia? É impensável. Haverá sempre um governo
no exílio e haverá sempre um conflito latente”, prevê.
O diplomata acredita que Putin já pôs em causa a “ordem internacional
de forma deliberada”, já que um dos “países guardiões” das Nações
Unidas, que eram o “garante de paz internacional”, destruiu os “princípios em que eles participaram depois da Segunda Guerra Mundial”.
A cena internacional “será completamente diferente“,
com os EUA, a China, Índia e a UE a beneficiarem e serem potências
“hard power”. O conflito já causou outras transformações com o corte de
relações entre Moscovo e Berlim e a eventual adesão da Finlândia e da
Suécia à NATO.
António Monteiro aplaude ainda postura do Governo,
que está “muito integrada na Europa”, o que é uma “tradição da
diplomacia portuguesa”. É uma avaliação positiva, não apenas para nós,
mas é positivo para toda a Europa e para a NATO”, remata.
As autoridades da cidade de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, denunciaram um novo ataque contra um estabelecimento de saúde, desta vez um hospital psiquiátrico, onde estavam doentes e funcionários, disse hoje o porta-voz da Organização Mundial da Saúde.
“Trata-se de outro ataque à saúde na Ucrânia”, referiu Tarik Jasarevic, numa comunicação feita através de videoconferência a partir de Lviv, no oeste da Ucrânia.
O porta-voz da Organização Mundial de Saúde indicou que no local estavam mais de 300 pessoas, das quais 50 não podiam mover-se.
“Condenamos todos os ataques a instalações de saúde, a profissionais de saúde ou a doentes, [já que] constituem uma violação flagrante do direito internacional humanitário, privando as pessoas de cuidados médicos e pondo em risco a vida de pacientes e trabalhadores”, afirmou.
“As instalações de saúde, além de serem locais onde as pessoas recebem cuidados de saúde, devem ser também locais onde as pessoas se sentem seguras”, defendeu o responsável.
De acordo com uma primeira avaliação dos serviços de emergência de Kharkiv – perto de Oskil, onde se situava o hospital – o número de pessoas no hospital chegava a 330, incluindo 10 em cadeiras de rodas e 50 sem mobilidade ou com mobilidade muito reduzida, sendo que uma parte das instalações atacadas era dedicada a pessoas com deficiência.
O bombardeamento não fez, até agora, vítimas mortais, mas destruiu o segundo e terceiro andares do edifício”, referiram os serviços de emergência.
A OMS contabilizou 26 ataques a instalações de saúde na Ucrânia desde que a Rússia invadiu o país, há 16 dias.
Ataques que, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos são “atos chocantes”, que, se se provar terem sido cometidos de forma indiscriminada, podem ser considerados crimes de guerra.
O ataque ao hospital psiquiátrico aconteceu poucos dias depois de um centro hospitalar da cidade de Mariupol, onde funcionava uma unidade pediátrica e uma maternidade, ter sido bombardeado, matando três pessoas e deixando outras 17 gravemente feridas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, disse na quinta-feira – sem fornecer provas – que o hospital de Mariupol estava a ser usado como base por combatentes radicais, mas hoje a agência da ONU para os Direitos Humanos confirmou que o local continuava a ser um hospital operacional.
De acordo com a porta-voz desta agência da ONU, Liz Throssell, o hospital estava em pleno funcionamento quando foi atacado.
Por outro lado, Tarik Jasarevic também avançou que a OMS enviou cinco toneladas de material médico para Kiev e várias toneladas para cidades do leste da Ucrânia, onde as hostilidades são mais intensas, estando a aguardar a confirmação da chegada e distribuição dessa ajuda.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 516 mortos e mais de 900 feridos entre a população civil e provocou a fuga de mais de 2,5 milhões de pessoas para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
Os presidentes da Rússia e da Bielorrússia, Vladimir Putin e Alexander Lukashenko, respetivamente, concordaram, na sexta-feira, apoiarem-se mutuamente para lidar com o impacto económico nas economias dos seus países causado pelas sanções internacionais.
Mais especificamente, os líderes dos dois países discutiram a cooperação nos setores financeiro, industrial e agrícola, bem como logística, disse a porta-voz do Governo bielorrusso, Natalia Eismont, citada pela agência de notícias russa TASS.
Os chefes de Estado dos dois países acordaram medidas conjuntas de apoio mútuo no meio da pressão das sanções, incluindo os preços das fontes de energia“, disse Eismont, acrescentando que a Rússia tencionava fornecer ao seu aliado novo equipamento militar.
“Durante as conversações, as partes concentraram-se no desenvolvimento do complexo militar-industrial e na defesa do Estado da União. Em particular, concordaram em fornecer os últimos modelos de equipamento militar russo à Bielorrússia a curto prazo”, disse Eismant, segundo a agência bielorrussa BelTA.
A Bielorrússia, por seu lado, irá aumentar as exportações de maquinaria agrícola, autocarros e outros bens industriais, disse a porta-voz.
No âmbito desta reunião, os líderes russos e
bielorrussos concordaram que as delegações de ambos os países vão
reunir-se na segunda-feira para tomar decisões com base no acordo entre
Putin e Lukashenko, noticiou a TASS.
Segundo avança uma plataforma que analisa as sanções aplicadas, os países aliados aplicaram um total de 2.778 novas sanções, o que duplicou o número total de sanções aplicadas à Rússia.
Antes da invasão da Ucrânia,
a 22 de fevereiro, o país era alvo de 2.754 e passou para 5.530. A
maior parte das sanções aplicadas são contra indivíduos, havendo ainda
343 a entidades, como companhias ou agências governamentais.
Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia já era alvo de sanções
devido à interferência nas eleições norte-americanas de 2016 e aos
ataques contra dissidentes políticos tanto no território russo como no
estrangeiro.
A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia
que já causou pelo menos 549 mortos e mais de 950 feridos entre a
população civil e provocou a fuga de 4,5 milhões de pessoas, entre as
quais 2,5 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes
dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela
generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de
armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
Ao final da segunda semana de invasão da Ucrânia pela Rússia, o desenrolar da incursão militar está a causar surpresa e a demonstrar fraquezas no exército russo, disseram à Lusa cientistas políticos nos Estados Unidos.
“A guerra não está a correr bem a Putin”, afirmou Daniela Melo, politóloga luso-americana especialista em relações internacionais que leciona na Universidade de Boston.
“O que nós presumimos que eram as expectativas iniciais que ele tinha, de que esta seria uma guerra rápida em que o Ocidente não se quereria envolver e em que poderia pôr rapidamente um governo em Kiev, saíram furadas”.
Com notícias de que haverá falta de rações e de gasolina no contingente russo, a imagem do presidente Vladimir Putin e do seu exército está a deteriorar-se, algo que poderá enfurecer ainda mais o chefe do Kremlin.
“O que estamos a ver ao fim de duas semanas é uma série de surpresas”, disse o especialista em relações internacionais Everett Vieira III, professor na Universidade Estadual da Califórnia, Fresno.
“Pensei que Putin atacaria de forma mais rápida e eficiente. O facto de que as forças ucranianas conseguiram resistir está a surpreender muita gente”.
Isto “está a mostrar fraquezas no exército russo”, diz o académico, que ressalva que a expectativa é de que Moscovo endureça os ataques de forma esmagadora. “Putin ainda não mostrou todas as suas cartas e não fez o pior”, sublinhou Vieira.
É por isso que está a aumentar o receio de que a Rússia passe a ataques nucleares ou recorra a armas químicas.
“O exército russo poderá ser significativamente mais fraco que o que qualquer um de nós pensava. Talvez Putin pensasse que, com 200 mil militares, só o número seria suficiente para dominar a Ucrânia, mas tal não aconteceu”, disse Thomas Holyoke, chefe do departamento de ciência política na Fresno State.
“Putin pode ficar tão zangado e tão descontrolado que poderá começar a usar armas nucleares táticas, cujo poder nuclear é potencialmente maior que a bomba que caiu em Hiroshima”, explicou.
Um dos problemas, disse, é que o Kremlin não pode aceitar uma derrota. “Vai escalar e escalar, daí o medo de que use armas nucleares. Ninguém sabe bem qual é o objetivo final aqui”.
Para Jeffrey Cummins, reitor interino da Faculdade de Ciências Sociais em Fresno, alguns sinais apontam mesmo para cenários catastróficos.
“Há sinais de alerta que mostram que Putin tem os olhos postos em mais que a Ucrânia”, disse à Lusa. “Uma delas é o facto de esta ser uma invasão total, que está a tentar tomar o controlo de todo o país”, contrariando as análises preliminares que apontavam apenas para a anexação de território ucraniano com movimentos separatistas.
O ataque a áreas civis, com a destruição de hospitais pediátricos e maternidades, evidencia essa intenção e é algo a que Daniela Melo chama de “estratégia de rendição”: infligir o maior número de mortes e horror para forçar à rendição completa.
“E uma certa certeza de que nunca serão levados ao Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra”, frisou.
Por outro lado, Putin diz ver a ocidentalização da Ucrânia como uma ameaça existencial para a Rússia. “Não sei porque é que não pensará o mesmo de outros países da Europa de Leste que se tornaram mais ocidentais, alguns dos quais entraram na NATO”, afirmou Cummins.
“Poderá colocar esses países na mira, porque falou de querer restaurar a antiga União Soviética e o império russo”, continuou. “Se esse é o objetivo último, então a invasão da Ucrânia é apenas um passo numa tentativa muito mais alargada de expandir o território da Rússia”.
O que os analistas consideram, apesar da resistência, é que Moscovo tem capacidade para tomar o controlo da Ucrânia, ainda que demorando mais tempo.
“Em termos de número de armas e de capacidade militar, o mais provável é que Putin consiga na mesma ganhar a guerra convencional e que chegue a um ponto em que consiga mudar o governo em Kiev”, referiu Daniela Melo. “Mas aí também há uma grande probabilidade de uma insurreição e de um conflito muito longo”
Everett Vieira III deu o exemplo do Iraque, onde a insurreição dura há vinte anos, e disse que a Ucrânia pode seguir o mesmo caminho. “Salvo se houver uma completa aniquilação, consigo ver isto a durar anos e anos”.
Esse cenário indica que podemos passar a um jogo de espera. “O que é que aguenta mais tempo – a economia russa ou o interesse do Ocidente sobre o que se está a passar na Ucrânia?”, questionou Daniela Melo.
Sublinhando a complexidade da situação, que pode seguir em direções muito diferentes, a politóloga frisou que os efeitos negativos desta decisão de Vladimir Putin tornam difícil compreendê-la.
“Não temos um tiro pela culatra político deste nível deste 1945”, afirmou. “Temos a potencial criação de um estado pária, o isolamento internacional a um nível nunca visto desde o fim da II Guerra Mundial e o enfraquecimento geopolítico da Rússia, porque demonstrou que as suas forças armadas não são tão fortes nem tão organizadas quanto se acreditava”.
A isso junta-se o colapso da economia russa, que pode acontecer já este verão. “Putin precisa de uma porta de saída, mas ainda não deu sinais de estar pronto para o diálogo e para abdicar do que ele julga ser o direito a controlar a política interna e externa da Ucrânia”, frisou Daniela Melo.
No entanto, a especialista diz que ainda não há sinais de fissuras internas que levem a pensar num golpe de estado ou uma revolução dentro da Rússia.
O que há, disse Thomas Holyoke, é embaraço e estranheza. “Putin queria uma vitória esmagadora, porque isso fá-lo-ia parecer muito forte”, afirmou.
Os autoproclamados “verificadores de fatos” da imprensa corporativa dos EUA passaram duas semanas zombando como desinformação e falsa teoria da conspiração a alegação de que a Ucrânia possui laboratórios de armas biológicas, sozinho ou com apoio dos EUA. Eles nunca apresentaram nenhuma evidência para sua decisão – como eles poderiam saber? e como eles poderiam provar o negativo? – mas, no entanto, eles invocaram seu tom caracteristicamente autoritário, acima de tudo, de autoconfiança e direito auto-arrogante de decretar a verdade, rotulando definitivamente tais alegações como falsas.
As alegações de que a Ucrânia atualmente mantém laboratórios de armas biológicas perigosos vieram da Rússia e da China. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou este mês : “Os EUA têm 336 laboratórios em 30 países sob seu controle, incluindo 26 apenas na Ucrânia”.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que “a Rússia obteve documentos provando que os laboratórios biológicos ucranianos localizados perto das fronteiras russas trabalhavam no desenvolvimento de componentes de armas biológicas”. Tais afirmações merecem o mesmo nível de ceticismo que as negações dos EUA: ou seja, nada disso deve ser considerado como evidência ausente verdadeira ou falsa. No entanto, os verificadores de fatos dos EUA obediente e reflexivamente ficaram do lado do governo dos EUA para declarar tais alegações como “desinformação” e zombar delas como teorias da conspiração QAnon.
Infelizmente para esse esquema de propaganda disfarçado de verificação de fatos neutra e altiva, o oficial neocon há muito encarregado da política dos EUA na Ucrânia testemunhou na segunda-feira perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado e sugeriu fortemente que tais alegações são, pelo menos em parte, verdadeiras. . Ontem à tarde, a subsecretária de Estado Victoria Nuland compareceu perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado. O senador Marco Rubio (R-FL), na esperança de desmascarar as crescentes alegações de que existem laboratórios de armas químicas na Ucrânia, perguntou presunçosamente a Nuland: “A Ucrânia tem armas químicas ou biológicas?”
Rubio, sem dúvida, esperava uma negação por parte de Nuland, fornecendo assim mais “provas” de que tal especulação é uma Fake News covarde emanada do Kremlin, do PCC e do QAnon. Em vez disso, Nuland fez algo completamente atípico para ela, para os neocons e para altos funcionários da política externa dos EUA: por algum motivo, ela contou uma versão da verdade. Sua resposta surpreendeu Rubio visivelmente, que - assim que percebeu o dano que ela estava causando à campanha de mensagens dos EUA ao dizer a verdade - a interrompeu e exigiu que ela afirmasse que, se ocorresse um ataque biológico, todos deveriam ser "100 % de certeza” de que foi a Rússia quem fez isso. Agradecido pelo bote salva-vidas, Nuland disse a Rubio que estava certo.
Mas o ato de limpeza de Rubio veio tarde demais. Quando perguntado se a Ucrânia possui “armas químicas ou biológicas”, Nuland não negou: absolutamente. Em vez disso, ela – com desconforto palpável girando a caneta e fala vacilante, um contraste gritante com seu estilo normalmente arrogante de falar em ofuscadores oficiais do Departamento de Estado – reconheceu: “uh, a Ucrânia tem, uh, instalações de pesquisa biológica”.
Qualquer esperança de retratar tais “instalações” como benignas ou banais foi imediatamente destruída pelo aviso que ela rapidamente acrescentou:
“Agora estamos de fato bastante preocupados que as tropas russas, as forças russas, possam estar tentando, uh, ganhar o controle [desses laboratórios], então estamos trabalhando com os Ukrainiahhhns [sic] em como eles podem impedir qualquer um desses materiais de pesquisa. de cair nas mãos das forças russas caso se aproximem” — [interrupção do senador Rubio]:A bizarra admissão de Nuland de que “a Ucrânia tem instalações de pesquisa biológica” que são perigosas o suficiente para justificar a preocupação de que possam cair nas mãos dos russos ironicamente constituiu uma evidência mais decisiva da existência de tais programas na Ucrânia do que o que foi oferecido em 2002 e 2003 para corroborar as alegações dos EUA sobre os programas químicos e biológicos de Saddam no Iraque. Uma confissão real contra os interesses de um alto funcionário dos EUA sob juramento é claramente mais significativa do que Colin Powell segurando um tubo de ensaio com uma substância desconhecida dentro enquanto apontava para imagens de satélite granuladas que ninguém conseguia decifrar.
Não é preciso dizer que a existência de um programa de “pesquisa” biológica ucraniana não justifica uma invasão da Rússia, muito menos um ataque tão abrangente e devastador quanto o que está se desenrolando: não mais do que a existência de um programa biológico semelhante sob Saddam tornaram justificável a invasão do Iraque pelos EUA em 2003. Mas a confissão de Nuland lança luz crítica sobre várias questões importantes e levanta questões vitais que merecem respostas.
Any attempt to claim that Ukraine’s biological facilities are just benign and standard medical labs is negated by Nuland’s explicitly grave concern that “Russian forces may be seeking to gain control of” those facilities and that the U.S. Government therefore is, right this minute, “working with the Ukrainians on how they can prevent any of those research materials from falling into the hands of Russian forces.”
A Rússia tem seus próprios laboratórios médicos avançados. Afinal, foi um dos primeiros países a desenvolver uma vacina contra a COVID, que Lancet , em 1º de fevereiro de 2021, declarou ser “segura e eficaz” (ainda que autoridades dos EUA tenham pressionado vários países , incluindo o Brasil, a não aceitar qualquer vacina, enquanto aliados dos EUA, como a Austrália, se recusaram por um ano inteiro a reconhecer a vacina russa COVID para fins de seu mandato de vacina). A única razão para estar “bastante preocupado” com essas “instalações de pesquisa biológica” caindo nas mãos dos russos é se eles contêm materiais sofisticados que os cientistas russos ainda não desenvolveram por conta própria e que podem ser usados para fins nefastos –ou seja , armas biológicas avançadas ou “pesquisa” de uso duplo que tem o potencial de ser transformada em arma.
O que há nesses laboratórios biológicos ucranianos que os tornam tão preocupantes e perigosos? E a Ucrânia, não exatamente conhecida por ser uma grande potência com pesquisa biológica avançada, teve a ajuda de outros países no desenvolvimento dessas substâncias perigosas? A assistência americana está limitada ao que Nuland descreveu na audiência - "trabalhar com os ucranianos sobre como eles podem impedir que qualquer um desses materiais de pesquisa caia nas mãos das forças russas" - ou a assistência dos EUA se estendeu à construção e desenvolvimento do próprias “instalações de pesquisa biológica”?
PolitiFact, 25 de fevereiro de 2022
Apesar de toda a linguagem desdenhosa usada nas últimas duas semanas pelos autoproclamados “verificadores de fatos”, confirma-se que os EUA trabalharam com a Ucrânia, ainda no ano passado, no “desenvolvimento de uma cultura de gerenciamento de biorisco; parcerias internacionais de pesquisa; e a capacidade dos parceiros para melhorar as medidas de biossegurança, biossegurança e biovigilância”. A Embaixada dos EUA na Ucrânia se gabou publicamente de seu trabalho colaborativo com a Ucrânia “para consolidar e proteger patógenos e toxinas de preocupação de segurança e continuar a garantir que a Ucrânia possa detectar e relatar surtos causados por patógenos perigosos antes que eles representem ameaças à segurança ou estabilidade”.
Essa pesquisa biológica conjunta EUA/Ucrânia é, obviamente, descrita pelo Departamento de Estado da maneira menos ameaçadora possível. Mas isso novamente levanta a questão de por que os EUA estariam tão seriamente preocupados com a pesquisa benigna e comum caindo nas mãos dos russos. Também parece muito estranho, para dizer o mínimo, que Nuland tenha escolhido reconhecer e descrever as “instalações” em resposta a uma pergunta clara e simples do senador Rubio sobre se a Ucrânia possui armas químicas e biológicas . Se esses laboratórios são apenas projetados para encontrar uma cura para o câncer ou criar medidas de segurança contra patógenos, por que, na mente de Nuland, isso teria algo a ver com um programa de armas biológicas e químicas na Ucrânia?
A realidade indiscutível é que – apesar das convenções internacionais de longa data que proíbem o desenvolvimento de armas biológicas – todos os países grandes e poderosos realizam pesquisas que, no mínimo, têm a capacidade de serem convertidas em armas biológicas. O trabalho realizado sob o pretexto de “pesquisa defensiva” pode, e às vezes é, facilmente convertido nas próprias armas proibidas. Lembre-se de que, de acordo com o FBI , os ataques de antraz em 2001 que aterrorizaram a nação vieram de um cientista de pesquisa do Exército dos EUA, Dr. Bruce Ivins, que trabalhava no laboratório de pesquisa de doenças infecciosas do Exército dos EUA em Fort Detrick, Maryland. A alegação era de que o Exército estava “meramente” realizando pesquisas defensivas para encontrar vacinas e outras proteções contra o antraz como arma, mas para isso o Exército teve que criarcepas de antraz altamente armadas, que Ivins então desencadeou como uma arma.
Um programa PBS Frontline de 2011 sobre esses ataques de antraz explicou: “em outubro de 2001, o microbiologista da Northern Arizona University Dr. Paul Keim identificou que o antraz usado nas cartas de ataque era a cepa Ames, um desenvolvimento que ele descreveu como 'arrepiante' porque essa cepa em particular foi desenvolvido em laboratórios do governo dos EUA.” Falando ao Frontline em 2011, o Dr. Keim explicou por que era tão alarmante descobrir que o Exército dos EUA estava cultivando cepas tão altamente letais e perigosas em seu laboratório, em solo americano:
Ficamos surpresos que fosse a cepa Ames. E foi arrepiante ao mesmo tempo, porque a cepa Ames é uma cepa de laboratório que foi desenvolvida pelo Exército dos EUA como uma cepa de desafio de vacina. Sabíamos que era altamente virulento. Na verdade, é por isso que o Exército a usou, porque representava um desafio mais potente às vacinas que estavam sendo desenvolvidas pelo Exército dos EUA. Não era apenas um tipo aleatório de antraz que você encontra na natureza; era uma cepa de laboratório, e isso foi muito significativo para nós, porque foi o primeiro indício de que isso poderia realmente ser um evento de bioterrorismo.
Esta lição sobre os graves perigos da chamada pesquisa de uso duplo em armas biológicas foi reaprendida nos últimos dois anos como resultado da pandemia de COVID. Embora as origens desse vírus ainda não tenham sido comprovadas com evidências dispositivas (embora lembre-se, os verificadores de fatos declararam desde o início que foi definitivamente estabelecido que ele veio de saltos de espécies e que qualquer sugestão de vazamento de laboratório era uma “teoria da conspiração”. ” apenas para a Casa Branca de Biden em meados de 2021 admitir que não conhecia as origens e ordenar uma investigação para determinar se veio de um vazamento de laboratório), o que é certo é que o Instituto de Virologia de Wuhan estava manipulando várias cepas de coronavíruspara torná-los mais contagiosos e letais. A justificativa era que isso seria necessário para estudar como as vacinas poderiam ser desenvolvidas, mas, independentemente da intenção, o cultivo de cepas biológicas perigosas tem a capacidade de matar um grande número de pessoas. Tudo isso ilustra que pesquisas classificadas como “defensivas” podem ser facilmente convertidas, deliberadamente ou não, em armas biológicas extremamente destrutivas.
Política Externa, 2 de março de 2022
No mínimo, a surpreendente revelação de Nuland revela, mais uma vez, quão fortemente envolvido o governo dos EUA está e há anos tem estado na Ucrânia, na parte da fronteira da Rússia que autoridades dos EUA e acadêmicos de todo o espectro passaram décadas alertando é o mais sensível e vulnerável para Moscou. Foi a própria Nuland, enquanto trabalhava para Hillary Clinton e o Departamento de Estado de John Kerry sob o presidente Obama, que estava fortemente envolvidano que alguns chamam de revolução de 2014 e outros chamam de “golpe” que resultou em uma mudança de governo na Ucrânia de um regime amigo de Moscou para um muito mais favorável à UE e ao Ocidente. Tudo isso aconteceu quando a empresa de energia ucraniana Burisma pagou US$ 50.000 por mês não ao filho de um oficial ucraniano, mas ao filho de Joe Biden, Hunter: um reflexo de quem exercia o poder real dentro da Ucrânia.
Nuland não só trabalhou para os Departamentos de Estado de Obama e Biden para administrar a política da Ucrânia (e, de muitas maneiras, a própria Ucrânia), mas também foi vice-conselheira de segurança nacional do vice-presidente Dick Cheney e depois embaixadora do presidente Bush na OTAN. Ela vem de uma das famílias reais neoconservadoras mais prestigiadas da América ; seu marido, Robert Kagan, foi cofundador do notório grupo neoconservador de guerra Project for the New American Century, que defendia a mudança de regime no Iraque muito antes do 11 de setembro. Foi Kagan, junto com o ícone liberal Bill Kristol, que (ao lado do atual editor-chefe do The Atlantic Jeffrey Goldberg), foi o maior responsável pela mentiraque Saddam estava trabalhando lado a lado com a Al Qaeda, uma mentira que desempenhou um papel fundamental em convencer os americanos a acreditar que Saddam estava pessoalmente envolvido no planejamento do 11 de setembro.
O fato de um neoconservador como Nuland ser admirado e empoderado independentemente do resultado das eleições ilustra como as alas do establishment de ambos os partidos estão unidas e em sintonia quando se trata de questões de guerra, militarismo e política externa. De fato, o marido de Nuland, Robert Kagan, estava sinalizando que os neoconservadores provavelmente apoiariam Hillary Clinton para presidente – fazendo isso em 2014, muito antes de alguém imaginar Trump como seu oponente – com base no reconhecimento de que o Partido Democrata agora era mais hospitaleiro à ideologia neocon do que o GOP, onde o neo-isolacionismo de Ron Paul e depois de Trump estava crescendo.
Você pode votar contra os neocons o quanto quiser, mas eles nunca vão embora. O fato de que um membro de uma das famílias neoconservadoras mais poderosas dos Estados Unidos vem conduzindo a política da Ucrânia para os EUA há anos – tendo passado de Dick Cheney para Hillary Clinton e Obama e agora para Biden – ressalta a pouca dissidência em Washington. em tais questões. É a vasta experiência de Nuland em exercer o poder em Washington que torna sua confissão de ontem tão surpreendente: é o tipo de coisa sobre a qual pessoas como ela mentem e escondem, não admitem. Mas agora que ela admitiu, é crucial que essa revelação não seja enterrada e esquecida.
Imagem em destaque: 8 de outubro de 2014: Secretária de Estado adjunta dos EUA, Victoria Nuland, em uma Base de Serviço da Guarda de Fronteira do Estado ucraniano em Kiev. (Embaixada dos EUA em Kiev, Flickr)
Esta não é a primeira vez que as conclusões favoráveis de um relatório ignoram os dados de um relatório. Os documentos da Pfizer parecem mostrar que todos eles estavam apenas passando pelos movimentos, tudo para mostrar.
Quando a Siri & Glimstad apresentou sua reclamação contra a FDA por não apresentar os documentos dos ensaios clínicos da Pfizer em sua vacina COVID-19, a FDA produziu uma torrente de documentos. Entre esses documentos, disponíveis via Saúde Pública e Profissionais Médicos para a Transparência , um documento se destaca. Vou resumir aqui alguns dos relatórios, mas certifique-se de obter sua própria cópia aqui . O arquivo desejado é “5.3.6 experiência pós-comercialização.pdf”, e o documento é intitulado “5.3.6 ANÁLISE CUMULATIVA DE RELATÓRIOS DE EVENTOS ADVERSOS PÓS-AUTORIZAÇÃO DE PF-07302048 (BNT162B2) RECEBIDOS ATÉ 28-FEV-2021”.
Dê uma olhada na Figura 1, que resume os 42.086 relatos de casos contendo 158.893 eventos.
Vejo mais de 20.000 distúrbios gerais GRAVES, mais de 10.000 eventos GRAVES do sistema nervoso, mais de 5.000 eventos GRAVES musculoesqueléticos e gastrointestinais cada.
A Tabela 2 da Pfizer lista >93.000 eventos que ocorreram em ≥2% dos eventos.
Observando a Figura 1 e o texto (grave e não grave): Distúrbios do sistema nervoso: 25.957. Distúrbios musculoesqueléticos e do tecido conjuntivo: 17.283. Distúrbios gastrointestinais: 14.096.
Existem mais categorias, você pode vê-las na Figura 1.
Enquanto isso:
Lembre-se que a Pfizer e a Moderna prometeram total transparência.
Lembre-se que a FDA teve acesso aos números da Pfizer.
Lembre-se de que esses dados não foram revisados por pares, e os dados de estudos de segurança de vacinas para aprovação da EUA e FDA não são, por uma questão de prática, sujeitos a revisão cega por pares. Por que não?
O que isso diz sobre o risco?
Infelizmente, não podemos saber. O número de doses dadas até a data em que o relatório foi gerado foi editado , evitando qualquer cálculo de taxas e riscos.
John Campbell ressalta que Janet Woodcock da FDA informou, relatando a aprovação dos EUA em 21 de agosto de 2021, disse o seguinte:
Sabendo que ela teve acesso a esses dados, John se pergunta como ela poderia dizer isso naquele momento?
John é um especialista em saúde pró-vacinas (enfermeiro aposentado, eu presumo) no Reino Unido que agora está chamando o comissário interino da FDA dos EUA. Ele liga para nosso Peter Marks, diretor do Centro de Avaliação e Pesquisa Biológica da FDA, para dizer o seguinte em um comunicado à imprensa:
“Nossos especialistas científicos e médicos realizaram uma avaliação incrivelmente completa e cuidadosa desta vacina. Avaliamos dados científicos e informações incluídas em centenas de milhares de páginas, realizamos nossas próprias análises de segurança e eficácia do Comirnaty e realizamos uma avaliação detalhada dos processos de fabricação, incluindo inspeções nas instalações de fabricação... (w)e não perdemos de vista que a crise de saúde pública do COVID-19 continua nos EUA e que o público está contando com vacinas seguras e eficazes. A comunidade pública e médica (sic) pode ter certeza de que, embora tenhamos aprovado esta vacina rapidamente, ela estava totalmente de acordo com nossos altos padrões existentes para vacinas nos EUA”.
Bom para você, John, por chamá-los, como todos devemos. Na verdade, ao redigir o denominador, o FDA pode estar infringindo o tribunal. Eles certamente desprezam a conscientização pública sobre os riscos associados à vacina da Pfizer.
A FDA precisa publicar o denominador editado para que possamos conhecer as taxas.
Aqui você pode ver John percorrer o relatório passo a passo e concluir que a FDA “destruiu” a confiança do público no processo. Racionalismo Popular
O Conselho Europeu reconheceu, na noite passada, as aspirações da Ucrânia em se juntar à União Europeia (UE). É o primeiro passo de um longo processo que visa dar início às negociações de adesão.
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) estiveram reunidos na noite desta quinta-feira em Versalhes, França, numa reunião da qual resultou o primeiro passo do processo de adesão da Ucrânia ao grupo.
Depois de cinco horas de discussão, o Conselho Europeu comunicou ter pedido à Comissão Europeia que se pronuncie sobre o pedido oficialmente apresentado pelo Presidente Volodymyr Zelenskyy para que a Ucrânia venha a ser um Estado-membro da UE.
Segundo o Politico, o Conselho Europeu publicou, já de madrugada, uma nota de condenação da guerra, apelando à responsabilização da Rússia pelos “crimes” cometidos em solo ucraniano.
No mesmo documento, os líderes “reconhecem as aspirações europeias e a escolha europeia da Ucrânia” e notam que o seu pedido de adesão foi “rapidamente” transmitido à Comissão Europeia. Está dado o primeiro passo de um longo processo.
“Noite histórica em Versalhes. Depois de cinco horas de discussão acesa, os líderes da União Europeia aceitaram a integração da Ucrânia na UE. O processo [de adesão] já começou”, escreveu, no Twitter, o Presidente da Lituânia.
“Cabe agora aos ucranianos a sua rápida conclusão. A Ucrânia é uma nação heroica que merece saber que é bem-vinda à UE”, acrescentou Gitanas Nausėda.
O processo é longo e, enquanto decorre, os líderes assinalaram a vontade de aproximar politicamente a Ucrânia da União Europeia. “Enquanto isto não acontecer e sem demora, reforçaremos ainda mais os nossos laços e aprofundaremos a nossa parceria para apoiar a Ucrânia na prossecução do seu caminho europeu. A Ucrânia pertence à nossa família europeia.”
Embora a declaração, publicada pouco depois das 3 da manhã, fosse inequívoca ao expressar a intenção da UE de ajudar a Ucrânia, inclusive com assistência política e financeira e proteção temporária para refugiados, não ofereceu a garantia de adesão que Zelenskyy tinha solicitado.
A 28 de fevereiro, o Presidente ucraniano assinou o pedido formal para a entrada do país na União Europeia. Na altura, a Comissão Europeia abriu a porta à entrada da Ucrânia na UE, mas lembrou que o processo é longo, apesar do pedido de Kiev de um procedimento especial para integrar o país “sem demora”.
À saída do encontro, o primeiro-ministro holandês Mark Rutte salientou isso mesmo: insistiu que a União Europeia já estava a tratar a candidatura da Ucrânia com uma rapidez sem precedentes, mas sublinhou que a avaliação da Comissão “levará tempo – meses, talvez anos, antes de se chegar a alguma conclusão”.
Ajuda e condenações
O comunicado conjunto dos chefes de Estado e Governo dos 27 membros da União Europeia lembra que a “agressão militar não provocada e injustificada da Rússia contra a Ucrânia”, iniciada há duas semanas, “é uma violação grosseira do direito internacional e dos princípios da Carta da ONU, e mina a segurança e a estabilidade da Europa e do mundo”.
“A Rússia, e a sua cúmplice Bielorrússia, têm responsabilidade total sobre esta guerra de agressão e vão ser responsabilizadas pelos seus crimes, incluindo por visarem indiscriminadamente civis e o objetos civis. Neste aspeto, saudamos a decisão do procurador do Tribunal Penal Internacional de abrir uma investigação”, lê-se na nota dos líderes europeus.
Este parágrafo do documento faz referência à possibilidade de os líderes políticos e militares russos virem a ser condenados por crimes de guerra, na sequência da abertura de uma investigação por parte do Tribunal Penal Internacional (TPI) pela prática por parte da Rússia de eventuais crimes de guerra e contra a Humanidade.
Além de pedirem que seja garantida a segurança das centrais nucleares ucranianas, que têm sido um alvo das forças russas, os líderes apelam a que a Rússia permita a assistência da Agência Internacional de Energia Atómica.
“Exigimos que a Rússia cesse a sua ação militar e retire todas as forças e equipamento militar de todo o território da Ucrânia imediata e incondicionalmente, e que respeite completamente a integridade territorial, a soberania e a independência da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas”, consta do documento.
Por outro lado, lembraram que já adotaram “sanções significativas” contra a Rússia e que se mantêm dispostos “a avançar rapidamente com mais sanções“.
Os chefes de Estado e de Governo da UE deixam também uma saudação ao “povo da Ucrânia pela sua coragem na defesa do seu país” e pelos “valores partilhados da liberdade e democracia”. “Não os vamos deixar sozinhos.”
A União Europeia promete continuar a enviar “apoio político, financeiro, material e humanitário” para a Ucrânia e compromete-se a ajudar na “reconstrução de uma Ucrânia democrática quando o massacre russo terminar”.
A cimeira de dois dias iniciada esta quinta-feira era originalmente consagrada à economia, mas focou-se na defesa e energia, por força da ofensiva russa na Ucrânia.
Agendada há muito pela atual presidência francesa do Conselho da UE, a cimeira era dedicada integralmente ao “novo modelo europeu de crescimento e investimento”, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia e as consequências do conflito para o bloco europeu impuseram alterações na ordem de trabalhos do encontro.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 516 mortos e mais de 900 feridos entre a população civil e provocou a fuga de mais de dois milhões de pessoas para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
A expedição espanhola levou vacinas para as colónias na América e usou órfãos como incubadoras para a varíola, dado que as vacinas se estragariam na longa viagem.
No século XVIII, os contágios da varíola estavam desenfreados, especialmente nas cidades. Sem cura, na altura o único método conhecido para se tratar a doença era a variolação, ou seja, infectar-se pessoas saudáveis propositadamente com uma pequena dose do pus de alguém que tivesse varíola, na esperança de que uma infecção mais branda ajudasse os pacientes a tornarem-se imunes.
Depois de notar que as vaqueiras eram imunes à varíola, Edward Jenner revolucionou a Medicina em 1796 ao criar a primeira vacina do mundo, depois de experimentar infectar os seus pacientes com a estirpe de varíola que afecta as vacas e descobrir que isto tornava os pacientes imunes, nota o IFLScience.
No entanto, a pandemia de varíola estava longe de estar resolvida, tanto que a doença só foi erradicada em 1980. Na altura, ainda sem aviões, havia um desafio ainda maior com a distribuição das vacinas por todo o planeta — e a Real Expedição Filantrópica para Vacinação, conhecida como Expedição Balmis tornou-se o primeiro programa
internacional de saúde da História.
Em 1830, o Rei Carlos IV de Espanha, que já tinha perdido vários membros da família para a varíola, decidiu enviar vacinas gratuitas para as colónias espanholas
mais remotas no continente americano, assim como todos os recursos
necessários para que estas implementassem um programa de vacinação
próprio em larga escala.
Mas mesmo com estas boas intenções, o método usado para fazer chegar a
vacina às colónias foi bastante duvidoso a nível ético. Sem modos de
transporte rápido, o pus das vacinas já não seria eficaz quando chegasse
ao destino, visto só ser viável durante alguns dias.
A equipa ponderou transportar vacas infectadas para as colónias, mas isso seria um pesadelo logístico. Assim optaram por usar órfãos como incubadores da doença, para que o vírus ainda chegasse vivo.
O navio levou assim 22 órfãos, entre os três e nove anos de idade.
Duas das crianças já partiram infectadas e o pus destas foi usado para
infectar duas outras. Quando chegaram ao destino, os colonos pagaram às
famílias locais para infectarem as suas crianças e poderem assim manter a doença viva e inocularem mais pessoas.
Apesar do sacrifício dos órfãos, a expedição acabou por ser um
sucesso e preveniu incontáveis novas infecções e mortes por varíola.
A Rússia e a Ucrânia são dois dos maiores exportadores de trigo e fertilizantes do mundo — e o conflito entre os dois países está a criar problemas aos seus compradores nas cadeias de fornecimento.
A guerra na Ucrânia está a abalar a Europa, mas as repercussões estão a ser sentidas por todo o mundo — e os ucranianos não são as únicas vítimas. Juntos, Rússia e Ucrânia são responsáveis por um quarto das exportações de trigo em todo o mundo, e o conflito entre ambos está a afectar a cadeia de fornecimento.
Devido ao clima árido e quente, que é também menos propenso à agricultura, o Médio Oriente e África estão a ser as regiões mais impactadas. Quase metade do trigo importado pela Tunísia tem origem ucraniana e os preços chegaram agora a um valor que já não era registado há 14 anos.
O Estado controla o preço do pão, mas os tunisinos receiam que a inflação causada pela guerra eventualmente se faça sentir nos seus bolsos. A economia do país já é frágil devido à crise que tem vivido nos últimos anos, com desemprego elevado e a dívida pública em alta.
Mas a Tunísia não está sozinha. O Iémen, que já está a sofrer com uma
guerra civil desde 2014 e uma consequente crise humanitária, está
também a sentir as réplicas do conflito europeu, visto que importa quase todo o seu trigo, com mais de um terço vindo da Rússia e da Ucrânia.
Para além disto, a dieta da população baseia-se muito no pão — numa altura em que cerca de oito milhões de crianças estão a passar fome, mais de metade das calorias diárias consumidas pelas famílias estão no pão, escreve o The Guardian.
O Líbano também está a ser afectado, visto que
mais de metade das suas importações de trigo são ucranianas. O Ministro
da Economia, Amin Salam, já terá dito que o país tem apenas trigo
suficiente para mais “um mês, ou um mês e meio“, estando já à procura de novos fornecedores.
Já no Egipto, mesmo antes da guerra, os preços do trigo já tinham subido 80%
entre Abril de 2020 e Dezembro de 2021 e o Governo anunciou que vai
aumentar o custo do pão, que é altamente subsidiado, pela primeira vez
em décadas.
“A insegurança alimentar causa agitação e violência”
A porta-voz do Programa Alimentar Mundial no Egipto, Abeer Etefa, acredita que o fornecimento de muitos bens de “importância particular” para o Médio Oriente e o norte de África já está a ser afectado pelo conflito.
Mesmo que os países optem por comprar a outros países, os produtos vão demorar mais a chegar e o transporte será mais caro do que se estes viessem da Ucrânia.
“A guerra leva a uma maior insegurança alimentar e a insegurança alimentar aumenta a probabilidade de haver agitação e violência“, afirma, alertando que a guerra na Europa pode assim acender conflitos noutras partes do planeta.
O preço da farinha de trigo subiu 15% no último ano em muitos países africanos e o óleo alimentar é também um terço mais caro, nota a Der Spiegel. A guerra promete agravar ainda mais a situação.
“Há já 276 milhões de pessoas em 81 países a sofrer
de fome aguda. O mundo simplesmente não aguenta com mais um conflito. A
guerra de Putin não está só a causar sofrimento na Ucrânia. Os efeitos
vão sentir-se muito além da região”, afirma Martin Frick, director do
Programa Alimentar Mundial na Alemanha.
No Quénia, o trigo é especialmente importante para a população mais pobre.
“Os preços vão subir ainda mais por causa da guerra e os mais pobres
vão sofrer ainda mais as consequências”, revela o economista queniano
Timothy Njagi.
Para além do trigo, a Ucrânia e a Rússia são também grandes
exportadores de fertilizantes, e os preços têm também notado uma
escalada. O problema acaba assim por ser um ciclo vicioso — com os
agricultores africanos a serem obrigadores a usar menos fertilizantes do que o normal, o que leva a colheitas mais pequenas e, consequentemente, mais caras.
A decisão surge pouco depois de ter sido noticiado que a Rússia estaria a usar as moedas digitais para escapar ao impacto das sanções.
Na quarta-feira, Joe Biden assinou uma ordem executiva que regula a fiscalização governamental das criptomoedas e apela à Reserva Federal que explore a possibilidade do Banco Central criar a sua própria moeda digital.
A administração Biden encara a explosão de popularidade das criptomoedas como uma oportunidade para examinar os riscos e benefícios das moedas digitais. Biden ordenou assim ao Departamento do Tesouro e outras agências federais que estudem o impacto das criptomoedas na estabilidade financeira e na segurança nacional.
Brian Deese e Jake Sullivan, os principais conselheiros de Biden para a economia e a segurança nacional, respectivamente, consideram que a ordem cria a primeira estratégia federal detalhada relativa às criptomoedas.
“Isso vai ajudar a posicionar os Estados Unidos que devem ter um papel de liderança na inovação e governação do ecossistema de bens digitais em casa e no estrangeiro, de uma forma que protege os consumidores, é consistente com os nossos valores democráticos e avança a competitividade global dos EUA”, afirmam num comunicado.
Esta ordem surge depois de ter sido noticiado que, dado o anonimato
que é oferecido, os bancos e oligarcas russos estariam a recorrer às
criptomoedas para escaparem às sanções que o Ocidente tem imposto depois do início da guerra na Ucrânia.
Os Senadores Democratas Mark Warner, Elizabeth
Warren e Jack Reed apelaram na semana passada a que o Departamento do
Tesouro começasse a pensar em estratégias para evitar que as
criptomoedas sejam usadas para este fim.
A Casa Branca já argumentou que as criptomoedas não serão suficientes para a Rússia colmatar o impacto das sanções.
Esta ordem executiva estava a gerar expectativa na indústria financeira visto que as moedas digitais ainda são muito pouco reguladas e voláteis, com denúncias de que estão a ser usadas para a lavagem de dinheiro.
A Reserva Federal avançou em Janeiro que as criptomoedas serviriam
mais os interesses do país através de um modelo em que os bancos e as
empresas de pagamentos criem carteiras digitais.
Antigo presidente da Ucrânia alega que o actual presidente deveria travar o “derramamento de sangue” e alcançar a paz “a qualquer custo”.
Viktor Yanukovych reaparece nas notícias, em tempo de guerra. O antigo presidente da Ucrânia dirigiu-se directamente (e acusou directamente) o actual presidente da Ucrânia.
Numa mensagem publicada pela Ria Novosti, agência estatal de notícias da Rússia, Yanukovych disse que a obrigação de terminar o conflito é de Volodymyr Zelenskyy.
“Tu és pessoalmente obrigado a parar o derramamento de sangue e chegar a um acordo de paz a qualquer custo”, de acordo com o antigo líder da Ucrânia.
“É isso que a Ucrânia, o Donbass e a Rússia esperam de ti. Os parceiros Ocidentais de Kiev também esperam por isso”, acrescentou Yanukovych.
Viktor Yanukovych, que foi retirado do cargo de presidente da Ucrânia na «Primavera» de 2014, vive exilado desde então, precisamente na Rússia.
Mais próximo de Moscovo do que da NATO, a imprensa ucraniana tem noticiado que uma das prioridades de Vladimir Putin nesta invasão é voltar a colocar Yanukovych na presidência da Ucrânia.
Robert Regan soltou uma frase inesperada durante um debate online: “Não sou um político. Estou a trabalhar nisso”.
O debate em directo ocorreu no domingo passado, através plataforma Rumble, e envolveu vários elementos conservadores da política dos Estados Unidos da América.
Robert Regan é candidato pelo Partido Republicano a congressista no Michigan. E é favorito à vitória no 74.º Distrito da zona Oeste daquele Estado, em Maio deste ano.
Mas tem sido um alvo de críticas desde domingo porque, para pedir a outro elemento que esquecesse a derrota nas eleições presidenciais de 2020, e para sublinhar que, quando o mal está feito nada se pode fazer, soltou uma frase inesperada.
“Eu tenho três filhas e costumo dizer-lhes: se a violação é inevitável, deves apenas deitar-te e aproveitar“, declarou Robert.
No dia seguinte, num podcast do Bridge Michigan, o candidato justificou a sua frase: “Eu queria dizer que há coisas inevitáveis”.
“Por vezes, as minhas palavras não são tão suaves e politicamente correctas, tal como as palavras dos políticos – porque eu não sou político. Estou a trabalhar nisso”, acrescentou.
Nesta quarta-feira voltou ao assunto e disse que a polémica à volta das suas palavras é uma “distracção” e considerou que “os eleitores merecem melhor do que a comunicação social e o sistema Republicanos têm oferecido”.
“Estamos cansados do que está estabelecido, sempre a dizerem-nos que «temos de nos contentar, é assim e é assim, pronto». E eu utilizei esse exemplo da violação. Porque não é isso que queremos. Mesmo em tempos muito difíceis, lutamos. Foi isso que os nossos fundadores fizeram”, explicou.
Robert Regan não é estreante em declarações controversas. Há poucos dias afirmou que o conflito na Ucrânia é uma “guerra falsa, tal como é falsa a pandemia”.
Já a sua filha, em 2020, pediu publicamente a todas as pessoas do Michigan para não votarem no seu pai.
O parlamento espanhol decidiu hoje criar uma comissão para investigar, pela primeira vez de forma oficial, os alegados abusos a menores pela Igreja Católica, uma instituição há muito acusada de opacidade sobre o assunto.
Proposta pelo Partido Socialista (PSOE), no poder, e pelo Partido Nacionalista Basco (PNV), esta iniciativa sem precedentes foi aprovada por uma maioria muito ampla de 277 votos num Congresso dos Deputados (câmara baixa do parlamento) com um total de 350 membros eleitos.
Ao contrário de outros países como os Estados Unidos da América, França, Alemanha, Irlanda e Austrália, em Espanha a violência sexual contra menores no seio da Igreja nunca foi sujeita a uma grande investigação.
O texto votado pelos deputados prevê que esta comissão independente seja presidida pelo provedor de Justiça e composta por representantes das autoridades, das vítimas e do clero.
A comissão será responsável por “investigar os atos execráveis cometidos por indivíduos contra crianças indefesas” e “identificar as pessoas que cometeram estes abusos, bem como aqueles que os encobriram”, antes de elaborar um relatório a ser apresentado ao parlamento, de acordo com o texto aprovado.
Esta investigação marcará “o início do fim de uma vergonha“, disse recentemente ao diário El País a deputada socialista Carmen Calvo, ex-número dois do Governo de esquerda de Pedro Sánchez.
Na ausência de dados oficiais, o diário El País lançou o seu próprio inquérito em 2018, listando 1.246 vítimas desde os anos 30. Por seu lado, a Igreja só reconheceu 220 casos desde 2001.
Tendo Espanha uma forte tradição católica, a Igreja teve um papel central na educação durante a ditadura de Francisco Franco (1936-1975).
Atualmente, mais de 1,5 milhões de crianças ainda estudam em cerca de 2.500 escolas católicas, de acordo com números da Conferência Episcopal Espanhola de 2020.
Vários países, entre os quais Portugal, estão a investigar os alegados abusos cometidos por membros da Igreja Católica ao longo dos anos, tendo o Papa Francisco reiterado em 20 de janeiro último que a instituição continua firme no seu compromisso de fazer justiça às vítimas.
“Na luta contra os abusos de todo o tipo, a Igreja continua firme no compromisso de fazer justiça às vítimas de abusos cometidos pelos seus membros, aplicando com particular atenção e rigor a legislação canónica prevista”, disse o Papa.
Russos colocaram na Ucrânia as suas melhores tropas mas não planearam muito bem esta ofensiva militar.
Quando o exército da Rússia chegou à Ucrânia no dia 24 de Fevereiro, a opinião generalizada foi: os russos vão vencer os ucranianos muito rapidamente. Comparando o poder militar dos dois países, essa conclusão era quase óbvia. Mas não é isso que está a acontecer.
Têm surgido imagens que mostram que os russos não estão assim tão fortes: equipamentos ultrapassados, falta de planeamento, derrotas no terreno, resistência dos adversários.
Paulo Batista Ramos, professor de Relações Internacionais, falou na rádio Observador sobre este tema. Indicou que a Rússia colocou na Ucrânia as suas tropas de elite e o melhor armamento disponível; e contratou mercenários, tropas de países aliados, para estarem na frente da batalha, com o objectivo de ter uma maior eficiência no combate, mas também para intimidar os ucranianos.
Mas as tropas de elite russas são tropas de topo? “Depende. Estamos a
comparar com os Estados Unidos da América? Estamos a comparar com as
forças armadas europeias? Ou estamos a comparar com as forças armadas
ucranianas?”, questionou o especialista.
“São as melhores tropas que a Rússia tem. Mas se a
opinião pública estava à espera de ver algo diferente… O que estamos a
ver neste conflito não é o que vimos no Iraque e no Afeganistão, em
intervenções dos EUA. Estamos a ver material um pouco bizarro, para não dizer obsoleto ou desadequado. Estamos a ver militares que parecem não estar preparados para a missão, estamos a ver falta de liderança e ainda falta de adaptação dos russos às condições no terreno”, descreveu.
E tudo isto parece “um pouco bizarro”, acrescentou Paulo, que acredita que o planeamento dos generais e dos estrategas russos não foi o mais adequado:
“Não mediram muito bem todas as consequências desta ofensiva, não
projectaram todos os cenários. E a resistência ucraniana foi uma
surpresa para todos”.
Questionado sobre um eventual bluff de Putin e seus ajudantes, há duas perspectivas. Primeira, a Rússia “está a fazer bluff há mais de 10 anos, através de estratégias de intimidação e de ciberataques”.
Segunda, esta é a primeira vez que estamos a ver o poder militar russo a operar e “parece que não está a corresponder às expectativas dos próprios russos e ao seu excesso de confiança”.
Resumindo: “Não há bluff. Há arrogância. E essa arrogância está a mostrar as fraquezas do poder russo”.
Neste cenário, o moral das tropas russas não estará muito elevado: “Não conseguimos medir o moral, mas temos muita dificuldade em encontrar imagens positivas
da propaganda do lado russo. Nem nos órgãos de comunicação social
controlados pelo Kremlin, vemos imagens que transmitam o mínimo de
eficiência e de capacidade das tropas russas”.
Paulo Batista Ramos abordou também os problemas logísticos do lado russo, nomeadamente no abastecimento: “Vemos soldados russos que, depois de derrotados, são alimentados pela população ucraniana“.
Fevereiro registou o maior aumento de inflacção dos últimos 40 anos. Análise nos EUA deverá expandir-se para outros países.
A inflacção nos Estados Unidos da América subiu 7,9% em Fevereiro deste ano, comparando com os números de Fevereiro de 2021. É a maior subida nos últimos 40 anos – a invasão russa à Ucrânia, “anunciada” no dia 21 e concretizada no dia 24, contribuiu para este aumento.
O relatório do grupo Accountable.US, publicado no sábado passado, já tinha mostrado que o índice de preços no consumidor nos EUA subiu 7% entre Dezembro de 2020 e Dezembro de 2021.
No entanto, o impacto não é igual para todos. Os consumidores pagam mais quando vão às compras, sofrem mais no seu orçamento mensal, ao mesmo tempo que as empresas ganham mais dinheiro.
A CNBC baseou-se em dados da empresa Refinitiv e verificou que o lucro das 500 principais empresas cotadas nas bolsas de Nova Iorque (NYSE e NDASAQ) subiu 49% ao longo do ano passado.
Os lucros das 30 maiores empresas dos principais sectores industriais nos EUA subiram 137.5 milhões de euros em 2021, ainda de acordo com os números do Accountable.US.
O mesmo relatório mostra que as mesmas empresas têm “premiado” os seus accionistas com mais 25 mil milhões de euros por ano.
“Essas empresas querem que os consumidores acreditem que aumentaram os preços apenas para acompanhar os custos externos, mas as dezenas de mil milhões em lucros extras e generosos brindes aos investidores no ano passado mostram o contrário“, destacou Kyle Herrig, presidente do Accountable.US.
As grandes empresas vêm os seus lucros a aumentar, aproveitando assim a disponibilidade (ou obrigatoriedade) dos consumidores em pagar mais pelo que consomem, sublinha o portal HuffPost.
“Ao contrário do que dizem, essas empresas altamente lucrativas podem escolher; e escolhem engordar os seus resultados em vez de estabilizar os preços para o consumidor”, acrescentou Kyle Herrig.
Do lado do consumidor, o desagrado aumenta: o índice de satisfação com o presidente Joe Biden diminuiu muito, desde que os preços começaram a subir.
Foi precisamente Biden a falar nesta terça-feira sobre a inflacção,
avisando as empresas de petróleo e gás para não utilizarem a guerra na
Ucrânia como pretexto para aumentar demasiado os preços: “Este não é o momento de especulação ou de manipulação de preços”.
As forças russas estão cercando Kiev pelo leste, noroeste e oeste, mas em 9 de março – mais de duas semanas após a invasão da Ucrânia – ainda adiaram seu ataque à capital. A inteligência ocidental diz que eles estão esperando por mais suprimentos de tropas e munição. Suas perdas são estimadas em cerca de 3.000 soldados nas mãos de combatentes da resistência ucraniana.
O eixo ocidental para Kiev passou para o controle das forças pertencentes ao líder checheno Ramazan Kadyrov, às formações de segurança interna de Rosgvardia da Rússia e ao Exército Privado da Liga (ex-Wagner). Moscou desdobrou esses mercenários na Síria e na Líbia. Sua aparição neste ponto pode indicar que os russos estão com falta de poder de combate convencional suficiente para finalmente desencadear o ataque à cidade. A leste, caças ucranianos desaceleraram a coluna russa saindo de Sumy em direção à capital. No entanto, os invasores estão apertando seu cerco em Khrakiv, enquanto desviam unidades para estender e proteger essa coluna. Dois grupos táticos do batalhão russo (BTGs) do 36º Exército de Armas Combinadas (CAA) avançaram em Byshiv, que é o ponto mais avançado da unidade russa para cercar Kiev na margem ocidental e cerca de 50 quilômetros a sudoeste do centro da cidade. Vários BTGs de elementos da 35ª CAA do exército russo e da 36ª brigada de fuzileiros motorizados da 29ª CAA iniciaram operações ofensivas contra Ivankiv, que fica a cerca de 70 km a noroeste do centro de Kiev. Unidades da 45ª Brigada Spetsnaz de Guardas de elite e da 98ª Divisão Aerotransportada estão atacando Rakivka, 30 km a noroeste do centro de Kiev. As tropas russas provavelmente estão tentando contornar Mykolayiv e cruzar o Bug do Sul rio acima daquela cidade para permitir um avanço em Odesa apoiado por um desembarque anfíbio do Mar Negro. Mais unidades estão saindo da Crimeia com Zaporizhya como objetivo.
Os EUA estão enviando duas baterias antimísseis Patriot estacionadas na Europa para a Polônia. Eles devem proteger as tropas norte-americanas, polonesas e outras aliadas no país, de uma repercussão deliberada ou inadvertida da guerra da vizinha Ucrânia, disse o Pentágono nesta terça-feira. A Polônia tem sido um ponto de apoio para a ajuda militar ocidental à Ucrânia, mas também abriga a maior onda de refugiados ucranianos em fuga da invasão de Moscou – cerca de dois milhões até o momento. O número de tropas americanas enviadas para a Europa é agora de cerca de 110.000. A ONU relata que a situação no leste e nordeste da Ucrânia é extremamente volátil, em meio a intensos combates, inclusive nos arredores de Kiev. Os civis nas cidades continuam presos pelos combates em condições terríveis, sem acesso a alimentos, água, eletricidade e suprimentos e serviços básicos, segundo Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU. A ONU disse que confirmou que 474 civis foram mortos e 861 feridos desde segunda-feira. Israel disse na terça-feira que ofereceria refúgio temporário a 5.000 refugiados ucranianos que não têm conexões judaicas e permitiria que 20.000 ucranianos que estavam em Israel antes da guerra, a maioria deles ilegalmente e sem vistos, ficassem até o fim dos combates. A decisão ocorre em meio a um intenso debate em Israel e no exterior sobre quão amplamente o país deve abrir suas portas para aqueles que fogem da guerra.
Três pessoas, incluindo uma criança, morreram no bombardeamento russo que atingiu um hospital pediátrico e uma maternidade em Mariupol, no leste da Ucrânia.
O ataque da Força Aérea russa, esta quarta-feira, a um hospital pediátrico e a uma maternidade de Mariupol, cidade portuária estratégia no Sul da Ucrânia, é “um crime de guerra”, denunciou o Presidente ucraniano, Volodimir Zelenskyy.
“Hoje é o dia que define tudo. Quem está de que lado. Bombas russas caíram sobre um hospital e uma maternidade em Mariupol (…) Os prédios estão destruídos. Os escombros estão a ser retirados”, realçou o chefe de Estado da Ucrânia, através de um vídeo.
“Que tipo de país, a Rússia, tem medo de hospitais e maternidades e os destrói?“, acrescentou, denunciando “atrocidades” infligidas a Mariupol, que está submetida a um bloqueio russo há mais de uma semana.
De acordo com as autoridades daquela cidade portuária, três pessoas, incluindo uma criança, morreram no bombardeamento que atingiu o hospital pediátrico. “Três pessoas morreram, incluindo uma menina”, disse o município numa informação divulgada no Telegram.
Volodimir Zelenskyy apelou a uma união na condenação ao ataque: “Europeus! Ucranianos! Moradores de Mariupol! Hoje temos de nos unir para condenar este crime de guerra da Rússia, que reflete todo o mal que os invasores fizeram ao nosso país”.
“O bombardeio aéreo é a prova final. A prova de que está a acontecer um genocídio de ucranianos (…) Nós nunca cometemos e nunca teríamos cometido um crime de guerra como este nas cidades de Donetsk ou Lugansk ou em nenhuma região”, assegurou, numa referência às duas cidades, no Leste ucraniano, detidas por separatistas pró-Rússia desde 2014.
A Câmara Municipal de Mariupol comunicou, através das redes sociais, que os danos foram “colossais“.
O bombardeamento do hospital pelas forças russas provocou indignação na comunidade internacional, quer por vários países ocidentais, como Estados Unidos e Reino Unido, quer por organizações como a ONU.
Em Moscovo, a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, referiu que “nacionalistas ucranianos” fizeram sair pacientes e funcionários do hospital para depois o usarem como base para disparos.
Já esta quinta-feira, questionado sobre o ataque, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, disse que “o hospital já estava sob controlo de radicais ucranianos e não tinha pacientes”. “Os meios de comunicação ocidentais não ouviram os dois lados sobre este assunto”, acrescentou.
Volodimir Zelenskyy partilhou no Twitter um vídeo que mostra os escombros do hospital, classificando o ataque como uma “atrocidade” e acusando o mundo de ser “cúmplice ao ignorar o terror“. O Presidente ucraniano afirmou, ainda, haver crianças presas no meio dos destroços.
Rússia vai deixar Conselho da Europa
O Governo russo anunciou que vai deixar de participar no Conselho da Europa e acusou os países da União Europeia (UE) e da NATO de minarem o organismo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo salientou que a UE e a NATO mantêm uma postura “hostil” e salientou que mantêm “uma linha de destruição do espaço comum do Conselho da Europa a nível humanitário e jurídico”.
Por outro lado, afirmou que Moscovo “não participará” nos esforços para “transformar” o Conselho da Europa “noutra plataforma para exaltar a superioridade e o narcisismo ocidentais“.
“Deixemos que desfrutem comunicar uns com os outros, sem a Rússia”, disse em comunicado, citado pela agência de notícias russa TASS, num momento de tensões crescentes sobre a invasão russa da Ucrânia.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 516 mortos e mais de 900 feridos entre a população civil e provocou a fuga de mais de 2,1 milhões de pessoas para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
Mais de 40 mil civis foram retirados de cidades sitiadas, mas nem todos os “corredores humanitários” previstos funcionaram.
De Mariupol, onde um hospital pediátrico foi atacado, voltou a não ser possível sair em segurança, segundo noticia o Público.
As armas prometidas por mais de 20 países à Ucrânia atravessam todos os dias a fronteira e são usadas pelas forças ucranianas para, por exemplo, derrubar aeronaves russas. Mas isso não chega para “fechar os céus”, como uma zona de exclusão área conseguiria.
Com todos os riscos de uma medida que teve pouco sucesso no passado, o Presidente Volodymyr Zelenskyy continuou a apelar, esta quarta-feira, ao denunciar o ataque contra uma maternidade e hospital pediátrico em Mariupol, no Sul do país.
“Há crianças debaixo dos escombros. Isto é uma atrocidade!“, lamentou Zelenskyy numa publicação no Twitter, acompanhada por um vídeo onde é visível a destruição no complexo hospitalar da estratégica cidade portuária.
“Fechem o céu agora!”, pediu, dias depois de ter desafiado os países ocidentais nos mesmos termos. “Se não têm força para fechar os céus, então dêem-nos aviões”.
Segundo Pavlo Kirilenko, governador da região de Donetsk, 17 adultos, membros do pessoal hospitalar, ficaram feridos.
“Não há nenhuma criança” entre os feridos e “nenhum morto“, esclareceu, em declarações à televisão ucraniana.
É esta cidade de 430 mil pessoas que espera desde sábado a abertura de “corredores humanitários” seguros para ali fazer chegar bens essenciais em falta, e retirar 200 mil civis.
Mas no dia em que foi possível resgatar 40 mil pessoas de cidades sitiadas, as supostas passagens seguras para Mariupol terão continuado a ser atacadas.
O vice-presidente da câmara, Sergi Orlov, afirmou que a cidade permanece sob “contínuo bombardeamento russo” e que já foram mortas 1.170 pessoas, incluindo as 47 enterradas durante o dia numa vala comum.
“Eles estão a bombardear o corredor humanitário“, acusou. O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmitro Kuleba, diz que a Rússia mantém ali “reféns” mais de 400 mil pessoas.
“Sem água, aquecimento, energia, gás, com os residentes a beber neve. É medieval”, descreve Orlov, citado por Luke Harding, no The Guardian.
Um dia depois de ter sido finalmente possível organizar um “corredor humanitário” e retirar 5000 pessoas de Sumi, no Nordeste, esta quarta-feira foram resgatadas 40 mil de Enerhodar (no Centro, onde fica a central nuclear de Zaporizhzhia), Irpin (subúrbio de Kiev) e Vorzel (50 quilómetros a noroeste da capital).
Para além de Mariupol, falharam as passagens seguras anunciadas para Bucha e Demidova, na região de Kiev, e de Izium, na província de Kharkiv, Leste do país.
Face aos crescentes ataques aéreos “indiscriminados e mortíferos” da Rússia, o Reino Unido vai enviar para a Ucrânia mais armas antitanques, assim como “mísseis antiaéreos portáteis de alta velocidade”, disse aos deputados britânicos o ministro da Defesa, Ben Wallace.
Nos dias que se seguiram ao início da invasão, a 24 de fevereiro, os Estados Unidos, a NATO, vários países europeus e a própria União Europeia anunciaram o envio de armas, munições e todo o tipo de equipamento militar.
Na última sexta-feira, vários jornalistas acompanharam o chefe do Estado-maior norte-americano, general Mark Milley, numa visita a uma base “perto da fronteira com a Ucrânia”, onde aterram “14 aviões por dia” e “um bailado se organiza para expedir discretamente as toneladas de assistência militar prometidas” à Ucrânia, escreveu o enviado da AFP.
Estes jornalistas não puderam revelar a localização, mas outros que estão na Polónia, como os da rádio France Inter, descrevem de forma semelhante uma base perto de Jaroslaw, por onde “transitam mísseis antiaéreos, rockets antitanque, espingardas de assalto e munições”.
Segundo o Pentágono, até ao final da semana passada, os EUA já tinham feito chegar à Ucrânia mais de dois terços das armas prometidas e as forças ucranianas estão a usá-las com “eficiência” para atrasar os avanços russos.
Ouvido pela BBC, Justin Bronk, do Royal United Services Institute, diz que é possível confirmar o derrube de pelo menos 20 helicópteros e jatos russos, um número pequeno, mas que “mostra as dificuldades da Rússia para impor a supremacia nos céus”.
Bronk explica que foi a capacidade da Ucrânia para manter alguns sistemas de defesa aérea da era soviética que forçou os russos a voar mais baixo, o que os torna vulneráveis aos mísseis de curto alcance fornecidos pelos países ocidentais.
Bronk, como outros analistas, faz notar que mais difícil do que fazer entrar armamento na Ucrânia pode ser distribuí-lo dentro do país. E não se sabe por quanto tempo Moscovo vai permitir que as rotas usadas funcionem.
Marc Finaud, do Centro de Políticas de Segurança, de Genebra, diz que os russos já as poderiam ter interrompido. Não o fizeram para evitar a escalada que representaria “visar linhas de reabastecimento ocidentais”, disse à Deutsche Welle.
“Os aliados estão a ajudar a Ucrânia a garantir o seu direito à autodefesa, reconhecido na Carta da ONU”, afirmou na terça-feira o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.
“A Rússia é o agressor e a Ucrânia está a defender-se. Se houver algum ataque contra qualquer país da NATO, isso vai acionar o Artigo 5.º”, que consagra o compromisso com a defesa coletiva.
Cidade tem menos de 20 habitantes. O porto de Antuérpia iria ser alargado, segundo os planos de 1965. Até 2022, nada avançou.
“A cidade Doel, por si só, é um fenómeno. Foi abandonada. Então agora é uma cidade fantasma. É uma paisagem típica de um filme pós-apocalíptico. É um daqueles sítios turísticos insólitos da Bélgica. É um pequeno fenómeno aqui da Bélgica pouco conhecido”.
Palavras de Hugo, um português que mora na Bélgica contactado pelo ZAP. E tem razão: o fenómeno também não era conhecido por cá, até que a guerra na Ucrânia passou a incluir Doel na lista de possíveis tópicos na nossa redacção.
A partir de Moscovo já se ouviram, várias vezes, declarações sobre armas nucleares. Embora Vladimir Putin e seus ajudantes continuem a recusar que estamos a caminhar para uma guerra nuclear, essa ameaça tem originado um grande aumento na procura por iodo – que poderá proteger as pessoas de um eventual envenenamento por radiação.
Na Bélgica, há pessoas “paranoicas” a correr até às farmácias para comprar iodo. E é na Bélgica que podemos visitar Doel, uma cidade que tem uma central nuclear.
Por partes. O “fenómeno” e o “abandono” estão relacionados com um anúncio do Governo flamengo: iria demolir praticamente todas as habitações em Doel por causa da expansão do porto de Antuérpia – cidade que fica do outro lado do rio Escalda.
Esses planos de expansão já foram anunciados em 1965. Três anos depois, em 1968, foi proibida a construção de casas ou outros edifícios naquela cidade.
Nessa altura, a previsão era clara: Doel vai desaparecer completamente. As pessoas venderam as suas casas, começaram a abandonar a cidade.
Os anos 80 foram mais tranquilos, a demolição deixou de ser assunto. Mas 30 anos depois, em 1995, nova mudança de ideias e a expansão do porto voltou a ser assunto, parecia que as obras iriam mesmo avançar. Casas demolidas e quase ninguém ficou a viver em Doel.
Os Governos locais foram mudando, os planos também e os próprios moradores (alguns) foram resistindo.
Mas a evacuação aconteceu mesmo. Doel, outrora uma cidade importante e agitada na zona da Flandres Oriental, agora tem menos de 20 habitantes.
Ou seja, as pessoas foram “obrigadas” pelas autoridades locais a sair, mas as obras de expansão do porto nunca foram realizadas.
Edifícios históricos foram destruídos, as casas ficaram (algumas), numa cidade que ficou quase vazia. Daí a “cidade fantasma”, que parece uma “paisagem de um filme pós-apocalíptico”.
E era realmente um “fenómeno pouco conhecido” até que, já durante a pandemia, o protagonista de um programa televisivo dedicado a viagens “alternativas” foi forçado a fazer viagens dentro da Bélgica.
Um dos sítios que mereceram atenção nessas emissões especiais foi Doel, que assim passou a ser muito mais popular – os turistas gostam de passear por uma cidade com uma central nuclear, que quase não tem habitantes e que parece um museu ao ar livre, carregando um passado de vandalismo, pilhagem e algumas raves. A polícia tem estado mais atenta, na zona.
O anúncio político mais recente foi do ministro flamengo Matthias Diependaele: a expansão do porto de Antuérpia vai mesmo avançar – mas Doel fica.