Um estudo divulgado pelo Governo britânico indica que a nova
variante do novo coronavírus, agora predominante naquele território,
pode ser até 70% mais mortal que as anteriores.
O novo relatório, que se baseia na análise de cerca de 12 estudos,
revela que a chamada variante ‘Kent’, nome do condado onde foi
inicialmente identificada, é provavelmente 30% a 70% mais mortal do que
outras variantes, noticiou no domingo a agência Lusa.
Os estudos compararam a hospitalização e as taxas de mortalidade
entre os infetados com a nova variante e com outras. “Os resultados da
análise são preocupantes”, disse o médico David Strain, professor
catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter e
responsável clínico da Covid-19 no Royal Devon & Exeter Hospital.
“A maior transmissibilidade significa que as pessoas que
anteriormente estavam entre as de baixo risco de contrair a covid-19
[particularmente as mulheres mais jovens e em boa forma física] estão
agora a apanhá-la e acabam no hospital”, afirmou Strain.
Segundo o mesmo especialista, “isto é realçado pelos últimos números
de hospitalizados, que agora indicam uma proporção de quase 50/50 entre homens e mulheres, em comparação com o facto de ser predominante nos homens na primeira vaga”.
Os resultados do Estudo do New and Emerging Respiratory Virus Threats
Advisory Group, publicado na sexta-feira na página oficial do Governo
britânico, tem por base uma investigação preliminar, que foi divulgada a
21 de janeiro. O grupo responsável pelo estudo inclui peritos de
universidades e agências públicas de todo o Reino Unido.
Os consultores científicos do Governo do Reino Unido manifestam ainda
preocupação sobre como as mutações podem alterar as características da
doença.
A variante do Reino Unido tinha, na passada quinta-feira, uma prevalência de 43% no número de novos casos de covid-19 registados em Portugal, revelou naquele dia o primeiro-ministro, António Costa.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.394.541 mortos no
mundo, resultantes de mais de 108,5 milhões de casos de infeção, segundo
a agência AFP. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
Pelo menos seis pessoas que escoltaram Roger Stone, amigo de
longa data de Donald Trump, entraram no Capitólio durante o ataque de 6
de janeiro.
De acordo com o jornal norte-americano The New York Times,
um grupo de seis homens escoltou Roger Stone, amigo de longa data de
Donald Trump, no dia do ataque ou no dia anterior. Os homens estão
associados aos Oath Keepers, uma milícia antigovernamental de
extrema direita que é conhecida por fornecer segurança para
personalidades de direita e manifestantes em eventos públicos.
O mesmo jornal vasculhou centenas de vídeos e fotografias e recorreu a pesquisas de um grupo de monitorização online chamadoCapitol Terrorists Exposers para rastrear a equipa de segurança que escoltou Stone em 5 e 6 de janeiro.
Em 5 de janeiro, um dia antes do ataque ao Capitólio, Stone faz duas
aparições públicas em Washington em apoio às alegações infundadas de
fraude eleitoral de Trump. Na tarde de 5 de janeiro, após um discurso no
Supremo Tribunal dos Estados Unidos, Stone é conduzido por um dos seis Oath Keepers, enquanto os outros homens do grupo mantêm a multidão afastada.
Naquela noite, Stone falou noutro comício perto da Casa Branca, no
qual proclamou que “venceremos esta luta ou a América entrará em mil
anos de escuridão”.
Vários dos Oath Keepers continuam a fornecer segurança neste evento.
Na manhã de 6 de janeiro, Stone é visto do lado de fora do hotel Willard InterContinental, a um quarteirão da Casa Branca.
Esta é a última vez que Stone é visto naquele dia em qualquer uma das filmagens analisadas pelo The New York Times. O amigo de Trump continuou a promover discursos e comícios online que faria perto do Capitólio naquela tarde. Porém, nunca apareceu.
Perto de uma das entradas do Capitol, alguns membros da equipa de
segurança provocam a polícia, que está a tentar proteger o prédio. Os
vídeos mostram todos os seis guardas de segurança dentro do edifício do Capitólio durante o ataque. Alguns encontram-se com outros Oath Keepers, incluindo dois que foram acusados de conspiração. Outros são vistos nos corredores.
Em 10 de fevereiro, Stone postou uma declaração, dizendo que “não viu
nenhuma evidência de atividade ilegal por parte de qualquer membro” dos
Oath Keepers, e que se houvesse prova, “deveriam ser processados”.
Em julho passado, Donald Trump comutou a pena de 40 meses de prisão de Roger Stone. O ex-conselheiro foi condenado por ter mentido ao Congresso e manipulado testemunhas na investigação sobre a interferência russa na campanha presidencial de 2016.
O antigo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi absolvido este sábado da acusação de “incitamento à insurreição” no julgamento de impeachment de que foi alvo após o ataque ao Capitólio no passado dia 6 de janeiro.
Estudo divulgado por cientistas no jornal Frontiers in Psychiatry relatou que pessoas com depressão
têm uma característica diferente em seus cérebros: menor quantidade de
astrócitos, um tipo de célula cerebral em forma de estrela.
Comparando cérebros
de pessoas depressivas com os de pessoas sem a doença, o número dessas
células se apresenta muito diferente. Isso fez os cientistas concluírem
que os astrócitos são extremamente afetados na depressão.
“Já se sabia antes que isso acontecia, mas mostramos aqui que
acontece em todo o cérebro, e não em uma região específica. Nos fazendo
pensar que essa quantidade menor de astrócitos é uma parte muito maior
da depressão, que pode ser passível de novas estratégias de tratamento”,
disse o co-autor do estudo Liam O’Leary, doutorando no Departamento de
Psiquiatria da Universidade McGill em Montreal.
(Fonte: Pixabay/Reprodução)
Essas células fornecem energia aos neurônios e suportam a
neurotransmissão, ou a retransmissão de sinais cerebrais, embora não
enviem sinais elétricos. Eles pertencem a um grupo de “células
auxiliares” no cérebro conhecidas como gliais. Os cientistas costumavam
pensar que as células
da glia apenas forneciam suporte estrutural aos neurônios como um
suporte físico, mas agora perceberam que a glia tem papéis ‘ativos’ na
função cerebral.
“A maioria dos estudos sobre depressão olha apenas para uma região
do cérebro com um marcador. Mas no novo estudo, investigamos várias
regiões do cérebro com vários marcadores e descobrimos que a maioria
deles tinha essa mesma diminuição no número de astrócitos”, completou.
(Fonte: Pixabay/Reprodução)
Os primeiros estudos de cérebros pós-morte de pessoas com depressão
descobriram que algumas regiões tinham menos células gliais, embora não
se saiba que tipo de célula glial foi afetada. Estudos posteriores
descobriram que em várias regiões do cérebro – como a amígdala, o
hipocampo e o córtex pré-frontal – as pessoas com depressão têm uma
densidade menor de astrócitos que produzem uma proteína chamada GFAP,
que pode servir como um marcador astrocitário.
Segundo O’Leary, uma redução nos astrócitos nas regiões do cérebro
estudadas pode ter efeitos negativos, já que esses locais formam um
circuito considerado importante para a tomada de decisões e regulação
emocional, funções afetadas pela depressão. Com menos astrócitos para
sustentá-los, os neurônios neste circuito podem não funcionar tão bem
como fariam de outra forma.
Ao contrário das cerimónias de Hollywood, onde ser nomeado
por uma painel de especialistas é uma honra, o Prémio Nobel da Paz
aceita indicações de milhares de candidatos de diferentes áreas.
Segundo a Reuters, após o encerramento do pedido de indicações deste ano, Alexei Navalny, o líder da oposição russa, Greta Thunberg, a ativista das mudanças climáticas, e a Organização Mundial da Saúde estão entre os nomes sugeridos.
Também foram mencionados nomes como o de Stacey Abrams, o ex-líder da Geórgia que ficou conhecido por aumentar a participação eleitoral no ano passado, e Jared Kushner, genro e conselheiro do ex-presidente dos EUA Donald Trump.
Trump também foi indicado ao prémio nos últimos dois anos da sua
presidência, sem contar com as duas indicações que foram falsificadas em
2018.
A lista de pessoas que podem indicar candidatos é longa e inclui
membros de governos nacionais, funcionários à frente de organizações
internacionais para a paz, professores universitários e vencedores de
edições anteriores.
O comité do Nobel afirma que o grande número de pessoas ou entidades que podem fazer inscrições garante uma “grande variedade de candidatos”,
mas o grupo é sigiloso sobre o processo e não responde a pedidos de
esclarecimento dos critérios de elegibilidade dos proponentes.
Revelou apenas que no ano passado haviam 318 inscrições.
Ao que se sabe, existem poucos critérios para a nomeação de candidatos
e, às vezes, alguns têm aproveitado o processo por razões puramente
políticas.
Um dos casos mais famosos foi o de Adolf Hitler. O Führer
foi apresentado como “o príncipe da Paz na Terra”. Dizia o seu
proponente, Erik Brandt, que Hitler tinha um “ardente amor pela paz”.
Por esta altura já a Alemanha tinha anexado a Áustria e invadido os
Sudetos – uma cadeia montanhosa na fronteira alemã com a República Checa
e a Polónia. De lembrar que Hitler matou cerca de seis milhões de
judeus e milhares de comunistas. Além de ciganos, pessoas com
deficiência, entre outros.
Estaline, o líder da União Soviética, foi nomeado duas vezes, em 1945 e 1948.
O ditador italiano, Benito Mussolini, também não
ficou de fora. O político, um dos fundadores do fascismo, foi proposto
antes de todos os outros: em 1935. Uns meses antes de a Itália invadir a
Etiópia. Só nesta invasão, morreram 30 mil pessoas.
De salientar que o Comité Nobel não levou nenhuma destas propostas a sério.
Atualmente, o processo de seleção para determinar o vencedor é muito mais rigoroso. A comissão, nomeada pelo Parlamento norueguês,
delibera em segredo a partir de fevereiro. O grupo reduz a lista de
indicados para 20 ou 30 candidatos antes de entrar num período de meses
de consideração. O vencedor é anunciado em outubro de cada ano.
O comité do Nobel tem vindo a enfatizar que as nomeações não
representam o endosso do grupo e “não podem ser usadas para sugerir
afiliação ao Prémio Nobel da Paz”. Ainda assim, e segundo o NYT, Donald Trump é um exemplo de como as próprias indicações podem ser usadas para projetar influência.
Em 2019, Trump disse aos seus apoiantes que tinha sido nomeado pelo então primeiro-ministro Shinzo Abe, uma declaração que Abe se recusou a confirmar.
No ano passado, depois de dois políticos europeus revelarem que nomearam Trump, a assessora de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, referiu-se à nomeação como “uma honra merecida, conquistada com dificuldade pelo presidente”.
Na verdade, Trump tinha sido nomeado por dois membros escandinavos do
Parlamento de direita. Durante um comício em outubro de 2020, o
republicano reclamou que a sua nomeação tinha sido menos comentada nos media do que a de seu antecessor, o ex-presidente Barack Obama que ganhou o prémio em 2009.
O prémio concedido a Obama, apenas nove meses após seu primeiro
mandato, foi recebido com espanto e perplexidade, até mesmo pelo
vencedor.
“Para ser honesto sinto que não mereço estar ao lado de tantas
figuras transformadoras que receberam a honra deste prémio”, assumiu o
ex-presidente dos EUA.
Desde 1901 que são atribuídos prémios Nobel, mas nem sempre as escolhas são consensuais.
Apesar de, hoje em dia, serem usadas para cortar madeira das
árvores, as motosserras foram projetadas originalmente para o parto.
Nos dias de hoje, o parto nem sempre é fácil. Porém, antes de haver
óxido nitroso, saneamento e morfina, o processo era significativamente
pior.
Segundo o IFLScience, o primeiro registo escrito de uma cesariana bem-sucedida vem da Suíça nos anos 1500,
realizada por um castrador profissional de vacas à sua esposa. De
acordo com o relato – escrito 82 anos depois e contestado por alguns
historiadores -, a mãe e o bebé sobreviveram (e o filho viveu até aos 77
anos).
Nos Estados Unidos, o primeiro relato sobre cesarianas foi publicado numa edição de 1830 do Western Journal of Medical and Physical Sciences. O médico John L. Richmond descreveu o caso de um parto difícil durante uma tempestade.
Depois de muitas horas, com o trabalho de parto a não progredir, o
médico acreditou que a vida da mulher estava em grave perigo e “sentindo
um profundo e solene senso” de responsabilidade, “com apenas uma caixa
de instrumentos de bolso comuns, por volta da uma da manhã”, começou a
cesariana.
Usando a lâmina de uma tesoura torta, Richmond cortou a mãe e tentou
remover o feto. No entanto, “como era anormalmente grande e a mãe muito
gorda e sem assistência, achei essa parte da minha operação mais difícil do que esperava“,
escreveu. Com a mãe em demasiada agonia, decidiu que “uma mãe sem
filhos era melhor do que uma criança sem mãe” e começou a salvar a mãe e
a remover o feto.
Assim, antes de serem usados antissépticos e anestésicos na medicina,
as cesarianas eram de risco extremamente alto e, portanto, raras.
Naquela altura, desde 1597 até quando as cesarianas se tornaram
seguras, era muito mais comum um procedimento cirúrgico conhecido como sinfisiotomia,
em que a sínfise púbica – uma articulação feita de cartilagem acima da
vulva – era cortada para alargar a pelve e facilitar o parto.
Como todos os procedimentos cirúrgicos da época, este não era isento
de riscos e a rapidez era essencial. Quanto menos tempo gasto na
operação, menor a probabilidade de o paciente entrar em choque ou desenvolver uma infeção mortal.
No final do século XVIII, dois médicos escoceses, John Aitken e James
Jeffray, descobriram uma solução para fazer o trabalho com muito mais
rapidez e eficiência: uma motosserra. A primeira
motosserra do mundo era uma serra flexível baseada numa corrente de
relógio com dentes que se moviam com uma manivela.
O dispositivo, produzido em 1806, passou a ser usado para remover articulações com problemas e acabou por ser mecanizado.
Só em 1905 é que alguém pensou em usar esta tecnologia para cortar lenha.
Atualmente, as sinfisiotomias já não são realizadas, mas às vezes ainda acontecem em países do Terceiro Mundo, onde não existe uma sala de cirurgia para uma cesariana.
O comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton,
explicou, esta segunda-feira, que está a ser estudado “um conjunto de
recomendações” para viajar sem restrições no verão, incluindo um
certificado de imunidade ao coronavírus ou um teste rápido.
“Para retomar uma vida quase normal e social são necessárias duas
coisas: passar por esta fase e respeitar os comportamentos sociais para
evitar a contaminação, e dar, a quem quiser deslocar-se, garantias de
que não é portador do vírus, para si e para outros“, disse Thierry Breton, comissário europeu para o Mercado Interno, na TV BFM.
Thierry Breton, que reconheceu que as autoridades do turismo em
vários países europeus estão a pedir medidas para permitir viagens,
disse que se estuda a possibilidade de emissão de um certificado.
A segunda condição é que existam testes rápidos
“fiáveis e tão precisos quanto possível”, para os quais as autoridades
estão a trabalhar e a refletir em conjunto com os cientistas, para que
sejam produzidos testes “rapidamente e em abundância”.
“Quando se entrar num avião, ou se faz um teste rápido ou se mostra
um certificado de imunidade”, disse Thierry Breton, observando que as
companhias aéreas também estão à procura de soluções.
O comissário francês, que chefia um grupo de trabalho sobre a
produção de vacinas na União Europeia desde a semana passada, explicou
que a falta de vacinas na Europa se deve à produção.
“Temos três vacinas licenciadas, mais duas nas próximas semanas. Em
menos de um ano, teremos cinco vacinas que funcionam, é uma conquista
científica. O problema é a produção, temos de aumentar a potência das nossas ferramentas industriais”, afirmou.
A solução não será construir novas fábricas, o que pode demorar cerca de cinco anos, mas reforçar o apoio das que já existem, uma dúzia na União Europeia e na Suíça.
Segundo Thierry Breton, o seu objetivo é que, até ao final do verão,
todos os cidadãos da União Europeia que pretendam ser vacinados possam
fazê-lo. “Temos de nos tornar o primeiro continente em produção de
vacinas em 18 meses”, afirmou.
Uma sondagem feita pela televisão pública espanhola (TVE)
indica que os partidos independentistas catalães deverão manter a
maioria absoluta dos lugares no parlamento da Catalunha, depois das
eleições que se realizaram este domingo.
O Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC-PSOE) teria sido o mais
votado, mas o sistema de votação deverá fazer com que tenha a segunda
maior representação no parlamento da Catalunha, com 34 a 36 lugares.
De acordo com a projeção feita, a Esquerda Republicana da Catalunha
(ERC, independentista), mesmo sendo o segundo mais votado, será o
primeiro em termos de representação na assembleia regional, com 36 a 38
dos 135 lugares.
O terceiro partido mais votado seria o Juntos pela Catalunha
(JxC, independentista) do antigo presidente Carles Puigdemont fugido
atualmente na Bélgica que obteria entre 30 e 33 dos deputados.
Os partidos independentistas conseguiriam, segundo esta sondagem,
obter uma maioria de mais de 68 representantes na assembleia regional,
podendo manter a direção do governo regional, se conseguirem negociar um pacto entre si.
Segundo o Observador, cinco a seis outros partidos conseguiram passar os 3% de votos que lhes garantem representação parlamentar: Catalunya en Comú, a extensão catalã do Podemos, com 6 a 7 deputados; a CUP (extrema esquerda antissistema, anticapital e antieuropeísta) com 7; e VOX (extrema-direita), que entraria pela primeira vez no parlamento catalão com 6 representantes.
O Ciudadanos, que nas eleições de 2017 ficou em primeiro com 36 assentos, fica-se pelos 6 ou 7 assentos; e o PP catalão com 4 ou 5 deputados. O PdeCat pode chegar aos dois assentos.
Nestas eleições, no que foi a decisão mais controversa, os eleitores portadores do vírus da covid-19 ou em quarentena tiveram o direito de votar das 18h às 19h, antes do fecho das urnas.
Os membros das mesas de voto vão ter equipamento de proteção completo
para vestir nessa franja horária, tendo muitos deles tentado
desvincular-se da obrigação de assegurar o funcionamento das mesas
eleitorais.
A Catalunha está situada no nordeste de Espanha e é uma das 17
comunidades autónomas do país, com um Governo e um parlamento regional,
assim como uma polícia própria (Mossos d’Esquadra).
O executivo catalão, assim como o das outras comunidades autónomas, tem poderes importantes em áreas como a Educação e a Saúde,
mas as outras principais áreas de governação estão nas mãos do Governo
central: impostos, negócios estrangeiros, defesa, infraestruturas
(portos, aeroportos e caminhos de ferro), entre outros.
A região tem cerca de 7,8 milhões de habitantes e é considerada a mais rica de Espanha, produzindo um quinto da riqueza do país e com um PIB anual superior ao de Portugal ou da Grécia.
Um novo relatório, publicado na The Lancet, uma das
revistas científicas mais prestigiadas do mundo, tentou quantificar o
custo humano da gestão da pandemia de covid-19 pela Administração Trump.
O tempo do Presidente Trump no cargo trouxe infortúnio para os
Estados Unidos e para o planeta”, lê-se na introdução do artigo
científico, que refere que, entre as mais de 450 mil mortes por covid-19
no país, cerca de 40% poderiam ter sido evitadas.
O relatório, publicado no dia 10 de fevereiro na The Lancet,
critica a minimização da doença por parte do então Presidente dos
Estados Unidos, o aumento de tratamentos não comprovados como a
hidroxicloroquina e a redução da ênfase da Administração Trump na saúde
pública, que inclui a eliminação de uma unidade pandémica do Conselho de
Segurança Nacional em 2018, menos de dois anos antes da pandemia
atingir o país.
A Vice escreve que a falha em responder com eficácia à pandemia afetou desproporcionalmente as pessoas de cor,
aumentando a diferença da expectativa de vida entre negros e brancos em
mais de 50%. As taxas de mortalidade por covid-19 são 3,6 vezes maiores
para pessoas de cor do que para brancos não hispânicos, segundo o
estudo.
A difícil implementação do plano de vacinação também
consta na lista de críticas apontadas no artigo, com os especialistas a
afirmarem que o planeamento teria evitado o “desperdício” e a
“confusão”.
O relatório publicado na The Lancet alega ainda que o impacto de Donald Trump na saúde pública foi desastroso mesmo antes da pandemia:
22.000 mortes extras relacionadas com fatores ambientais e ocupacionais
em 2019, em comparação com o último ano da presidência de Barack Obama.
No entanto, o problema vai muito além de Donald Trump. Steffie Woolhandler, uma das autoras do estudo, disse à Vice
que os investigadores chegaram à conclusão “que se passaram quatro
décadas de falhas constantes do Governo em relação ao apoio de políticas
de saúde”.
Desta forma, sugerem uma reforma na infraestrutura de saúde pública do país para resolver o problema. Além de dar ao CDC (Centers for Disease Control and Prevention) mais ferramentas para combater o racismo sistémico, os investigadores recomendam a transição para um sistema Medicare for All, como o defendido pelo senador Bernie Sanders.
“Precisamos, no mínimo, de um programa de saúde universal”, disse David Himmelstein, outro autor do artigo científico.
As autoridades de saúde de França mostraram este sábado
preocupação com a gravidade de uma reinfeção com a estirpe sul-africana
do novo coronavírus, num doente em cuidados intensivos, diferenciando-se
da maioria das reinfeções que tinham sido leves.
O doente “está em estado grave e ligado a um ventilador”, informou em
comunicado a entidade que agrupa os hospitais de Paris (APHP). O
paciente, que tinha estado infetado com covid-19 em setembro, sofre
também de asma, divulgou a agência EFE, sublinhando a sua sensibilidade a quaisquer problemas respiratórios adicionais.
“O que nos preocupa é a gravidade desta segunda infeção
com uma nova variante do vírus”, disse o chefe de emergências de outro
hospital de Paris e especialista no caso, Frédéric Adnet, a um canal de
televisão local.
Professor de Medicina Intensiva do hospital Colombes, onde o paciente
está internado há três semanas, Jean-Damien Ricard, recusou alarmismos
considerando tratar-se de “uma situação excecional, a primeira que foi descrita“.
O mesmo responsável sublinhou que existem várias hipóteses para explicar a gravidade do caso, desde uma possível deficiência imunológica do paciente, até uma geração insuficiente de anticorpos após a primeira infeção, ou ainda a possibilidade de a nova infeção ser de estirpe mais agressiva, como a sul-africana 501Y.V2, que tem consequências mais graves.
O epidemiologista Yves Buisson, presidente do Grupo Covid da Academia Nacional de Medicina, citado pela EFE, confirmou tratar-se de um caso que “deve ser estudado”.
Buisson clarificou que seria necessário saber se os anticorpos que o
paciente desenvolveu durante a sua primeira infeção eram capazes de
neutralizar a variante sul-africana, e se ela “escapa parcialmente a uma imunidade adquirida por uma infeção anterior”.
O caso foi publicado esta semana na revista científica Clinical Infectious Diseases.
Auckland começa novo confinamento
A cidade de Auckland, na Nova Zelândia, começa este domingo um
confinamento de três dias depois de ter sido detetado um novo foco de
contaminação pelo novo coronavírus em membros da mesma família, adiantou
a AFP.
Segundo a agência de notícias francesa, a ordem de confinamento, dada pela primeira-ministra, Jacinda Ardern, vai obrigar quase dois milhões de pessoas a ficar em casa a partir da meia-noite, com escolas e empresas a fechar, com exceção de empresas consideradas “essenciais”.
A causa do confinamento está no teste positivo ao novo coronavírus em
três membros de uma família no fim de semana, que “causou grande
preocupação num país que tem sido aclamado internacionalmente por sua
forma altamente eficaz no tratamento da pandemia”.
A primeira-ministra explicou que este é um confinamento ordenado como “precaução,
caso a variante detetada seja uma das mais transmissíveis”. “A
principal coisa que pedimos às pessoas em Auckland é para ficar em casa
para evitar qualquer risco de propagação”, cita a AFP.
As autoridades estão agora a tentar descobrir a origem da contaminação
daquelas três pessoas – pai, mãe e filha. A mulher contaminada trabalha
para uma empresa que fornece roupas e refeições para voos
internacionais, sendo que, por isso, refere a AFP, a empresa foi o ponto de partida para a investigação “por causa de sua conexão óbvia com o exterior”.
O confinamento vai isolar Auckland do resto do país, passando as
entradas e saídas a serem “severamente restritas”, sendo que o
arquipélago passa para o nível 2 do alerta de saúde, que obriga ao uso
de máscara nos transportes públicos e à proibição de aglomeração de mais
de 100 pessoas.
A Nova Zelândia registou vários casos de covid-19 há três semanas, pondo fim a mais de dois meses sem casos de contaminação.
Martas com estirpe que passa entre animais e humanos
De acordo com a agência Reuters, uma estirpe do novo coronavírus descoberta numa quinta no norte da Polónia pode ser transmitida a humanos e vice-versa, disse o Ministério da Agricultura este sábado.
No final do mês passado, foi detetado o SARS-CoV-2 numa marta no
condado de Kartuzy,no que as autoridades agrícolas disseram ser o primeiro caso na Polónia, levantando temores de abates caros numa indústria que conta com mais de 350 quintas.
“Os dados obtidos da inspeção sanitária chefe e as experiências do ano passado na Dinamarca e na Holanda indicam claramente que também na Polónia, este vírus se pode espalhar da marta para os humanos e vice-versa”, disse o ministério em comunicado.
Após a descoberta da covid-19 na quintas no condado de Kartuzy, as
autoridades polacas disseram que todas as martas serão abatidos.
Todas as cerca de 17 milhões de martas, numa das maiores quintas do
mundo, foram condenado ao abate no início de novembro, depois de
centenas de quintas terem sofrido surtos de coronavírus e as autoridades
terem encontrado estirpes mutantes do vírus entre as pessoas.
Em agosto, os Países Baixos decidiram ordenar o encerramento de mais
de 100 quintas de martas depois de vários membros do staff terem
contraído covid-19.
O Egito acredita que um muro de betão e arame, com cerca de
36 quilómetros, construído à volta de Sharm el-Sheikh, vai ajudar a
proteger o turismo no resort do Mar Vermelho, no extremo sul da península do Sinai.
A cidade turística Sharm El Sheikh tem vindo a perder turistas devido à falta de segurança nos últimos 15 anos.
Em julho de 2005, um grupo de terroristas atacou o resort,
num ataque que fez 88 mortos, um dos mais mortais do Egito. Em 2011, os
protestos no Cairo trouxeram instabilidade ao país e, mais recentemente,
a pandemia de covid-19 afastou muitos visitantes.
Recentemente, avança a CNN, Sharm El Sheikh construiu um muro com 36 quilómetros de extensão com o objetivo de tornar o resort mais seguro. A barreira separa o resort do deserto e algumas das placas espalhadas têm símbolos de paz.
O muro, equipado com câmaras de vigilância e quatro portões monitorizados,
tem como objetivo ser uma barreira de proteção. Quem entra na cidade
por via rodoviária precisa de passar por um dos quatro portões e ser
revistado.
Sharm el-Sheikh localiza-se a cerca de 360 quilómetros a sul da costa
mediterrânea do norte do Sinai. Foi inaugurado um museu de artefactos
egípcios antigos na cidade-resort, num esforço para
diversificar as atividades turísticas. No ano passado, foi também
inaugurada uma universidade, com o nome do rei Salman da Arábia Saudita.
A cidade turística atrai principalmente visitantes por causa das suas praias e proximidade com o Mar Vermelho. O resort é também popular pela prática de mergulho com snorkel.
Desde que o assassinato de George Floyd por um grupo de
polícias de Minneapolis desencadeou protestos internacionais no verão
passado, cidades em todo o mundo começaram a procurar novas formas de
lidar com episódios de saúde mental, dependência e pobreza que não
envolvem a presença da polícia.
Em Toronto, esta conversa tornou-se especialmente pessoal após a
morte de Regis Korchinski-Paquet – uma mulher negra de 29 anos que caiu
24 andares de uma varanda depois de a polícia de Toronto ter entrado no
apartamento da sua família durante uma verificação de bem-estar – e Ejaz
Chaudry – um paquistanês canadiana de 62 anos que foi morto a tiro pela
polícia durante um exame de saúde.
Ambos os incidentes, ocorridos semanas após o assassinato do Floyd, juntaram-se a uma longa lista de casos em que negros e indígenas canadianos foram mortos pela polícia ou morreram na sua presença durante um episódio de saúde mental.
Na semana passada, de acordo com o Vice, o conselho municipal de Toronto votou para aprovar o lançamento de um programa que veria os polícias substituídos por equipas lideradas por civis especializadas em saúde mentale dependência para chamadas não violentas para o 911 (número de emergência equivalente ao 112 em Portugal).
A medida ocorre semanas depois de a polícia de Toronto – em resposta
aos protestos em toda a cidade no verão passado a pedir o reembolso da
agência policial – ter apresentado um orçamento de 1,076 mil milhões de
dólares, um aumento de 0% em relação ao ano anterior.
“No ano passado, vimos e ouvimos falar de um número recorde de pessoas que desejam ver um serviço policial reformado, modernizado e eficiente”, disse o chefe de polícia interino James Ramer ao Conselho de Polícia de Toronto. “Esta é uma prioridade que partilhamos em conjunto.”
Embora os detalhes exatos do programa, incluindo o financiamento, permaneçam ocultos, um teste-piloto está programado para ser lançado em 2022,
com a implementação total do programa prometido até 2025. Isso
significaria que já no próximo ano, algumas ligações relacionadas com a
saúde mental, sem-abrigos e/ou vício podem não envolver polícias.
Asante Haughton, cofundador da Reach Out Response,
organização que defende soluções alternativas para o policiamento,
considerou a decisão da cidade uma mudança bem-vinda de direção e
expressou otimismo de que tanto os políticos como a polícia estão a
começar a aceitar a ideia de que uma resposta policial não é adequada
para um grande número de situações de emergência.
“A nossa principal preocupação é destacar que uma emergência de saúde
mental não é um crime, portanto, precisamos de pessoas equipadas com as
ferramentas para responder a emergências de saúde mental, que não são a polícia.”
Nos meses que se seguiram aos protestos do Floyd, políticos e
defensores de todos os lados do corredor argumentaram que a polícia não está devidamente equipada para lidar com pessoas em crise.
Há inúmeras razões para essa crença, mas todas se resumem ao facto de
os polícias receberem pouco ou nenhum treino em saúde mental e ao
relacionamento historicamente tenso entre a polícia e as comunidades
marginalizadas.
Rachel Bromberg, co-fundadora da Reach Out Response Network,
trabalhou com grupos nos Estados Unidos que já lançaram ou estão em
vias de lançar programas semelhantes. A maioria dos programas é baseada
no sistema CAHOOTS, que significa Assistência à Crise Ajudando Nas Ruas,
e foi projetado em 1989 pela Clínica White Bird em Eugene, Oregon.
O CAHOOTS fornece “intervenção móvel em crise”, enviando equipas de
médicos especialistas (de paramédicos a enfermeiras) e trabalhadores de
crise (que são treinados para comunicar com pessoas em crise) para
chamadas de emergência que são consideradas pelo 911 de natureza não
violenta. Isso inclui desde a prevenção do suicídio ao abuso de
substâncias, violência doméstica, sem-abrigos e outros serviços baseados
na pobreza, como fornecimento de acesso a transporte, alimentação e
moradia.
Em Olympia, Washington, onde uma equipa inspirada no CAHOOTS está ativa há quase dois anos, os resultados têm sido nada menos que “notáveis”, de acordo com a coordenadora Anne Larsen.
Em Portland, por exemplo, a poucos passos de distância do local de
nascimento de CAHOOTS, a iniciativa vai ser lançada em 16 de fevereiro.
O antigo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi
absolvido este sábado da acusação de “incitamento à insurreição” no
julgamento de impeachment de que foi alvo após o ataque ao Capitólio no passado dia 6 de janeiro.
De acordo com o Financial Times, Donald Trump foi absolvido de incitar uma insurreição no ataque ao Capitólio dos Estados Unidos.
Depois de um julgamento de seis dias, o Senado votou 57 a favor e 43 contra
este sábado sobre se Trump era culpado de incitar uma insurreição. Sete
republicanos juntaram-se a todos os democratas na votação para condenar
o presidente.
Porém, Trump só seria condenado se dois terços dos senadores — 67 dos 100 — votasseem nesse sentido – o que não aconteceu.
Os democratas esperavam condenar o ex-presidente e realizar uma votação por maioria simples para impedi-lo de ocupar um futuro cargo público. Trump não descartou a candidatura à presidência novamente em 2024.
No entanto, com a absolvição de Donald Trump, o Senado não pôde prosseguir para a votação subsequente que, com uma maioria simples, poderia impedi-lo de se voltar a candidatar à Presidência.
A absolvição de Trump era esperada, uma vez que apenas seis dos 50 senadores republicanos votaram a favor de uma moção que afirmava que Trump ainda poderia ser julgado, embora já não estivesse no cargo.
Os republicanos que votaram a favor da condenação de Trump foram
Richard Burr, Bill Cassidy, Susan Collins, Lisa Murkowski, Ben Sasse,
Mitt Romney e Pat Toomey.
“O movimento histórico, patriótico e belo só começou”
O antigo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, banido do Twitter,
já fez sair um comunicado com a sua reação à absolvição. “Esta foi mais
uma fase da maior caça às bruxas da história do nosso País. Nenhum
presidente jamais passou por algo semelhante”, escreveu Trump. “O nosso
movimento histórico, patriótico e belo ainda só começou”.
O Senado norte-americano aprovou
com os votos dos senadores democratas e de alguns republicanos, a
continuação do processo judicial de destituição do ex-Presidente.
Trump é o primeiro Presidente dos Estados Unidos a ser sujeito duas vezes a um processo de destituição no mesmo mandato e o único a ser julgado politicamente depois de já ter abandonado o cargo.
O primeiro impeachment foi aprovado pela Câmara dos
Representantes, em dezembro de 2019, por abuso de poder e obstrução do
Congresso, ao ter pressionado a Ucrânia a lançar uma investigação contra
Joe Biden, agora Presidente, e o seu filho Hunter. O Senado acabou por
absolver Trump em fevereiro do ano passado.
O ministro federal dos Transportes alemão, Andreas Scheuer,
pretende manter a obrigatoriedade de usar máscaras, mesmo depois de a
covid-19 evoluir para uma doença com tratamento de prevenção.
De acordo com o jornal alemão SaarbrückerZeitung, o
governo alemão já pensa num futuro pós-pandemia – e a posição do
ministro federal dos Transportes, Andreas Scheuer, passar por manter a obrigatoriedade de utilização de máscaras.
A publicação refere que, num futuro próximo, os condutores vão ser obrigados a transportar no carro duas máscaras e gel desinfetante, sendo que estes artigos serão tão obrigatórios como o colete refletor, que todos os veículos têm de possuir.
Para Andreas Scheuer, a solução passará por integrar na legislação do
tráfego rodoviário a obrigação de ter a bordo máscaras, tal como
triângulo de sinalização, colete refletor e kit de primeiros socorros.
O ministro quer ainda impor umamulta – cerca de 15 euros – para que os condutores não se esqueçam dos novos objetos obrigatórios.
O automóvel clube alemão (ADAC) avisou que as obrigações só fazem
sentido se os destinatários entenderem a sua necessidade, defendendo que
a obrigatoriedade das máscaras será difícil de aceitar quando a
covid-19 passar a estar controlada.
Covid-19 será “como uma gripe”
O secretário de Estado da saúde britânico, Matt Hancock, afirmou este sábado, numa entrevista ao jornal britânicoDaily Telegraph, que as vacinas e os tratamentos antivirais podem fazer com que, no fim de 2021, a covid-19 seja uma “doença tratável” que será “como uma gripe”.
Os novos tratamentos “significam tornar a covid-19 de uma pandemia
que afeta as nossas vidas numa outra doença com a qual temos de viver,
como a gripe”, disse Hancock. Os medicamento – e vacinas – representam o
“nosso caminho para a liberdade”.
O responsável pretende concluir a vacinação de todos os adultos
no seu país ainda antes de setembro, um dos pontos essenciais da
estratégia denominada “zero covid” da qual está à frente e cujo objetivo
é eliminar totalmente o vírus do Reino Unido.
Segundo a BBC,
os cientistas têm vindo a alertar sobre os efeitos nocivos de equiparar
a covid-19 com uma simples gripe. “Não é um tipo de gripe. Não é o
mesmo tipo de vírus. Não causa o mesmo tipo de doença — é muito, muito má.”
Steven Riley, membro do grupo de modelagem Spi-M, disse que o lançamento da vacinação não significa que o controlo da covid-19 pode ser abandonado,
acrescentando que a Grã-Bretanha pode enfrentar uma onda tão grande
como a atual se as restrições de confinamento forem suspensas. “Nenhuma
vacina é perfeita. Certamente estaremos numa situação em que possamos
permitir mais infecções na comunidade, mas há um limite”, disse.
“As mutações, as variações que estamos a ver estão a tornar-se mais
infecciosas, não menos infecciosas e um pouco mais perigosas, não menos
perigosas”, alertou.
Já Richard Horton, editor-chefe da revista médico Lancet,
disse que é provável que o Reino Unido veja outro aumento nos casos de
covid-19 no próximo inverno e sugeriu que demoraria dois, três ou quatro
anos para construir níveis suficientes de imunidade.
“Mesmo se tivermos altos níveis de imunidade populacional, as nossas fronteiras não estarão seguras – e não podemos continuar a trancar pessoas em hotéis pelos próximos cinco anos”, disse Horton.
O Parlamento da República Checa, um dos países com maior taxa
de contágios de covid-19 na Europa, recusou o pedido do Governo de
coligação minoritária para alargar o atual estado de emergência.
A República Checa é um dos países com maior taxa de contágios com o
vírus que provoca a covid-19 na Europa, mas o Parlamento recusou o
pedido do Governo liderado pelo magnata e populista liberal Andrej Babis
para alargar o atual estado de emergência, necessário para implementar
restrições e outras medidas contra a pandemia a nível nacional.
“O estado de emergência não resolve a qualidade de vida
no país nem a eficácia das medidas. É um cheque em branco que permite
ao Governo mudar os padrões de comportamento social de uma hora para a
outra. Isto afeta 10 milhões de pessoas”, disse o líder da oposição Ivan
Bartos, do Partido Pirata.
A decisão significa que as medidas nacionais, tais como o
encerramento de lojas e locais de entretenimento não essenciais, bem
como as restrições à circulação de pessoas, incluindo o atual recolher
obrigatório noturno, deixarão de ser aplicáveis a partir da meia-noite de domingo para segunda-feira.
Além disso, a distribuição de vacinas e a sua logística serão entregues às regiões,
cujos governos poderão declarar um estado de risco nos seus
territórios, habilitando-as a tomar medidas locais para aliviar a
situação crítica nos respetivos hospitais.
“Estamos a combater outro tipo de vírus e agora estamos a retirar a arma do Governo
para o combater”, apelou o Ministro do Interior Jan Hamacek à Câmara,
numa referência às mutações do Sars-CoV-2, que são 40% mais resistentes.
Os comunistas, cujo apoio permitiu à coligação de liberais populistas
e sociais-democratas prolongar o estado de emergência em cinco
ocasiões, não ofereceram agora o seu apoio ao Executivo, depois de não terem visto cumpridas as suas exigências para a abertura de escolas e estâncias de esqui.
No país da Europa Central, onde o estado de emergência está em vigor
desde 5 de outubro, cerca de 10 mil casos continuam a ser comunicados
diariamente, com quase 100 mil contágios ativos, cerca de 20 vezes mais
do que na vizinha Áustria, que tem uma população semelhante. Cerca de
5.800 pessoas estão hospitalizadas, incluindo mais de mil em estado
grave.
Segundo os últimos dados, a taxa de contágio acumulada nas últimas duas semanas é de 914 por 100 mil habitantes, a segunda mais alta da Europa depois de Portugal, enquanto a taxa de mortalidade é de 176 por milhão de habitantes, apenas atrás de Portugal e da Eslováquia.
Foram decretados encerramentos de perímetro de três províncias no
norte do país, com incidências entre três a quatro vezes acima da média
do país: duas fronteiriças com a Alemanha e outra com a Polónia, devido à
elevada incidência.
Presidente da Guiné-Bissau “quase morreu”
O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, revelou que esteve infetado pelo novo Coronavírus e que “quase morreu” da doença, que o deixou com sequelas, embora esteja neste momento de “boa saúde”.
Umaro Sissoco Embaló fez a revelação ao chegar ao Aeroporto
Internacional Osvaldo Vieira, de Bissau, vindo de Dacar, no Senegal,
para onde se tinha deslocado para controlo médico.
“Há um ano passei o coronavírus, que é uma doença que não se deve
esconder, é normal”, afirmou o chefe de Estado, acrescentando que sofreu
um acidente vascular “pulmonar”. “Foi uma coisa muito séria, podia ter morrido, ainda há sequelas, mas não há nada de inquietante pois tudo está normal comigo”.
O Presidente guineense afirmou que desde aquela altura se que tem
deslocado ao estrangeiro para controlo de rotina, o que fazia em França,
mas ultimamente decidiu passar a fazer no Senegal.
Foi a primeira vez que Umaro Sissoco Embaló abordou
perante a comunicação social o facto de ter estado infetado pelo novo
coronavírus, ainda que regulamente apareça em campanhas de
sensibilização, através da Televisão da Guiné-Bissau, a exortar a
população sobre as formas de evitar o contágio da doença.
A Guiné-Bissau registou um total acumulado de 2.869 casos,
incluindo 46 vítimas mortais devido à covid-19. Na sequência do aumento
de casos que se tem registado desde o início do ano, o governo
guineense decidiu decretar o estado de calamidade até 23 de fevereiro,
encerrar os estabelecimentos escolares e cancelar as celebrações do
carnaval.
A acusação de fraude contra o professor Glen Snyman por
marcar a opção “sul-africano” numa candidatura para um emprego em 2017
pôs a descoberto o problema atual da África do Sul com a classificação
racial.
O professor sul-africano Glen Snyman foi intimado para uma audiência
disciplinar, acusado de fraude, por se identificar como “africano” numa
candidatura para uma vaga de emprego. Snyman tinha sido definido pelo
Governo como “mestiço” (que significa “herança racial mista”).
A Lei de Registo da População, a pedra angular da política de
apartheid que legalizou a discriminação introduzida no país em 1950,
dividiu os sul-africanos em quatro grandes grupos: brancos, africanos, negros e indianos. Estes termos foram escolhidos para fazer cumprir a política de segregação racial.
A classificação foi revogada em 1991, quando o país passou a mover-se
rumo à governança democrática, o que ocorreu em 1994. Porém, esta
classificação continua a ser uma parte importante da esfera de debate no
país, embora seja contestada por ativistas.
O governo ainda usa a terminologia do apartheid para colher dados que ajudem a corrigir os desequilíbrios flagrantes de rendimentos e de oportunidades económicas, que são um legado do racismo oficial do passado.
Porém, muitos no país, incluindo Snyman, que fundou a organização
“People Against Racial Classification” em 2010, acreditam que o uso das
categorias não tem lugar numa África do Sul democrática.
“A remoção da Lei de Registo da População retira dos funcionários de
recrutamento de mão de obra e de qualquer Governo ou sistema privado o
direito legal de classificar os sul-africanos por raça”, escreveu
Snyman, numa apresentação à Comissão de Direitos Humanos do país.
Embora Snyman reconheça que ainda existam enormes desequilíbrios que
precisam de ser corrigidos, o professor sugere que o Governo use uma
medida de rendimento para substituir a classificação racial.
“O Governo não precisa de saber a identidade das pessoas por grupos,
precisa de conhecer as pessoas que precisam de serviços, empregos ou o
que for necessário”, explicou. “O Governo e o setor privado devem
entregar a todos os sul-africanos igualmente e não discriminar com base
na sua identidade”.
As leis do apartheid privilegiavam os brancos e separavam os sul-africanos por raça.
Atualmente, a agência oficial de estatística da África do Sul aponta
que a população do país, de 57,7 milhões de pessoas, é composta por
80,9% de negros, 8,8% de mestiços, 7,8% de brancos e 2,5% de indianos.
“Consideramo-nos negros”
Durante a década de 1970, quando a luta contra o apartheid estava a
ganhar força — inspirada pelo Movimento da Consciência Negra, liderado
pelo famoso ativista Steve Biko e pela Organização de Estudantes da
África do Sul —, muitas das pessoas marginalizadas do país identificaram-se como negros numa declaração de solidariedade com a luta pela derrubada do regime do apartheid.
E é nesse sentido que Snyman recebeu o apoio do maior sindicato de professores do país, o Democratic Teachers Union of South Africa, quando se autodeclarou como “sul-africano”.
“Muitos de nós tomamos uma decisão consciente de não nos
identificarmos com a classificação racial prescrita pelo regime do
apartheid. Consideramo-nos negros, africanos, sul-africanos“, disse Jonavon Rustin, porta-voz do sindicato dos professores de Cabo Ocidental.
Alguns, entretanto, fazem uma distinção entre uma identidade política ou cultural e a necessidade de lidar com os desequilíbrios criados pelo apartheid.
Zodwa Ntuli, comissária do Broad Based Black Economic Empowerment,
argumenta que, embora a classificação racial seja uma anomalia num país
que se tenta afastar do seu passado baseado em raça, os reguladores e o
governo só conseguem medir o progresso social e económico da população
através de estatísticas de acordo com as velhas categorias.
O impacto da discriminação do apartheid contra negros, africanos e indianos foi tão generalizado que os brancos continuam a dominar a economia em termos de propriedade e poder de decisão.
No entanto, ressalta, “ninguém na África do Sul está autorizado a
usar a classificação racial ou de género para excluir qualquer cidadão
do gozo dos direitos no país, isso seria ilegal”.
Kganki Matabane, que chefia o Conselho Empresarial Negro, disse que, embora o Governo democrático tenha quase 27 anos, ainda é cedo para abandonar as velhas categorias.
“Precisamos de perguntar: conseguimos corrigir esses desequilíbrios?
Se não, como é o caso, se se olharmos para as 100 maiores empresas
listadas na Bolsa de Valores de Joanesburgo, 75% ou mais dos CEOs são
homens brancos”, disse. “Só podemos ter uma cláusula de caducidade [da
classificação racial] quando a economia refletir a demografia do país”.
Saths Cooper, psicólogo, argumenta que a imposição de uma classificação racial impediu a formação de uma identidade verdadeiramente comum. “Não
aprendemos primeiro que somos seres humanos”, disse. “Colocamos sempre
uma cor, colocamos atributos externos e colocamos talvez a linguagem e a
crença e isso permite mais divisão. Essa narrativa é então perpetuada”.
“Não demos às pessoas motivos suficientes para dizer que nos identificamos como sul-africanos”, lamentou.
Enquanto isso, Snyman, através de Parc, continua a luta para
banir a classificação racial do apartheid. “Tomaremos todas as medidas,
inclusive as legais, para livrar a África do Sul deste flagelo que mais
uma vez gerou discriminação contra aqueles que não atendem aos
critérios preferenciais do atual governo”, rematou.
Dinamarca e Alemanha afirmaram esta sexta-feira que impediram
um possível atentado terrorista islamita no âmbito de uma operação
conjunta que desencadeou mais de uma dezena de detenções nos dois
países, esclarecendo, porém, que o potencial ataque não estaria
iminente.
Numa conferência de imprensa conjunta realizada na sede dos serviços
de informações dinamarqueses (PET), a equipa de investigação
dinamarquesa afirmou acreditar que o potencial ataque teria como alvo a Dinamarca ou a Alemanha.
Componentes e produtos para fabricar explosivos, bem como armas,
foram encontrados durante buscas ocorridas no âmbito da operação
policial conjunta, segundo explicou o chefe das operações dos serviços
de informações da polícia dinamarquesa, Flemming Dreyer, que esclareceu
ainda que os elementos encontrados, nomeadamente os químicos, não tinham
sido ainda manuseados, o que sugere que o ataque não estaria iminente.
“Encontrámos os ingredientes para fazer uma bomba.
Acreditamos que não houve uma ameaça imediata, nada tinha sido montado
ou misturado. Mas não somos ingénuos e não estamos a excluir nada”,
afirmou o investigador dinamarquês.
Na quinta-feira, o Ministério Público da região alemã da
Saxónia-Anhalt divulgou que três irmãos sírios, suspeitos de preparar um
atentado terrorista com explosivos, tinham sido detidos nos últimos dias na Alemanha e na Dinamarca.
Segundo as autoridades alemãs, dois deles foram detidos no passado
fim de semana na Dinamarca e o terceiro em Hesse (região centro da
Alemanha).
Os três homens, com idades compreendidas entre os 33 anos e os 40 anos, são suspeitos de preparar “um ato de grave violência que coloca o Estado em perigo”, referiram ainda as autoridades da Saxónia-Anhalt.
“Os nossos serviços de segurança evitaram novamente um ataque terrorista
islâmico”, disse hoje o ministro do Interior alemão, Horst Seehofer,
declarando ainda que os três irmãos detidos “estavam a preparar
presumivelmente um ataque na Europa”.
Segundo o Ministério Público alemão, as forças policiais conseguiram localizar os três irmãos sírios através de encomendas online, realizadas em janeiro, de produtos químicos que podem ser utilizados na composição de um explosivo.
A polícia também realizou buscas domiciliárias, incluindo numa casa na cidade alemã de Dessau, onde foram encontrados “10 quilos de pólvora negra”.
Por sua vez, os serviços de informações dinamarqueses confirmaram a detenção de 13 pessoas, oito homens e cinco mulheres, durante uma operação conduzida no último fim de semana num grande subúrbio da capital dinamarquesa, Copenhaga.
“A operação teve lugar devido a suspeitas de preparação de um ataque
terrorista motivado pelo islamismo militante”, confirmaram esta
sexta-feira os serviços de informações dinamarqueses.
Uma bandeira do grupo autoproclamado Estado Islâmico (EI)
foi encontrada durante as buscas no território dinamarquês, de acordo
com as autoridades locais. Esta informação já tinha sido avançada na
quinta-feira pelo título alemão Der Spiegel.
Na Dinamarca, sete pessoas foram colocadas em prisão preventiva por suspeita “de planeamento de um ou de mais ataques terroristas
ou de participação numa tentativa de ato terrorista”. As restantes seis
pessoas foram detidas por motivos ainda não especificados.
Segundo a imprensa local, o grupo de detidos é composto por homens e por mulheres.
As autoridades da Alemanha continuam em estado de alerta em relação à ameaça islamita no país, nomeadamente desde um ataque ocorrido em Berlim em dezembro de 2016,
que fez 12 mortos, que foi reivindicado pelo grupo extremista EI. Foi o
ataque jihadista mais mortífero cometido em solo alemão.
Desde 2009, as autoridades alemãs já impediram 17 tentativas de atentados terroristas, a maioria desde o ataque de 2016, de acordo com o Ministério do Interior alemão.
Após dois dias a ouvirem os argumentos da acusação, os
advogados de Donald Trump gastaram apenas três horas a apresentar os
argumentos da defesa do ex-presidente dos Estados Unidos no julgamento
de impeachment.
O advogado Michael Van der Veen classificou a acusação como “um ato de vingança política, injusto e descaradamente inconstitucional“.
Depois de a acusação ter recorrido à exibição de vídeos, os advogados de Trump usaram o mesmo método e mostraram aos senadores uma montagem com excertos de discursos de Trump a apelar à “lei e ordem” no país, argumentando que a paz foi sempre uma prioridade para Trump durante o seu mandato.
A defesa mostrou um vídeo de políticos democratas a usar a palavra
“lutar”. A montagem de mais de 10 minutos contou com a participação de
muitos senadores democratas, além do presidente Joe Biden e da
vice-presidente Kamala Harris quando estavam na campanha eleitoral de
2020, chamando à “luta” centenas de vezes em discursos e na televisão.
Van der Veen classificou o julgamento como um ato de aproveitamento político e disse que a acusação estava “errada nos factos”.
David Schoen, outro advogado de Trump, acusou os democratas de “fabricar” provas e exibiu uma fotografia publicada pelo The New York Times
onde é possível ver o congressista Jamie Raskin a olhar para dois
tweets de Trump, mostrados no Senado com a data de 3 de janeiro de 2020.
porém, Eram de 2021. Para Schoen, isto prova que os democratas não
exibiram os tweets reais, mas sim montagens.
Schoen disse ainda que grande parte dos argumentos da acusação baseavam-se em “relatos” da imprensa – e não em provas factuais.
O advogado acusou ainda de retirar grande parte do contexto necessário de certos vídeos para entender as palavras de Trump corretamente.
Outro dos argumentos em cima da mesa é o da liberdade de expressão. De acordo com a defesa, o discurso do ex-presidente está protegido pela 1.ª emenda da Constituição norte-americana.
“Sejamos claros: este julgamento é muito mais do que o presidente
Trump”, disse o advogado Bruce Castor, ao encerrar a argumentação da
defesa do ex-presidente dos Estados Unidos. “Trata-se de anular 75 milhões de eleitores de Trump
e penalizar opiniões políticas. É disso que trata este julgamento”,
afirmou. “O Senado deveria votar de forma rápida e decidida para
rejeitá-lo”, pediu.
O Senado norte-americano aprovou
com os votos dos senadores democratas e de alguns republicanos, a
continuação do processo judicial de destituição do ex-Presidente.
Apesar disto, a condenação de Trump não parece provável, uma vez que
seria necessária uma maioria de dois terços – 67 senadores. Para isso, 17 republicanos teriam de associar-se aos democratas. Na votação de terça-feira, só seis se dispuseram a fazê-lo.
Trump é o primeiro Presidente dos Estados Unidos a ser sujeito duas vezes a um processo de destituição no mesmo mandato e o único a ser julgado politicamente depois de já ter abandonado o cargo.
O primeiro impeachment foi aprovado pela Câmara dos
Representantes, em dezembro de 2019, por abuso de poder e obstrução do
Congresso, ao ter pressionado a Ucrânia a lançar uma investigação contra
Joe Biden, agora Presidente, e o seu filho Hunter. O Senado acabou por
absolver Trump em fevereiro do ano passado.
Seis anos depois de ter alertado para a possibilidade de uma
pandemia mundial, o co-fundador da Microsoft Bill Gates veio declarar o
que acredita que poderiam ser os próximos dois desastres mortais a
ameaçar a humanidade.
A TedTalk de 2015
de Bill Gates, intitulada “O próximo surto? Não estamos prontos”,
ganhou força em março de 2020, depois que de a pandemia de covid-19 ter
paralisado o mundo. Após a prevenção de um surto global do vírus do
ébola em 2014, Gates alertou as pessoas sobre uma futura pandemia e como o mundo deve estar bem equipado para enfrentá-la.
Em entrevista a Derek Muller, apresentador do canal do YouTube Veritasium,
o filantropo Bill Gates refletiu sobre a sua famosa previsão,
falou sobre como se sente sobre estar certo sobre a pandemia e adiantou o
que poderão ser os próximos dois desastres a ameaçar a humanidade: as alterações climáticas e o bioterrorismo.
“Não existe um sentimento bom em algo assim”, disse Bill Gates,
acrescentando que ocasionalmente olha para trás e questiona-se se
poderia ter sido mais persuasivo. Questionado sobre se previu um surto
global em 2015, Gates explicou que, com muitos vírus respiratórios
existentes no mundo, era inevitável que um vírus muito infeccioso causasse uma pandemia em algum ponto.
“Existem vários vírus respiratórios e, de tempos em tempos, um
aparecerá”, disse Gates. “As doenças respiratórias são muito
assustadoras porque ainda se anda numa avião ou num autocarro enquanto
infeccioso, ao contrário de algumas outras doenças como o ébola, onde se
está principalmente numa cama de hospital no momento em que a carga
viral infeta outras pessoas.”
Quando questionado sobre qual poderia ser o próximo desastre para o
qual não estamos preparados, Gates apontou dois que se encaixam no
projeto, expressando as suas preocupações sobre um possível futuro que
poderia ser ainda mais severo do que a atual pandemia.
“Um é a mudança climática. Todos os anos, isso
representaria um número de mortes ainda maior do que [o que] tivemos
nesta pandemia”, disse, acrescentando que a outra ameaça é o “bioterrorismo.
Quem quiser causar danos pode engendrar um vírus e isso significa o
custo e a hipótese de chegar a isto é maior do que epidemias de origem
natural como a atual”.
Questionado sobre se os humanos conseguiria deter a próxima pandemia
graças às lições aprendidas nesta, Gates foi categórico: “não”. “Haverá
mais pandemias”, disse Gates, acrescentado acreditar que outra pandemia
ainda poderia criar o caos, mas manteve a esperança de que, se as
pessoas aprendessem com a pandemia e se adaptassem, as coisas poderiam mudar para melhor.
Cientistas chineses recusaram-se a partilhar com a equipa de
especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) dados brutos sobre
os primeiros casos da covid-19.
De acordo com o jornal norte-americano Wall Street,
os investigadores da Organização Mundial de Saúde (OMS), que
recentemente voltaram de uma viagem à cidade chinesa de Wuhan, disseram
que as divergências sobre os registos dos pacientes e outras questões
eram tão tensas que, às vezes, explodiam em gritos entre os cientistas.
Segundo os cientistas, a resistência contínua da China em revelar informações sobre os primeiros dias do surto da covid-19 torna ainda mais difícil a missão de descobrir pistas importantes que poderiam ajudar a impedir futuros surtos de doenças tão perigosas.
Durante 27 dias em janeiro e fevereiro, a equipa de 14 especialistas
da OMS liderou a missão para rastrear as origens da pandemia. Vários
dizem que os colegas chineses ficavam frustrados com as questões e demandas persistentes da equipa por dados.
As autoridades chinesas instaram a equipa a abraçar a narrativa do
Governo sobre a origem do vírus, de acordo com vários membros da equipe.
Os cientistas responderam que se absteriam de fazer julgamentos sem
dados.
“Era a minha opinião sobre a toda a missão que era altamente geopolítica”,
disse Thea Kølsen Fischer, epidemiologista dinamarquesa. “Todo a gente
sabe quanta pressão existe sobre a China para ser aberta a uma
investigação e também quanta culpa pode estar associada a isso.”
No final da missão, os especialistas procuraram um acordo, elogiando a
transparência do governo chinês, mas pressionando por mais dados sobre
os primeiros dias do surto em Wuhan. Porém, ainda não é claro se o
acordo funcionará. As autoridades chinesas disseram que não tiveram tempo suficiente para compilar dados detalhados dos pacientes e apenas forneceram resumos.
O diretor da OMS, Thedros Ghebreyesus, disse esta sexta-feira que, após a missão de especialistas na China, todas as opções estão em aberto para explicar a origem do novo coronavírus.
“Quero confirmar que todas as hipóteses permanecem em aberto e
requerem mais análise e estudo”, disse Bhebreyesus, negando a mensagem
que tinha sido passada pelos especialistas, onde tinham descartado a
hipótese de o vírus ter tido origem num laboratório.
Essa hipótese tinha sido repetida várias vezes pelo ex-Presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu responsabilidades ao Governo
de Pequim pela incapacidade de travar a pandemia de covid-19 na sua
fase inicial .
Ghebreyesus disse que a recente missão de especialistas na China “não
encontrou todas as respostas, mas forneceu informações importantes” que
“aproximam do conhecimento da origem do vírus”.
O diretor da OMS explicou que a missão divulgará um relatório preliminar
da sua visita na próxima semana, que será ampliado nas próximas semanas
e explicado numa nova conferência de imprensa dada pela equipa de
especialistas.
Presente na conferência de imprensa esteve também Peter Embarek, que
chefiou a equipa de cientistas e que disse que a missão “conseguiu
muitos sucessos”. “Temos agora uma melhor compreensão do que aconteceu em 2019“, disse Embarek, salientando que esta iniciativa foi apenas “o início” do processo de investigações.
“Não é hora de nenhum país abrandar as medidas”
O diretor-geral da OMS afirmou ainda “não é hora de nenhum país
abrandar as medidas” de controlo da pandemia de covid-19, apesar da
redução global de infeções e mortes.
Ghebreyesus realçou a diminuição do número de infeções pela quarta
semana consecutiva e de mortes pela segunda semana consecutiva,
assinalando que os países estão a aplicar “medidas mais restritivas”.
Contudo, apesar das estatísticas que considerou encorajadoras, disse que “não é hora de nenhum país abrandar as medidas”. “A complacência é tão perigosa quanto o vírus”.
O dirigente da OMS renovou o apelo para a partilha de tecnologia para
acelerar a produção de vacinas contra a covid-19 e distribuí-las de
forma equitativa. “Nunca na história as vacinas foram desenvolvidas em
menos de um ano após o aparecimento de um vírus”, sublinhou Ghebreyesus.
Um hospital do Reino Unido emitiu novas diretrizes para
encorajas as parteiras a não usarem termos como “amamentação” e “leite
materno” num esforço para incluir mais pessoas transgénero e não
binárias.
De acordo com a Newsweek, o Brighton and Sussex University Hospitals NHS Trust (BSUH), um hospital universitário regional que trabalha em dois locais, está a pedir à sua equipa para usar frases como “pais que dão à luz” e “leite humano” em vez de uma linguagem que se dirige apenas às mulheres.
“Na BSUH, reconhecemos os desafios adicionais que a identidade de
género pode ter na gravidez, parto e alimentação infantil. Reconhecemos a
importância de fornecer cuidados perinatais inclusivos e respeitosos a
todas as grávidas e suas famílias”, disse o BSUH, em comunicado.
“Estamos orgulhosos de cuidar de pessoas transgénero e não binárias
(incluindo agender, bigender e genderqueer) como pais e co-pais que deram à luz e para celebrar e afirmar a sua jornada para a paternidade”.
De acordo com as novas diretrizes do hospital, a “assistência à maternidade” passou a ser chamada de “serviços perinatais”.
A nova linguagem também visa abranger famílias não tradicionais, expandindo os termos usados para se referir a elas.
A palavra “mulher” foi expandida para incluir “mulheres ou pessoa”, e
“mãe” para incluir “progenitor que deu à luz”. Em vez do termo “pai”,
serão agora usados os termos “pai”, “co-pai” ou “segundo pai biológico”,
de acordo com BSUH.
O departamento perinatal do hospital partilhou as diretrizes atualizadas no Twitter esta terça-feira, dizendo que a linguagem se destina a estimular a inclusão
sem diminuir o papel da mulher no parto. “A nossa abordagem foi
considerada cuidadosamente para incluir pessoas transgénero e não
binárias que deram à luz, sem excluir a linguagem das mulheres ou da
maternidade”.
Elizabeth Brandeis, vice-presidente da Associação Canadiana de Parteiras, disse, em declarações à agência de notícias canadiana CTV News,
que é importante para as parteiras e funcionários de hospitais
entenderem que “nem todas as grávidas se identificam como mulheres e nem
sempre o género em si é binário para as pessoas”.
Brandeis acrescentou que não reconhecer as diferentes identidades das pessoas grávidas pode fazer com que quem dá à luz se sinta desligado de si mesmo e dos seus filhos.
“A inclusão promove equidade e segurança para todos, não apenas para
as pessoas marginalizadas, mas fazendo com que todos se sintam
refletidos nas recomendações [de uma parteira] e de uma forma que
valorize os direitos humanos de todos”, disse Brandeis.
Nos Estados Unidos, os influencers do TikTok vão
passar a poder juntar-se a um dos maiores sindicatos do país, ficando
abrangidos por benefícios de saúde e reforma.
Hoje em dia, há cada vez mais influencers espalhados pela
internet. Alguns deles chegam mesmo a ter centenas de milhares de
seguidores nas redes sociais. Depois do Facebook, Instagram e Twitter, o TikTok é a nova tendência para estes influenciadores digitais.
Nos Estados Unidos, o National Board of the Screen Actors Guild-American Federal of Television and Radio Artists (SAG-AFTRA), um dos maiores sindicatos do país, anunciou que os criadores de conteúdos nas redes sociais vão passar a poder ser membros.
“O conselho aprovou um acordo para cobrir conteúdo criado por certos
tipos de influenciadores quando eles são pagos para anunciar produtos ou
serviços”, lê-se no comunicado divulgado no site do sindicato.
“Facilitar a cobertura deste tipo de trabalho tem sido uma das principais prioridades
da nossa organização. Quero elogiar os esforços da nossa equipa na
criação de um acordo que beneficiará os membros atuais do SAG-AFTRA,
além de permitir a todos os criadores a oportunidade de se juntarem ao
sindicato. Conforme surgem novas formas de contar histórias, é imperativo que abracemos e levantemos estes artistas”, disse a presidente da SAG-AFTRA, Gabrielle Carteris.
Assim, aqueles que se façam membros do SAG-AFTRA passam a receber benefícios de saúde e reforma, escreve a VICE. O sindicato conta representa cerca de 160 mil artistas e trabalhadores dos media.
Ainda assim, continua a não haver um pagamento mínimo obrigatório, sendo que taxas ainda serão negociadas de forma independente entre o influenciador e o anunciante.
Qualquer pessoa que tenha um contrato assinado com um anunciante para
um acordo de conteúdo de marca pode beneficiar do acordo de
influenciador SAG-AFTRA.