quarta-feira, 2 de março de 2022

“Palyanytsa”: Os ucranianos têm formas simples de desmascarar os infiltrados russos - O segredo parece estar na pronúncia !


Ucranianos fazem os possíveis para não ser enganados pelos infiltrados russos e ajudar as suas tropas a vencer o inimigo.

Mesmo antes de Vladimir Putin ordenar a “operação militar especial”, os serviços de inteligência norte-americanos e as autoridades ucranianas já apontavam para a presença de infiltrados russos nas cidades ucranianas, os quais tinham como objetivo ajudar a preparar a ofensiva militar e sabotar os planos defensivos das forças ucranianas. Segundo afirmou Viktor Chelovan, membro do Ministério do Interior ucraniano e comandante das forças especiais “Lance”, em Kiev há células dos serviços especiais russos e do GRU (inteligência militar).

Cientes deste perigo, os moradores de Kiev já desenvolveram um mecanismo para distinguir possíveis infiltrados: obrigar os suspeitos a pronunciar a palavra palyanytsa, um nome de um pão tradicional ucraniano, que nenhum russo consegue dizer corretamente. Segundo o Jornal de Notícias, a armadilha é infalível e tão antiga como as guerras soviéticas. Na cidade surgiram também métodos parecidos, que vão variando consoante os autores. Um taxista, por exemplo, opta por começar a cantar o sucesso musical ucraniano “Oleinii, Oleinii“, esperando que a outra pessoa prossiga com a letra.

Segundo os relatos da população, os agentes russos tendem a permanecer nas florestas e atacar civis. “São pessoas que se parecem com as daqui, mas que começam a disparar contra os moradores”, explicou Andrii Levanchouk, funcionário de um banco local. Durante o período noturno, os invasores espalham minas e marcam os telhados de alguns edifícios, estabelecendo alvos que mais tarde devem ser bombardeados.

Ainda segundo Viktor Chelovan, alguns dos infiltrados são formados por “forças operacionais especiais russas que tentam destabilizar a vida quotidiana nas vilas e cidades, assim como nas bases militares. Existe ainda outro grupo que é formado por “agentes de inteligência cujo único objetivo é matar diversas autoridades ucranianas”.

https://zap.aeiou.pt/palyanytsa-os-ucranianos-tem-formas-simples-de-desmascarar-os-infiltrados-russos-o-segredo-parece-estar-na-pronuncia-465213

 

Ameaça nuclear russa é um “bluff”: Propaganda de ambos os lados pode chegar a “patamar ridículo” !


O especialista em operações militares e major-general Agostinho Costa considera que a Ucrânia está ainda a ganhar a batalha mediática, mas lembra que a sua marinha e a força aérea já caíram perante o poderio russo.

Em entrevista ao Público, o major-general Agostinho Costa fez um balanço dos primeiros dias da guerra na Ucrânia. Sobre a resposta da Ucrânia, o especialista refere que neste momento só o exército resiste, já que “tanto a marinha como a força aérea foram neutralizadas”.

Mesmo perante o poderio russo e a menor capacidade militar da Ucrânia, Agostinho Costa acredita que era de esperar uma maior resposta de Kiev face ao avanço de Moscovo, já que os “ucranianos tiveram oito anos para se preparem” depois da anexação da Crimeia.

“O exército ucraniano não é tão pequeno quanto isso, existem algumas centenas de milhares de militares, há dez anos era o quarto maior exportador de armamento do mundo – neste momento é o 12.º, salvo erro”, nota.

A resistência ucraniana não significa que tenha havido erros no plano russo, no entanto, já que “a operação ainda está a decorrer“. “Neste momento, vemos uma operação com vários eixos de aproximação direccionados para objectivos distintos, há ainda forças de segundo escalão na Rússia de reserva. Temos poucos ataques de artilharia e não vemos a aviação russa a atacar fortemente”, lembra.

Os bombardeamentos já causaram algumas mortes de civis, que podem ser estratégicas, como na destruição de gasodutos. “O caso do prédio de habitação atingido em Kiev decorreu de uma falha de sistema ou erro operacional. Neste tipo de conflitos há sempre estas ocorrências, mas temos de pensar que usar munições para destruir prédios é desperdiçar munições“, considera.

A possibilidade de haver uma “guerra de ruas”, em que se arrasa o centro da cidade, parece pouco provável. “Os russos tiveram Estalinegrado, onde o exército alemão se rendeu e a cidade ficou completamente arrasada. Se fizessem isso, os russos pagariam uma factura incomportável. Kiev é um objectivo político e querem fazer um cerco à cidade. Não creio que entrem em batalha de rua”, antecipa.

O conflito será também “decidido no campo da opinião pública” e a Ucrânia está “indiscutivelmente em vantagem” neste plano e a propaganda pode chegar a um “patamar ridículo“.

“É bom ver todas as partes, mas claro que isto faz parte de uma estratégia comunicacional. A Russia Today [faz a mesma coisa]. Espero que não a desliguem porque não somos idiotas, conseguimos perfeitamente perceber [quando é propaganda]”, defende.

A ameaça de uma escalada nuclear do conflito “faz parte do bluff” próprio do conflito. “O uso das armas nucleares é o que se chamada de “escalada para descalar” o desafio. Ou seja: elevar o conflito para patamar nuclear logo no princípio para depois reduzir a intensidade”, conclui.

https://zap.aeiou.pt/ameaca-nuclear-russa-bluff-465206

 

“A 3.ª guerra mundial seria uma guerra nuclear devastadora”, avisa chefe da diplomacia russa !


O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, disse hoje que o Presidente norte-americano, Joe Biden, sabe que a única alternativa às sanções contra Moscovo é uma terceira guerra mundial, que seria “uma guerra nuclear devastadora”.

Biden “tem experiência e sabe que não há alternativa às sanções, senão a guerra mundial”, disse Lavrov à televisão do Qatar Al Jazeera, citado pela agência espanhola EFE.

“A terceira guerra mundial seria uma guerra nuclear devastadora”, disse o diplomata veterano, de 71 anos.

Na sequência da invasão da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, a Rússia enfrenta sanções da União Europeia (UE) e de diversas entidades e países, incluindo a tradicionalmente neutra Suíça, que estão a atingir setores como a banca, aviação, energia ou o desporto.

Lavrov disse que a Rússia estava pronta para enfrentar as sanções, mas admitiu que não esperava que visassem atletas, intelectuais, artistas e jornalistas.

Mas “a Rússia tem muitos amigos e não pode ser isolada”, disse, de acordo com a Al Jazeera.

Lavrov reiterou a disponibilidade de Moscovo para realizar uma segunda ronda de negociações com o Governo ucraniano, que acusou de estar a atrasar estas conversações “sob ordens norte-americanas”.

Sobre as razões do atual conflito com a Ucrânia, Lavrov disse que os países ocidentais se recusaram a atender às exigências da Rússia para a formulação de uma nova arquitetura de segurança europeia.

A operação militar russa, que vai no sétimo dia, visa desarmar a Ucrânia e impedi-la de adquirir uma arma nuclear, disse Lavrov, citado pela Al Jazeera.

“Não podemos permitir a presença de armas ofensivas na Ucrânia que ameacem a nossa segurança”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/terceira-guerra-mundial-nuclear-465266


Navalny apela a manifestações contra a guerra e descreve Putin como “czar louco” !


O opositor russo Alexei Navalny, atualmente preso na Rússia, convocou hoje os seus compatriotas a saírem às ruas contra a invasão da Ucrânia ordenada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, a quem descreveu como um “czar louco”.

“A Rússia quer ser uma nação de paz. Infelizmente, poucas pessoas nos chamariam assim agora. Mas, pelo menos, não nos tornemos num país de pessoas assustadas e silenciosas, de cobardes que fingem não notar a guerra contra a Ucrânia desencadeada pelo nosso, obviamente, czar louco”, escreveu Navalny na rede social Twitter.

“Putin não é a Rússia. E se há algo agora na Rússia do qual nos podemos orgulhar são essas 6.824 pessoas que foram detidas porque – espontaneamente – saíram às ruas com cartazes a dizer: ‘Não à guerra'”, declarou o opositor.

Navalny estava a referir-se aos milhares de pessoas que foram detidas nos últimos dias em várias cidades russas por se manifestarem contra a guerra.

“Não posso, não quero e não vou ficar em silêncio a ver absurdos pseudo-históricos sobre eventos de há 100 anos tornarem-se uma desculpa para os russos matarem os ucranianos e os ucranianos matarem os russos para se defenderem”, afirmou Alexei Navalny, o principal opositor do regime de Putin.

“É a terceira década do século 21 e estamos a ver notícias sobre pessoas a serem queimadas e casas a serem bombardeadas. Estamos a ver ameaças reais do início de uma guerra nuclear em nossas televisões”, acrescentou.

O opositor lembrou que está preso e não pode comparecer aos protestos, mas reiterou o seu apelo aos cidadãos para que se manifestem diariamente contra a invasão da Ucrânia.

“Não podemos esperar mais. Onde quer que esteja, na Rússia, Bielorrússia e mesmo do outro lado do planeta, vá à praça principal da sua cidade todos os dias”, declarou.

“Devemos cerrar os dentes e vencer o medo, sair e exigir o fim da guerra. Cada detido [nas manifestações] deve ser substituído por dois recém-chegados” aos protestos, declarou.

Navalny foi envenenado em agosto de 2020 com um agente químico de fabricação russa (Novichok) e acusa os serviços secretos russos de tentativa de assassínio.

Depois de retornar à Rússia em janeiro de 2021, após ter passado vários meses a convalescer na Alemanha, Navalny foi detido e condenado a dois anos e meio de prisão. Desde então, o Ocidente exige insistentemente pela sua libertação.

O opositor russo está a ser julgado novamente por novas acusações de corrupção, que o Ocidente e algumas organizações não-governamentais (ONG) consideram meramente políticas.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de milhares de deslocados e refugiados ucranianos na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

https://zap.aeiou.pt/navalny-apela-manifestacoes-guerra-465237


Europa exclui sete bancos russos do SWIFT: Sberbank e Gazprom fogem a sanções


A União Europeia adotou hoje a decisão de excluir sete grandes bancos russos do sistema de internacional de comunicações bancárias SWIFT, acordada com Estados Unidos e Reino Unido no quadro das sanções aplicadas à Rússia pela invasão da Ucrânia.

A medida, a entrar em vigor em 12 de março, que visa isolar a Rússia e condicionar fortemente o financiamento da sua máquina de guerra — e que havia sido anunciada no passado sábado —, abrange os bancos VTB (o segundo maior banco russo), bem como o Banco Otkritie, o Novikombank (finanças industriais), o Promsvyazbank, o Rossiya Bank, o Sovcombank e o VEB (banco de desenvolvimento do regime).

Duas grandes instituições bancárias russas não são abrangidas por esta exclusão do sistema SWIFT, designadamente o maior banco da Rússia, o Sberbank, e o Gazprombank, o braço financeiro do gigante dos hidrocarbonetos, através do qual é canalizada a maior parte dos pagamentos para as entregas de gás e petróleo russo à UE, pelo que alguns Estados-membros seriam muito afetados negativamente.

Ainda assim, cerca de um quarto do volume do sistema bancário russo é afetado por esta exclusão, segundo fontes europeias, lembrando que esta é apenas uma das sanções de um pacote mais vasto. O executivo comunitário sublinha também que, “em função do comportamento da Rússia, a Comissão está preparada para acrescentar outros bancos russos a curto prazo”.

“À velocidade da luz, a União Europeia adotou três vagas de pesadas sanções contra o sistema financeiro russo, as suas indústrias de alta tecnologia e a sua elite corrupta. Este é o maior pacote de sanções da história da nossa União. A decisão de hoje de desligar os principais bancos russos da rede SWIFT irá enviar mais um sinal muito claro a Putin e ao Kremlin”, comentou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

De acordo com a Comissão Europeia, a decisão, “estreitamente coordenada com os parceiros internacionais da UE, tais como os Estados Unidos e o Reino Unido, “impedirá estes bancos de realizarem as suas transações financeiras em todo o mundo de uma forma rápida e eficiente”.

Apontando que “os bancos visados pela medida de hoje foram escolhidos porque estes bancos já estão sujeitos a sanções por parte da UE e de outros países do G7”, Bruxelas explica que a medida só entrará em vigor dentro de dez dias, em 12 de março, para permitir “à SWIFT e a outros operadores um breve período de transição para implementar a decisão, mitigando assim quaisquer possíveis impactos negativos para as empresas e mercados financeiros da UE”.

O sistema financeiro SWIFT (‘Society for Worldwide Interbank Financial Communications’) movimenta diariamente milhares de milhões de dólares em mais de 11.000 bancos e outras instituições financeiras em todo o mundo.  

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de mais de 100 mil deslocados e mais de 660 mil refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

https://zap.aeiou.pt/europa-exclui-sete-bancos-russos-swift-465241


Sinal de força leva aliados a libertarem reservas de petróleo - Mas preço subiu depois de decisão !


Dar um sinal forte e uníssono de que não vai haver ruturas no fornecimento de petróleo ao mercado levou 31 países a decidirem libertar reservas.

O petróleo atingiu esta terça-feira os 106 dólares, mesmo depois da Agência Internacional de Energia (AIE) ter decidido ir às suas reservas libertar 60 milhões de barris, segundo noticia o Observador.

A decisão do organismo internacional que junta 31 países acontece pela primeira vez desde 2011 e só por quatro ocasiões a agência, criada em 1974, decidiu conjuntamente ir às suas próprias reservas para libertar petróleo para o mercado – aconteceu em 2011, 2005 e 1991.

Isto depois dos Estados Unidos já terem decidido libertar, em novembro, 50 milhões de barris das suas reservas, o que, então, não foi seguido por outros países, nomeadamente europeus, por não terem considerado necessário.

Em comunicado, a AIE explica ter tomada a decisão “para enviar uma mensagem forte e unificada aos mercados globais de petróleo que não vai haver ruturas nos fornecimentos por causa da invasão da Ucrânia pela Rússia”.

Metade dessas reservas serão libertadas pelos Estados Unidos da América. O organismo com 47 anos, sediado em Paris, tem como membros, além dos EUA, o Japão e muitos países europeus.

A AIE garante que apoia as sanções contra a Rússia, mas revela preocupação com a situação atual do mercado e a volatilidade de preços.

Além disso, o diretor executivo do organismo, Fatih Birol, citado no comunicado, aplaudindo a decisão acrescenta que “a situação nos mercados de energia é muito séria e requer toda a nossa atenção. A segurança de abastecimento global está ameaçada, o que coloca a economia mundial em risco neste momento de recuperação ainda frágil”.

Os membros da AIE têm reservas de 1,5 mil milhões de barris, o que significa que estão a libertar 4% do que está em depósito, equivalente a dois milhões de barris por dia durante 30 dias.

A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo, depois dos Estados Unidos e Arábia Saudita. Em janeiro deste ano, a produção russa estava nos 11,3 milhões de barris por dia, enquanto os Estados Unidos debitavam 17,6 milhões e os sauditas 12 milhões.

A Rússia é mesmo o maior exportador de petróleo e o segundo maior de crude, a seguir à Arábia Saudita. Cerca de 60% das exportações de petróleo vão para a Europa e 20% para a China.

Mas a seguir ao anúncio, o Brent, transacionado em Londres e que serve de referência para Portugal, chegou nos mercados aos 106 dólares por barril e o WTI em Nova Iorque também atingiu essa marca, não tendo o preço sido contido pela medida.

Esta quarta-feira vai realizar-se uma reunião da OPEP+ (cartel de exportadores liderados pela Arábia Saudita e que têm a Rússia como aliado), havendo já informação que o organismo vai manter o plano anterior de começar a subir a produção de forma gradual.

A situação na Ucrânia não deverá, assim, fazer alterar os planos, avança a Reuters. A OPEP+ decidiu cortar a produção em 2020 devido à crise pandémica que cortou abruptamente a procura.

A 2 de fevereiro, na sua última reunião, a OPEP+ concordou em aumentar o débito em 400 mil barris por dia a partir de março, mantendo ainda um corte de 2,6 milhões de barris por dia.

Esta terça-feira Vladimir Putin e o príncipe de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed al-Nahyan, tiveram uma conversa telefónica onde terão discutido, segundo a Reuters, a continuação da coordenação no mercado de energia.

https://zap.aeiou.pt/sinal-de-forca-leva-aliados-a-libertarem-reservas-de-petroleo-mas-preco-subiu-depois-de-decisao-465199


IT Army - A Ucrânia está a recrutar talentos para o seu exército digital !


Mykhailo Fedorov, vice-primeiro-ministro ucraniano, anunciou recentemente a criação do IT Army of Ukraine, um grupo que tem como objetivo estar na frente da luta cibernética.

Na passada quinta-feira, a Rússia invadiu a Ucrânia e desencadeou uma guerra que tem assustado, a todos os níveis, a população mundial. O mundo, agora em estado de alerta, está atento a cada desenvolvimento.

Em 2022, um conflito armado também se estende à Internet. É por esse motivo que a Ucrânia uniu esforços para criar o IT Army of Ukraine, que procura agora novos talentos para este exército digital.

O anúncio foi feito no sábado passado por Mykhailo Fedorov, vice-primeiro-ministro ucraniano, no Twitter.

O governante apelou aos hackers com talentos digitais para se juntarem ao esforço e “lutarem na frente cibernética”, adiantando que o exército estaria a organizar-se numa sala de chat no Telegram, onde os voluntários poderiam completar “tarefas operacionais”.

Neste grupo, são partilhadas várias informações e algumas tarefas que os “militares digitais” podem realizar, nomeadamente ataques DDoS a sites de serviços russos.

À data de publicação deste artigo, o grupo conta já com mais de 33 mil subscritores. De acordo com o Gizmodo, a primeira tarefa encorajou os membros a “utilizar quaisquer vetores de ataques cibernéticos e DDoS” nos websites de 31 empresas, bancos e entidades governamentais russas.

Os alvos incluíam a Gazprom, a Lukoil e a Yandex. No setor financeiro, o exército digital destacou o Sberbank, o VTB e o Gazprombank, alguns dos principais bancos do país. As entidades governamentais russas na lista incluíam o Kremlin e o Ministério da Defesa.

Para os “soldados” que não estão tecnicamente habilitados para lançar ataques cibernéticos e de DDoS, o exército tem uma tarefa diferente: denunciar canais russos no YouTube que espalham desinformação sobre a guerra na Ucrânia.

Embora tenham sido relatadas algumas perturbações, não é totalmente claro se o IT Army of Ukraine derrubou com sucesso sites russos ou canais do Youtube.

O exército digital surge depois de o grupo Anonymous ter declarado guerra cibernética à Rússia, atacando vários sites e deixando diversos serviços do Kremlin offline.

Na segunda-feira, os sites de vários meios de comunicação russos, nomeadamente os das agências de notícias, ficaram paralisados. Durante largos minutos, a TASS e a RIA Novosti, o jornal Kommersant, o diário Izvestia e a revista Forbes Rússia emitiram mensagens contra a guerra, numa tentativa de sensibilizar a população russa para o conflito.

No passado fim de semana, Mykhailo Fedorov fez um pedido a Elon Musk que recebeu rapidamente uma resposta positiva por parte do empresário: agora, o país tem ao seu dispor “o melhor e mais resistente” serviço de Internet, a Starlink.

https://zap.aeiou.pt/it-army-ucrania-exercito-digital-465196


Infeções por covid-19 batem recorde em Hong Kong - Política de separação de menores contestada pelos EUA !


Departamento de Estado dos Estados Unidos da América desaconselhou os cidadãos a viajar para Hong Kong, alertando para o risco de separação dos menores.

Apesar de em alguns locais do mundo a covid-19 estar, neste momento, a dar tréguas, este não é um cenário global. Em Hong Kong, o número de infeções tem atingido valores recordes e, em função da política das autoridades locais de isolar em infraestruturas destinadas para o efeito todos os casos positivos (mesmo os assintomáticos), os seus hospitais estão sobrelotados. Os números atuais contrastam com os registados nos primeiros vinte meses da pandemia. Durante esse período, foram detetadas 12 mil infeções e 200 mortes, no entanto, a variante Ómicron veio alterar o panorama.

Desde o início de janeiro, contabilizam-se mais de 220 mil casos e o número de mortes diárias sobe às dezenas. Há ainda relatos, por parte de especialistas, que dão conta de números reais muito mais elevados face à decisão dos cidadãos de se auto-isolarem após um teste negativo, optando por não contactar as autoridades de saúde para evitar os isolamentos forçados.

Esta política já deu origem a situações sociais questionáveis, como a separação de filhos menores dos seus pais – quando os bebés ou crianças testam positivo e os progenitores não. Num comunicado emitido ontem, os Estados Unidos da América alertaram precisamente para esta política, desaconselhando os seus cidadãos a viajar para o território. “Em alguns casos, as crianças que tiveram resultados positivos em Hong Kong foram separadas dos pais e mantidas em isolamento até cumprirem os requisitos do hospital local para a alta”, explicou o Departamento de Estado.

A política também já tinha sido “protestado veemente” pelo Reino Unido, apesar de o passo dado pelos Estados Unidos ser único.

Atualmente, as unidades hospitais e mortuárias estão sobrelotados, falta pessoal médico e ambulâncias e há relatos de invasões a supermercados por residentes em pânico. Nos planos das autoridades está também uma testagem em massa a toda a população de Hong Kong (7,4 milhões de pessoas) três vezes seguidas em março, de forma a isolar todos os casos positivos.

Neste sentido, foram requisitadas dezenas de milhares de quartos de hotel e unidades de alojamento público desocupados, e estão a ser construídos vários campos pré-fabricados, com a ajuda da China, para isolar todas as pessoas infetadas. Cerca de 70.000 vagas para isolamento deverão estar disponíveis nas próximas semanas. Ao ritmo atual, mal cobre o número de novas infeções verificadas nos últimos dois dias.

https://zap.aeiou.pt/infecoes-por-covid-19-batem-recorde-em-hong-kong-politica-de-separacao-de-menores-contestada-pelos-eua-465197

 

China está “extremamente preocupada com os danos causados à população civil” ucraniana !


A Ucrânia mostra-se disponível para que a China medeie as conversações para alcançar cessar-fogo. Pequim apela à diplomacia e está “extremamente preocupada com os danos causados à população civil”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, assegurou esta terça-feira ao seu homólogo chinês, Wang Yi, que está disposto a “continuar as negociações” com a Rússia e que espera a “mediação da China” para alcançar “um cessar-fogo”.

“Acabar com a guerra é a prioridade do lado ucraniano e estamos calmos, abertos para negociar uma solução”, disse Dmytro Kuleba, citado em comunicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Este comunicado surge após o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, ter conversado esta terça-feira com o seu homólogo ucraniano, Dmytro Kouleba, a pedido do último.

“Embora as negociações não avancem sem problemas, estamos prontos para prosseguir [com elas] e a fortalecer os contactos com a China”, disse ainda o governante ucraniano, realçando que aguarda pela “mediação da China para chegarem a um cessar-fogo”.

Wang Yi expressou ainda a sua “preocupação” com os danos causados à população civil e pediu à Ucrânia para “continuar a negociar”.

“A China lamenta a eclosão do conflito e está extremamente preocupada com os danos causados à população civil. A nossa prioridade é aliviar ao máximo a situação no terreno para evitar que o conflito se agrave ou saia fora do controlo”, salientou o governante no comunicado.

Além disso, realçou que a China “apela a ambos os lados para que procurem uma solução pela via das negociações”.

Trata-se da primeira ligação entre diplomatas chineses e ucranianos desde o início do conflito armado, sendo que a China até agora tem mantido uma posição ambígua.

É também a primeira vez que diplomatas chineses se referem aos “danos” infligidos à população civil.

Wang Yi disse ainda que “a situação na Ucrânia mudou rapidamente” e que além de lamentar a “eclosão do conflito” e estar “extremamente preocupada” com os danos causados aos civis, defende o “respeito pela soberania e integridade de todos os países”.

Apelamos, pois, à “Ucrânia e à Rússia” para que encontrem soluções através de “contactos”, disse Wang, embora tenha realçado que “a segurança de um país não pode ser alcançada à custa da [segurança] de outros” ou também que “não pode ser alcançada através da expansão dos blocos militares“.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês disse que o Governo procura garantir a segurança de seus concidadãos na Ucrânia e que o processo de retirada destes está a “progredir graças ao apoio e cooperação” ucraniana.

A China tem mantido uma posição ambígua em relação ao conflito na Ucrânia, insistindo por um lado no “respeito pela integridade territorial de todos os países” e na atenção que deve ser dada às “legítimas exigências de segurança” da Rússia.

Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, cerca de 600 estudantes chineses foram transferidos da capital Kiev e Odessa (sul) para a Moldávia, sendo que um cidadão chinês que tentava viajar para Lviv foi ferido, mas está a ser tratado num hospital.

Até agora, a China, atendendo às boas relações diplomáticas com a Rússia, absteve-se de condenar a intervenção russa na Ucrânia, recusando-se mesmo em falar de “invasão”.

Na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês tinha dito que estava a ajudar os cidadãos chineses na Ucrânia (cerca de 6.000) a deixarem o país, embora sem avançar mais detalhes.

https://zap.aeiou.pt/pequim-esta-extremamente-preocupada-com-os-danos-causados-a-populacao-civil-ucraniana-465186


Rússia investigada por crimes de guerra - Se for condenada, Putin pode ser preso !


Ataques a zonas habitacionais, hospitais, escolas e orfanatos e uso de bombas de fragmentação e de estilhaços. O Tribunal Penal Internacional (TPI) vai avançar com uma investigação à Rússia pela prática de eventuais crimes de guerra e crimes contra a Humanidade.

De acordo com o Público, Karim Khan, procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, anunciou esta segunda-feira que decidiu “abrir uma investigação à situação na Ucrânia o mais rapidamente possível”.

As autoridades ucranianas encontram-se a recolher provas para entregar ao TPI. O Presidente russo, Vladimir Putin, poderá mesmo ser acusado de fomentar crimes de guerra e crimes contra a Humanidade na Ucrânia, quer no passado, quer na invasão russa em curso.

A instância já promoveu uma investigação preliminar, com base em alegações de que estariam a ser cometidos crimes de guerra e crimes contra a Humanidade no conflito armado que, desde 2014, opõe na região de Donbass, o Governo ucraniano e forças separatistas apoiadas pela Rússia.

Na altura, os observadores do TPI confirmaram que “existe uma base razoável” para se acreditar nas alegações de “crimes de guerra e crimes contra a Humanidade” na Ucrânia.

Agora, e “perante a expansão do conflito nestes últimos dias”, vão ser investigadas “novas alegações de crimes que que caiam na alçada do TPI e que tenham sido cometidos por qualquer uma das partes envolvidas no conflito em qualquer parte do território”.

O processo pode ser moroso não só por estar a decorrer uma guerra, como pelo facto de a Rússia e a Ucrânia não terem ratificado o Estatuto de Roma, um tratado adotado em 1998 e que deu origem ao Tribunal Penal Internacional, a única instância capaz de avaliar e condenar crimes de guerra.

Daniela Nascimento, doutorada em Política Internacional e Resolução de Conflitos pela Universidade de Coimbra, investigadora do Centro de Estudos Sociais e professora auxiliar no Núcleo de Relações Internacionais da Faculdade de Economia, explicou à CNN Portugal que “se um Estado não ratificar [um tratado internacional], à partida não ficaria obrigado ao seu cumprimento”.

No entanto, “há uma consideração que vai além dessa limitação da vinculação, que tem que ver com o cumprimento de standards mínimos humanitários em contexto de guerra”, o que significa que não quer dizer que não haja sanções só pelo facto de os países não fazerem parte das nações que se vincularam ao Estatuto de Roma.

Ainda assim, os especialistas ouvidos pela CNN avisam que podem decorrer meses ou anos até que haja consequências efetivas. “É um processo moroso, não é de hoje para amanhã”, referiu Daniela Nascimento.

O que pode acontecer à Rússia?

Se os crimes de guerra foram confirmados, não é a Rússia que será julgada, “mas sim indivíduos que serão levados à justiça internacional“.

“À luz do Estatuto de Roma, qualquer indivíduo que seja comprovadamente responsável ou que tenha tido um papel decisivo na autorização destes crimes de guerra, pode ser julgado ou condenado, independentemente da sua patente, no caso dos militares, ou do cargo de chefia político que possa ocupar”, afirmou Daniela Nascimento.

Enquanto Presidente da Rússia, Vladimir Putin é o número um da lista. “O Tribunal Penal Internacional nasce com a intenção de responsabilizar os dirigentes do Estado e Putin seria julgado, condenado e preso”, destacou Elizabeth Accioly, especialista em Direitos Internacionais e professora na Universidade Europeia.

Para este crime, o TPI “prevê a prisão perpétua”, mas que esse tema é “algo que foi muito discutido porque muitos Estados não preveem a prisão perpétua – e quando assinaram fizeram uma ressalva com essa questão da prisão perpétua”, ficando o tempo de pena efetiva dependente de cada situação.

https://zap.aeiou.pt/russia-investigada-por-crimes-de-guerra-465172


Cinco crianças detidas com as mães em Moscovo por tentarem deixar flores junto à embaixada da Ucrânia !


Cinco crianças, entre os 7 e os 11 anos, foram levadas com as respetivas mães para uma esquadra de Moscovo esta terça-feira, por tentarem deixar flores na embaixada da Ucrânia.

Cinco crianças, entre os 7 e os 11 anos, terão sido detidas e levadas para a esquadra de Presnenskoye, em Moscovo, depois de esta terça-feira terem saído de casa com as respetivas mães, munidas de flores e de um cartaz colorido a apelar à paz, que tentaram depositar junto à embaixada da Ucrânia naquela cidade.

Segundo o Observador, a situação foi denunciada através do Facebook por uma antropóloga, professora na Universidade Estatal Russa para as Humanidades, que, para além de relatar o sucedido, partilhou várias imagens das crianças, dentro da carrinha da polícia e na esquadra, atrás de grades.

“Foram todos detidos pela polícia, que os manteve primeiro numa carrinha e que depois os levou para a esquadra de polícia de Presnenskoye”, escreveu Alexandra Arkhipova na rede social, esta terça-feira ao início da noite.

“Os telefones foram retirados às mães (ou serão em breve) e os polícias estão a gritar-lhes e a ameaçar estas corajosas mães e as suas crianças, dizendo-lhes que os filhos vão ser entregues à segurança social e que elas vão perder os seus direitos parentais”, acrescentou, exortando comunidade, jornalistas e ativistas dos direitos humanos a intervir para ajudar.

Mais tarde, a professora e antropóloga atualizou a informação, dizendo que Ekaterina Zavizion e a amiga Olga Alter já tinham sido libertadas, juntamente com os filhos. “Agora irão enfrentar um julgamento em tribunal“, escreveu.

Nas fotografias e no vídeo que entretanto partilhou, também no Facebook, podem ver-se as crianças — Sofya e Liza Gladkova, de 7 e 11 anos, e Gosha, Matvey e David Petrov, de 11, 9 e 7 — assustadas e a chorar.

“Que crime terrível — as crianças fizeram um cartaz!”, ironizou Alexandra Arkhipova, cujos posts, escritos em russo e em inglês, entretanto se tornaram virais em todo o mundo.

Via Twitter, Julian Röpcke, jornalista do alemão Bild, fez uma montagem e colocou, lado a lado, as imagens destas crianças e de outras, ucranianas, num abrigo em localização não nomeada.

“À esquerda: crianças na Ucrânia hoje à noite. À direita: crianças na Rússia hoje à noite”, legendou. “São todas vítimas dos crimes de Putin. Vamos vencer este criminoso juntos!”.

https://zap.aeiou.pt/cinco-criancas-detidas-em-moscovo-por-tentarem-deixar-flores-junto-a-embaixada-da-ucrania-465159

 

Oligarcas russos próximos de Putin perdem fortunas com as sanções e o crash do rublo !


Os homens mais ricos da Rússia, cujas empresas estão cotadas na bolsa de Londres, têm notado uma quebra enorme no valor de mercado das ações.

O conflito entre a Rússia e a Ucrânia e as consequentes sanções de que Moscovo tem sido alvo têm trazido também muitas dores de cabeça aos oligarcas russos. Oleg Tinkov é um deles, tendo acabado de perder o seu estatuto de bilionário.

Tinkov tornou-se um dos homens mais ricos na Rússia depois de ter registado o seu banco digital Tinkoff na bolsa de Londres. Desde o início da guerra, as ações da empresa caíram mais de 90%, tendo a fortuna de Tinkov também levado um rombo de mais de 5 mil milhões de dólares em menos de um mês, o que levou a que perdesse o seu estatuto de bilionário na terça-feira, revela a Forbes.

A publicação estima que o património de Tinkov caiu agora para os 800 milhões de dólares. Esta queda deve-se à ligação de uma porção significativa da sua fortuna à tomada por parte da Rússia na Capital One. O valor de mercado do Tinkoff Bank caiu de 23 mil milhões de dólares em Novembro para pouco mais de mil milhões agora.

A bolsa russa tem estado fechada, mas as empresas do país que estão cotadas em Londres têm notado uma quebra abrupta no valor das ações, como foi o caso da Lukoil, a maior produtora independente de petróleo do país detida por Vagit Alekperov, cujas ações caíram quase 93%.

Pelo menos 10 russos caíram do grupo restrito de bilionários desde o início do conflito armado e do consequente crash da bolsa russa e do valor do rublo causados pelas sanções económicas impostas pelo Ocidente a Moscovo. Arkady Volozh, CEO do motor de busca russo Yandex, também se inclui neste grupo.

Mesmo com a grande redução da sua fortuna, Tinkov ainda é detentor da coleção de vilas de luxo La Dacha, de chalets de ski nos alpes franceses e de um Dassault Falcon 7X, apesar dos produtos de aviação russos estarem agora banidos do espaço aéreo europeu.

O oligarca já se tinha gabado da sua proximidade a Putin anteriormente, mas foi um dos que se juntou ao coro de vozes da elite russa que se pronunciou publicamente contra a guerra.

Tinkov, que sofre de leucemia, afirma que a sua doença lhe mostrou como a vida humana é frágil e apelou ao fim da “operação especial” na Ucrânia, sublinhando que os países devem gastar dinheiro nas pesquisas para derrotar o cancro e não na guerra.

https://zap.aeiou.pt/oligarcas-russos-putin-fortunas-sancoes-465170

 

Professores, atletas e até comediantes estrangeiros - Os irredutíveis ucranianos de armas na mão contra os russos !


A resistência ucraniana perante os invasores russos está a impressionar o mundo. O temível exército da Rússia tem enfrentado mais problemas do que esperava, muito graças à liderança do presidente Volodymyr Zelensky que espicaçou o patriotismo que leva mulheres e homens, professores e atletas, a pegarem nas armas contra o invasor.

“Putin sabia que tinha o poder para conquistar a Ucrânia”, mas não contava com a resistência heroica dos ucranianos que está a “ganhar a admiração do mundo todo” e “a ganhar a guerra”. A análise é do historiador e professor israelita Yuval Noah Harari num artigo para o jornal britânico The Guardian intitulado “Porque é que Vladimir Putin já perdeu esta guerra”.

“Os russos ainda podem conquistar a Ucrânia toda”, mas para ganhar a guerra, teriam de “segurar a Ucrânia”, o que parece “altamente improvável”, escreve ainda o autor do best-seller internacional “Sapiens: Uma breve história da humanidade”.

Harari sublinha que o “sonho” de Putin de “reconstruir o império russo assentou sempre na mentira de que a Ucrânia não é uma nação real” e de que “os ucranianos não são um povo verdadeiro”, mas que, no fundo, “anseiam pelo Governo de Moscovo”.

Ora, os últimos dias, provaram precisamente o contrário. Os ucranianos estão dispostos a defender a sua pátria, mesmo sabendo do poderio militar do inimigo.

“Só queremos viver no nosso país”

“Só queremos viver no nosso país”, conta ao New York Times (NYT) a professora Julia que, entre lágrimas e enquanto se prepara para ir para a linha de combate em Kiev, conta a uma jornalista deste diário que sabe usar “um pouquinho” uma arma, pois só “há dois dias” é que começou a aprender.

“É horrível”, desabafa ainda, confessando que “claro” que tem medo, mas que há um valor maior que se levanta.

Por toda Ucrânia, há agricultores, taxistas, donos de lojas, homens e mulheres comuns, a pegarem nas armas para lutar contra os russos. Muitos ucranianos têm aprendido a fazer “cocktails molotov”, ou seja, explosivos, para atirarem contra os soldados invasores.

Pelo meio, há também pequenas provocações que tomam conta das redes sociais como as imagens que mostram um agricultor a rebocar um camião militar russo.

Campeões de boxe na linha da frente da guerra

Mas, além dos anónimos, várias figuras do desporto ucraniano estão a juntar-se às fileiras militares que lutam contra os russos. Os irmãos Klitschko, famosos campeões de boxe, são um destes exemplos.

O ex-campeão de pesos pesados em 2000, Vitali Klitschko, de 50 anos, já tinha pendurado as luvas para se meter na política e, agora, resolveu pegar nas armas para lutar pelo seu país.

“Defenderei Kiev abraçando as armas”, anunciou nas redes sociais, salientando que sabe “atirar com quase qualquer arma” e deixando um aviso aos russos: “Não vai ser um passeio no parque, vai custar-lhes caro, não vamos desistir”, promete.

O actual campeão do mundo de boxe, Oleksandr Usyk, também já anunciou que vai lutar pelo seu país. “É hora de unirmo-nos”, refere no Instagram, apelando ao “povo russo”. “Se vocês nos consideram irmãos ortodoxos, não deixem os vossos filhos e o vosso exército irem para o nosso país, não lutem contra nós“, salienta, pedindo a Putin para “parar esta guerra”.

Outro campeão de boxe, Vasyl Lomachenko, que venceu o ouro olímpico, em 2012, nos pesos leves, suspendeu a carreira para ir lutar de arma em punho. Já foi destacado para o Batalhão de Defesa Territorial Belgorod-Dnestrovsky.

“Será muito difícil resistir por muito tempo”

O tenista Sergiy Stakhovsky, actual 240º do mundo, também anunciou que pretende juntar-se à luta, apesar de não ter experiência de combate.

“Inscrevi-me no exército de reserva”, revelou à Sky Sports. “Não tenho experiência militar, mas já usei uma arma”, acrescentou. “Vamos resistir, mas a Rússia é um país de 140 milhões de pessoas que se estende da Europa ao Alasca, será muito difícil resistir por muito tempo“, notou ainda Stakhovsky.

E o treinador de futebol ucraniano Yuriy Vernydub, do Sheriff, da Moldávia, já se juntou ao exército do seu país.

Também o nadador e medalhado olímpico Mykhailo Romanchuk, que vive nos arredores de Kiev, não quis deixar o país porque quer “lutar até ao fim”, revelou o seu amigo e adversário Gregorio Paltrinieri citado pela imprensa italiana.

O biatleta Dmytro Pidruchnyi, campeão mundial em 2019, e o esquiador Dmytro Mazurtsjuk que esteve nos Jogos Olímpicos de Inverno, revelaram a um site norueguês que têm estado na linha da frente a ajudar a defender Kiev, auxiliando “a reforçar a estrutura defensiva e a construir barricadas e fortificações”.

O ex-ciclista Andrei Tchmil, de 59 anos, que representou as cores da ex-União Soviética, depois da Rússia e a seguir da Moldávia e da Ucrânia, também anunciou que vai combater, mesmo que, actualmente, tenha a nacionalidade belga e viva em território moldavo.

Já morreram atletas em combate

Entretanto, foi noticiada a morte do atleta de biatlo Yevgeny Malyshev, de apenas 19 anos. Terá morrido num combate com soldados russos nas imediações da cidade de Kharkiv, segundo a Federação de Biatlo da Ucrânia.

O futebolista Vitalii Sapylo, jogador de 21 anos do Karpaty, também morreu num combate perto de Kiev, segundo já confirmou a Federação de Futebol da Ucrânia.

Já o avançado Dima Martynenko, jogador de futebol de 25 anos, foi vítima de um bombardeamento que atingiu a sua casa, morrendo ao lado da mãe. A sua irmã de apenas 7 anos também ficou gravemente ferida, segundo os relatos da imprensa.

Martynenko jogava no FC Hostomel, onde era o melhor marcador da equipa das divisões amadoras da Ucrânia.

“Não sou ucraniano. Sou humano”

Mas os voluntários que querem ajudar a Ucrânia contra a Rússia chegam até do estrangeiro. O comediante e estudante universitário canadiano Anthony Walker é um deles.

Apesar de não ter experiência militar, o jovem de 29 anos e com três filhos viajou para a fronteira entre a Polónia e a Ucrânia e quer pegar nas armas, como conta à BBC.

“Não tenho laços com a Ucrânia. Não sou ucraniano. Sou humano. Penso que é uma razão boa o suficiente para vir para aqui”, realça. “Se fosse com o Canadá, também íamos querer que nos ajudassem”, diz ainda.

Walker é apenas um de vários voluntários de outros países, como Reino Unido, Coreia do Sul e EUA, que cederam ao apelo do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que pediu a todos os não-ucranianos para se juntarem ao país “na defesa da segurança na Europa“.

“Esta não é apenas a invasão da Rússia à Ucrânnia, é o início de uma guerra contra a Europa. Contra a unidade europeia”, frisou Zelensky no seu apelo.

Não há dados exactos, mas o Embaixador da Ucrânia no Reino Unido, Vadym Prystaiko, disse à BBC que há um número “esmagador” de estrangeiros a “pedir permissão para lutar” pela Ucrânia.

Zelensky: de comediante a herói nacional

O grande impulsionador deste patriotismo dos ucranianos, mas também do movimento de apoio dos estrangeiros ao país, foi Zelensky. O antigo actor e comediante soube como usar as redes sociais para se tornar no grande líder do povo ucraniano contra a tirania de Putin.

Zelensky tem aparecido de uniforme militar, fazendo questão de garantir que não deixou a Ucrânia apesar de ser o alvo “número um” dos russos. Uma decisão muito elogiada quando pensamos, por exemplo, no recente caso do Afeganistão, onde o presidente Ashraf Ghani fugiu de Kabul face à aproximação dos talibãs, o que acabou por desmoralizar o que restava do exército do seu país.

“Preciso de munições, não de uma boleia”, terá dito Zelensky aos EUA que se ofereceram para o retirar da Ucrânia.

Além disso, Zelensky conseguiu convencer os líderes europeus a endurecerem as sanções contra a Rússia. Até nações mais relutantes como Alemanha, Itália e Hungria acabaram por ceder.

“Esta pode ser a última vez que me vão ver vivo”, disse o líder ucraniano num Conselho Europeu, por video-conferência, em declarações vistas como decisivas.

Nesta terça-feira, em Genebra, durante a Conferência da ONU sobre o Desarmamento, os representantes de toda a União Europeia deixaram a sala quando o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, apareceu para falar por video-conferência.

Depardieu pede ao amigo Putin para “parar armas”

Mas até entre os próximos de Putin há cada vez mais apelos à paz. O actor francês Gérard Depardieu que tem cidadania russa desde 2013 e que tem uma relação próxima com o presidente russo, já se manifestou “contra esta guerra fratricida” e pediu a Putin para “parar as armas e negociar”, conforme declarações à AFP.

A modelo russa Irina Shayk também se manifestou contra a guerra, anunciando que vai fazer doações à UNICEF e à Cruz Vermelha da Ucrânia. “A orar pela paz no mundo”, escreveu ainda no seu Instagram.

Em plena Rússia, e apesar dos riscos de detenção, muitos anónimos têm-se manifestado contra a guerra. A polícia deteve centenas de pessoas, segundo o NYT, em São Petersburgo depois de um protesto.

A jornalista russa Elena Chernenko anunciou que foi excluída da cobertura das conferências de Lavrov por ter começado uma petição contra a guerra junto de colegas de profissão, como avança o The Moscow Times.

Além de várias petições que pedem a paz na Ucrânia e das posições de médicos, enfermeiros e paramédicos, também figuras das artes e da cultura russas, incluindo actores e realizadores, assinaram uma carta aberta a sublinhar que “forçar a paz através do uso da força é absurdo”.

O jornalista russo Dmitry Muratov, vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2021 e editor-chefe do jornal de oposição Novaya Gazeta, lamenta que os russos “estão a sofrer”, não apenas pela guerra, mas também pela “vergonha” devido aos actos de Putin.

E até os parlamentares comunistas que votaram pelo reconhecimento das regiões separatistas da Ucrânia criticam a invasão generalizada do país.

Votei pela paz, não pela guerra. Votei para a Rússia ser um escudo… não para Kiev ser bombardeada”, nota o deputado Mikhail Matveyev citado pelo The Moscow Times.

Nas redes sociais, muitos russos têm manifestado a sua oposição à guerra, entre celebridades, jornalistas e bloggers.

Entretanto, por todo o mundo, sucedem-se os gestos de solidariedade para com o povo ucraniano.

https://zap.aeiou.pt/ucranianos-armas-russos-465122

 

terça-feira, 1 de março de 2022

Rússia avisa que vai atacar alvos em Kiev - Moradores aconselhados a deixar as suas casas !


A Rússia avisou que vai atacar alvos específicos em Kiev e instou os moradores da capital ucraniana a deixarem as suas casas.

O Ministério da Defesa russo emitiu um aviso para os habitantes de Kiev, alertando que vai atacar alvos específicos da capital ucraniana. Os moradores de Kiev foram instados por Moscovo a deixar as suas casas.

As autoridades russas falam em “ataques de alta precisão” contra centros do Serviço de Segurança Ucraniano e serviços de espionagem.

“Instamos os cidadãos ucranianos que estão envolvidos nas provocações dos nacionalistas contra a Rússia, bem como os residentes de Kiev que vivem perto de estações de retransmissão, a deixar as suas casas”, lê-se no comunicado do Ministério da Defesa russo.

A Ucrânia teme que a Rússia esteja prestes a deitar por terra a sua capacidade de transmissão antes de distribuir notícias falsas de uma rendição ucraniana.  

De acordo com a BBC, autoridades alegaram que os ataques estão a ser levados a cabo para “evitar ataques de informação contra a Rússia”.

O ministro da Defesa ucraniano, Oleksiy Reznikov, também alertou sobre o possível “ataque psicológico” da Rússia.

“Haverá uma distribuição massiva de notícias falsas sobre a liderança político-militar ucraniana supostamente concordar com a capitulação”, escreveu Reznikov no Facebook.

“Para comprovar as notícias falsas, eles publicarão fotos de documentos assinados e um vídeo falso. Isto é uma mentira”, lê-se ainda na publicação.

https://zap.aeiou.pt/russia-avisa-atacar-alvos-kiev-465013


Redes sociais: Influencers entram na guerra Rússia-Ucrânia !


Invasão russa também passou a “mandar” no TikTok e várias figuras públicas comentam constantemente o assunto do momento.

A guerra entre Rússia e Ucrânia também chegou ao TikTok. Os vídeos com danças, desafios ou brincadeiras não desapareceram, mas a percentagem passou a ser muito menor desde quinta-feira. Porque, também nas redes sociais, o conflito domina.

O jornal The Guardian destacou que, na própria Rússia, há várias figuras públicas e diversos influencers a criticar esta ofensiva.

Dmitry Peskov, principal assessor de comunicação de Vladimir Putin e que tem aparecido várias vezes nos últimos dias a defender esta operação, não tem o apoio de familiares próximas.

A filha de Peskov disse publicamente “não à guerra”. Um publicação no Instagram que foi apagada pouco depois. O mesmo discurso da filha de Roman Abramovich, proprietário do Chelsea e amigo próximo de Putin.

O humorista e apresentador russo Maxim Galkin, que tem quase 10 milhões de seguidores na mesma rede social, também apelou publicamente ao final da guerra.

Svetlana Taccori, famosa empreendedora de moda, esteve na semana da moda em Milão e publicou uma imagem em que estava com uma bandeira da Ucrânia. Svetlana também é russa: “Estou magoada e envergonhada. Não há justificação para começar uma guerra…”.

E os influencers não fogem ao assunto. Lova Olala pintou a bandeira da Rússia numa bochecha e a bandeira da Ucrânia na outra: “Não tenho nada a dizer”.

São declarações e publicações que podem ser perigosas. Na Rússia há o histórico de detenções ou censuras a quem não seguir o raciocínio do Kremlin.

Entre os influencers ucranianos (os que ainda estão na Ucrânia), o conteúdo das publicações também mudou: agora é altura de mostrar o que se passa, de deixar apelos à NATO e de aconselhar as pessoas que querem ajuda.

A própria rede TikTok foi “invadida” por tantos vídeos sobre a Ucrânia que, na maioria dos utilizadores, a secção “para ti” é preenchida por vídeos relacionados com o conflito – mas nem todos são verdadeiros.

https://zap.aeiou.pt/redes-sociais-influencers-entram-na-guerra-russia-ucrania-464988


Cidade de Mariupol sem eletricidade após ofensiva russa !


A cidade de Mariupol, a segunda maior do Donbass (leste da Ucrânia), ficou esta terça-feira sem eletricidade após uma ofensiva russa, informou o governador da região de Donetsk, Pavlo Kirilenko.

“Mariupol e Volnovakha são nossas! Ambas as cidades estão sob pressão, mas estão a resistir”, escreveu Pavlo Kirilenko numa mensagem publicada na sua conta no Facebook.

A mesma mensagem adianta que “em Mariupol a linha de energia foi cortada” e que “a cidade está sem eletricidade”.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de mais de 100 mil deslocados e quase 500 mil refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

https://zap.aeiou.pt/mariupol-sem-eletricidade-465009


Ucrânia exposta a um invasor silencioso: A Covid-19 !


A invasão russa da Ucrânia originou um grande fluxo migratório dentro do país. Várias pessoas foram forçadas a entrincheirar-se em abrigos improvisados e sobrelotados, o que, num mundo a braços com uma pandemia, causa uma preocupação acrescida.

De acordo com o Expresso, as autoridades ucranianas estão a reportar, em média, 26 mil novas infeções por dia e a incidência está nos 63 casos por 100 mil habitantes.

Apesar de não parecerem números alarmantes para um país com 44 milhões de habitantes, a verdade é que apenas um terço dos ucranianos estão totalmente vacinados contra a covid-19.

Além disso, a própria Rússia pode ser um foco de transmissão, uma vez que apesar de ter sido dos primeiros países a desenvolver uma vacina, ainda não conseguiu imunizar metade da população.

Eric Toner, investigador da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg (JHSPH), considera que a população ucraniana está “bastante vulnerável“.

“À medida que as pessoas se amontoam, abrigam ou se deslocam para campos de refugiados, isso causará uma regressão no progresso” feito para travar o avanço do vírus, e ao mesmo tempo “será cada vez mais complicado rastrear os casos”, disse, ao The New York Times.

“Suspeito que vamos parar de obter dados da Ucrânia”, até porque “os hospitais e autoridades de saúde não vão ter como prioridade” reportar todas as infeções, acrescentou.

Nos hospitais, as prioridades passarão a ser outras. “Vão cuidar os pacientes covid juntamente com vítimas de guerra. Isso irá prejudicar as condições para manter os doentes em isolamento ou assegurar o distanciamento social entre eles”, antevê Toner.

Com a situação ucraniana, é provável que a Hungria, a Polónia, a Eslováquia e a Roménia verifiquem um aumento de casos.

https://zap.aeiou.pt/ucrania-exposta-a-um-invasor-silencioso-a-covid-19-464958


Rússia garante: “Não estamos a atingir alvos civis. Isso está fora de questão” !


Putin ordenou uma operação militar especializada e é isso que está a acontecer, repetiu Dmitry Peskov.

Ao sexto dia da invasão russa à Ucrânia, e após diversas imagens e diversos vídeos que mostram destruições de casas, de hospitais ou de creches, o lado russo continua a assegurar que não estão a ser atingidos alvos civis.

Dmitry Peskov, assessor de comunicação do presidente Vladimir Putin, foi confrontado em conferência de imprensa com os números da Organização das Nações Unidas: 102 civis mortos e 300 feridos na Ucrânia, desde o início do conflito.

Peskov respondeu: “Durante esta operação especializada, as tropas russas não realizam nenhum ataque, nem a instalações de infraestrutura civil, nem a um complexos residenciais. Isso está fora de questão”.

“Estamos apenas a tratar da desmilitarização da Ucrânia, de instalações militares. Não devemos esquecer que, em grande parte dos casos, estamos a falar da casa de elementos destes grupos muito nacionalistas, que usam as instalações residenciais como escudo”, justificou.  

Um jornalista perguntou se Peskov ainda considera que esta operação serve para “manter a paz”, tal como Putin anunciou na semana passada.

Dmitry Peskov considerou que a questão foi muito “emocional” e assegurou: “O presidente Putin, como comandante-chefe, deu a ordem para iniciar uma operação especializada e é uma operação especializada que está a ser realizada”.

Em relação à economia, o assessor considera que as sanções anunciadas até agora são “agressivas” para a Rússia e “de natureza ultraconcentrada”.

“Mas os nossos especialistas estavam bem cientes de todas as medidas discriminatórias, medidas de concorrência desleal e por aí adiante. Caíram as máscaras”, atirou.

Dmitry Peskov deixou uma mensagem interna, para os seus compatriotas: “Quero apenas desejar paz a todos e manifestar a confiança de que, de facto, passados ​​alguns dias, estas emoções irão diminuir e surgirá a habitual avaliação calma e sóbria do que está a acontecer, tendo em conta as medidas tomadas para minimizar danos e riscos de cobertura”.

https://zap.aeiou.pt/russia-garante-nao-atingir-alvos-civis-465000


Kharkiv acorda debaixo de fogo - Coluna militar russa a caminho de Kiev !

Coluna militar russa a caminho de Kiev, Ucrânia

Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, esteve debaixo de fogo durante toda a noite. O exército russo está a amontoar soldados, tanques, artilharia e outro material militar na região norte de Kiev, a capital da Ucrânia.

O centro da segunda maior cidade ucraniana, Kharkiv, está a ser alvo de novos bombardeamentos russos esta terça-feira.

Segundo o chefe da administração regional, Oleh Sinehubov, o edifício da administração, no centro da cidade, e vários prédios residenciais foram alvo das forças russas.

Ihor Terekhov, presidente da câmara, disse que os mísseis provocaram a morte de pelo menos 10 civis, incluindo três crianças. “Hoje tivemos um dia muito difícil. Mostrou-nos que isto não é uma guerra, é um massacre da população ucraniana”, escreveu Terekhov, no Telegram.

De acordo com a CNN Portugal, os mísseis atingiram prédios residenciais, “matando e ferindo vários civis”. Quatro pessoas morreram quando saíram do abrigo para procurar água e uma família de dois adultos e três crianças morreu dentro de um carro. Pelo menos 37 pessoas ficaram feridas.

Já esta manhã, o ataque aéreo perto de um edifício da administração local de Kharkiv provocou muitos danos. O momento da explosão foi partilhado nas redes sociais.

Esta madrugada, Kherson também foi palco de um ataque de grande escala por parte das forças de Putin. A cidade, com quase 300 mil habitantes, foi cercada por tropas russas que estabeleceram postos de controlo em todos os seus acessos.

Durante a noite, pelo menos 70 soldados ucranianos foram mortos depois de os russos terem atingido uma base militar em Okhtyrka, uma cidade entre Kharkiv e Kiev, avançou o vice-ministro da Infraestrutura da Ucrânia, no Telegram.

No Twitter, o ministro dos Negócios Estrangeiros classificou o ataque a Kharkiv como “bárbaro”, pedindo mais sanções contra Moscovo.

“Mísseis russos bárbaros atingem a Praça da Liberdade central e bairros residenciais de Kharkiv. Putin é incapaz de quebrar a Ucrânia. Comete mais crimes de guerra por fúria, assassina civis inocentes”, escreveu Dmytro Kuleba “O mundo pode e deve fazer mais. Aumente a pressão, isole a Rússia totalmente.”

Coluna militar russa com 64 quilómetros

Imagens de satélite da empresa norte-americana Maxar Technologies, obtidas esta segunda-feira, mostram uma escolta militar russa a norte de Kiev que se estende por cerca de 64 quilómetros, a cerca de 25 quilómetros do centro da cidade.

Segundo o Público, as fotografias da Maxar dão ainda conta de destacamentos adicionais de forças terrestres e unidades de helicópteros de ataque terrestre no sul da Bielorrússia, a menos de 32 quilómetros da fronteira com a Ucrânia.

“Para o inimigo, Kiev é o alvo chave”, sublinhou o Presidente ucraniano Volomidir Zelenskii, numa mensagem divulgada na segunda-feira à noite. “Não permitimos que quebrassem a defesa da capital e eles enviam-nos sabotadores. Vamos neutralizá-los a todos.”

O relatório diário do Ministério britânico da Defesa sobre a situação no terreno salienta que, nas últimas 24 horas,as tropas russas registaram pequenos progressos na marcha sobre Kiev, “provavelmente por causa de contínuas dificuldades logísticas”.

O documento indica que a Rússia aumentou o uso de artilharia a norte de Kiev, em Kharkiv e em Chernihiv, o que aumenta o risco de baixas entre os civis, e dá conta do aumento das operações noturnas depois de Moscovo não ter conseguido garantir o controlo do espaço aéreo.

https://zap.aeiou.pt/kharkiv-acorda-debaixo-de-fogo-464981


Lukashenko: “Nunca quisemos lutar com a Ucrânia” !


Presidente da Bielorrússia diz que soube da invasão russa à Ucrânia só na madrugada em que as movimentações começaram.

Aleksandr Lukashenko falou sobre o facto de, na invasão à Ucrânia, a Rússia ter utilizado militares que estavam em território bielorrusso.

O presidente da Bielorrússia compreendeu a decisão de Vladimir Putin e disse que só soube do início da invasão na própria madrugada: “Naturalmente, deveria utilizar o grupo de tropas que permaneceu no território da Bielorrússia. E fui informado sobre isso às 5 horas da manhã de 24 de Fevereiro”.

“Só pedi ao presidente da Rússia que deixasse apenas parte das forças para cobrir a zona de Gomel” – cidade da Bielorrússia que fica perto da Ucrânia e que recebeu a primeira reunião entre comitivas russas e ucranianas, nesta segunda-feira.

Este pedido foi feito porque, de acordo com o presidente da Bielorrússia, bielorrussos e russos viram “vários batalhões antiaéreos e de mísseis” ucranianos, perto da fronteira, prontos para atacar tropas russas.

E descreve o primeiro ataque russo a esses equipamentos ucranianos como um “ataque preventivo”, ao mesmo tempo que arrancava a operação militar na Ucrânia: “Quiseram evitar perdas e quiseram evitar que a Bielorrússia fosse atacada”.

“Se isso não tivesse acontecido, aqueles mísseis ucranianos teriam voado para Gomel e Mazyr”, justificou o presidente.

Aleksandr Lukashenko deixou uma garantia: “Nunca quisemos lutar com a Ucrânia”.

Lukashenko havia afirmado, na segunda-feira, que as sanções bancárias impostas à Rússia são “piores do que uma guerra“.

“Devemos ser muito reservados e evitar isso. Porque a guerra nuclear é o fim de tudo”, comentou o líder bielorrusso, que ainda não vê esta invasão como uma “guerra, mas sim um conflito”.

https://zap.aeiou.pt/lukashenko-nunca-pretendemos-lutar-com-a-ucrania-464970

 

“Ucranianos já ganharam esta guerra”: Paulo Fonseca conseguiu escapar às bombas, mas tem o coração dividido

O treinador português de futebol Paulo Fonseca chegou, na segunda-feira à noite, a Lisboa, acompanhado pela esposa ucraniana, Katerina, e pelo filho de 3 anos, assumindo-se feliz por estar a salvo e triste pelo povo ucraniano, devido à ofensiva militar russa no país.

O voo que trouxe Paulo Fonseca da Roménia para Portugal trouxe mais 37 passageiros, todos em fuga da guerra na Ucrânia. Aterrou no Aeroporto Humberto Delgado às 23:08 horas, com os passageiros a serem recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Em declarações à imprensa, numa conferência em pleno aeroporto, Paulo Fonseca começou por agradecer ao Shakhtar Donetsk, clube ucraniano que treinou de 2016 a 2019, antes de se mudar para a Roma, em Itália, por o ter acolhido nos primeiros dias.

“Agradeço também à embaixada portuguesa que nos ajudou a atravessar a fronteira e tenho um agradecimento especial ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, que entrou em contacto com o presidente da federação ucraniana e que foram importantes para conseguirmos atravessar a fronteira”, referiu ainda o técnico.

Depois de ter viajado de autocarro entre Ucrânia e Roménia, tendo passado pela Moldávia, Paulo Fonseca confessa que sente um alívio por estar finalmente em Portugal e em segurança, mas diz estar triste por ter deixado “aquele povo que está a lutar de forma heroica”.

“É um misto de emoções. Por um lado, consegui trazer a minha família, mas, por outro, eles deixaram lá praticamente tudo. Enquanto estive na cidade, não vi tanques russos, porque estávamos num ‘bunker’. O pior começou a acontecer depois de termos saído de lá”, afirmou.

Mulher de Paulo Fonseca emocionada com “guerra cruel”

A esposa, Katerina, que é ucraniana, teve um discurso muito mais emotivo do que Paulo Fonseca. Em cada palavra estava o sentimento de dor.

O meu coração está na Ucrânia, com os meus amigos, com o povo ucraniano que ficou lá sob ataque de bombas”, realçou Katerina falando de “uma guerra cruel” e “completamente inaceitável”.

“É muito difícil ver crianças, mulheres e civis a morrer. Esta guerra tem de acabar imediatamente”, disse ainda, apelando a que todos ajudem “da forma que puderem”.

“Os ucranianos já ganharam esta guerra”

Paulo Fonseca diz não ter palavras para descrever o que está a acontecer na Ucrânia, onde destaca a união da população para combater a invasão russa.

“O povo está a sofrer, mas está a lutar pela pátria. Ainda hoje soube que há inúmeras pessoas que querem entrar para se alistarem no exército. Há também inúmeras figuras públicas. Por isso, neste momento, já ganharam esta guerra. Temos muitos amigos que se alistaram para defender a Ucrânia. Sabemos que estão bem, mas estão na frente de batalha”, revelou.

Na cabeça de Paulo Fonseca pairavam ainda as imagens da viagem até à fronteira ucraniana, mas, segundo o próprio, o sentimento de incerteza, daquilo que poderia acontecer a qualquer momento tornou tudo mais difícil.

Apesar da ajuda da comunidade internacional, que “tem feito muito”, Paulo Fonseca não tem dúvidas em dizer que é “manifestamente pouco e insuficiente para aquelas pessoas” e deixa um sentimento de esperança aos que tentam viajar para Portugal.

“Portugal e a União Europeia têm-se esforçado para ajudar, mas sinto que há algo mais a fazer porque senão vamos deixar aquelas pessoas morrer. Aos portugueses que lá estão e às famílias ucranianas que podem vir para cá, o que tenho para lhes dizer é que tenham esperança. Tenho a certeza que a embaixada tudo vai fazer para que consigam sair em segurança”, garantiu.

Fruto deste conflito, Paulo Fonseca diz ter-se esquecido do futebol e que a curto prazo não será prioritário, não rejeitando um regresso ao país natal da esposa.

“É claro que penso voltar à Ucrânia. Foi um alívio para mim e para a minha família, mas custou-me deixar aquele povo que está a lutar de forma heroica. Sinto-me aliviado, por mim e pela minha família, mas ao mesmo tempo uma tristeza muito grande. Não tenho pensado na minha carreira. Vou querer regressar, não nesta época, mas no início da próxima”, concluiu.

Paulo Fonseca, de 48 anos, está actualmente sem clube, depois de ter deixado a Roma, contando passagens pelo comando técnico de clubes como Paços de Ferreira, FC Porto, Sporting de Braga, além do referido Shakhtar Donetsk.

https://zap.aeiou.pt/treinador-paulo-fonseca-guerra-464983


Biden avalia Estado da União com a Guerra Fria em pano de fundo


Presidente dos Estados Unidos tem a difícil tarefa de unir à volta da NATO, e contra a Rússia, um país cansado de guerras e marcado por profundas divisões.

Na extrema-direita e no Partido Republicano, crescem os sinais de desvalorização das ameaças de Vladimir Putin, noticia o Público.

Meio século depois de ter iniciado a carreira política no pequeno estado do Delaware, aos 29 anos, Joe Biden vai ao Congresso norte-americano, na terça-feira, para fazer o primeiro discurso do Estado da União como Presidente dos Estados Unidos, no ano em que comemora o 80º aniversário.

E é nessa história de vida que poderá apoiar-se, no discurso, para dizer às gerações nascidas depois da Guerra Fria — e a um Partido Republicano cada vez menos desconfiado de Vladimir Putin — até onde está disposto a ir para enfrentar as ameaças do Governo da Rússia no Leste da Europa.

A tarefa de Biden na sua segunda comunicação ao Congresso dos EUA desde que chegou à Casa Branca (a primeira para o discurso oficial do Estado da União, ao fim de um ano de mandato) é dificultada pelo ambiente de divisão na política do país, e por um índice de popularidade muito abaixo dos 57% registados em janeiro e fevereiro de 2021.

Muito penalizado pela subida da inflação, pelas dificuldades na gestão da pandemia e ainda pelo desastre da saída do Afeganistão, no verão de 2021, Biden chega ao fim de fevereiro de 2022 com uma taxa de aprovação de 41% — dois pontos acima dos valores de Donald Trump na mesma altura do seu mandato, segundo a Gallup, e a perder apoio a um ritmo alarmante entre os independentes que se identificam com o Partido Democrata.

De um lado, uma parte do eleitorado do centro-esquerda e os progressistas cobram-lhe promessas não cumpridas, como o perdão das dívidas dos estudantes e a incapacidade do Partido Democrata para fazer aprovar, no Congresso, propostas como a reforma das leis eleitorais e um investimento histórico nas reformas sociais.

Do outro lado, o centro-direita e a ala “trumpista” do Partido Republicano parecem estar apenas à espera de 2024 para o derrotar, sejam quais forem as propostas e as decisões da Casa Branca.

Inflação no topo

Num ano de eleições para o Congresso em que o Partido Republicano se prepara para recuperar a maioria na Câmara dos Representantes, a guerra na Ucrânia não é, ainda, um assunto dominante nos EUA.

E está por demonstrar que a subida da inflação, ou até o debate sobre o fim das restrições no combate à pandemia, vão descer nas prioridades dos cidadãos norte-americanos nos próximos tempos.

Segundo um estudo do instituto Pew Research Center publicado na sexta-feira, os eleitores dizem que o fortalecimento da economia é o assunto que deve estar no topo da lista do Presidente dos EUA em 2022, seguido de uma redução dos custos com a saúde e da gestão da pandemia de covid-19.

No domingo, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou que Biden irá reservar uma boa parte do seu discurso à situação na Europa, mas disse que o foco principal será a situação interna: a economia e a pandemia, mas também temas como a nomeação de Ketanji Brown Jackson para o Supremo Tribunal.

“O que as pessoas também vão ouvir do Presidente é o seu otimismo e a sua crença na resiliência e na força do povo americano”, disse Psaki.

Aula de História

Alguns comentadores políticos nos EUA, como James Hohmann — um historiador e antigo jornalista do Washington Post —, defendem que Biden deve fazer do seu primeiro discurso do Estado da União, na noite de terça-feira (madrugada de quarta-feira em Portugal), uma aula de História sobre a Europa.

A geração da Guerra Fria percebe melhor o que está em jogo, mas representa uma parcela do eleitorado cada vez mais pequena”, escreveu Hohmann no domingo.

“Uma pessoa com 39 anos nasceu em 1983. Uma pessoa com 29 anos nasceu em 1993. As próximas eleições, em novembro, vão ter votos de eleitores que nasceram três anos depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001”.

A relação entre a idade dos eleitores norte-americanos e as suas opiniões sobre a crise na Europa está patente nas sondagens.

Num estudo do instituto YouGov, de 11 de fevereiro, 61% dos inquiridos dos 18 aos 29 anos disseram que os EUA devem manter-se neutrais no conflito, e 61% dos que têm mais de 65 anos disseram que o país deve apoiar a Ucrânia.

Numa outra sondagem, do Washington Post, feita entre 20 e 24 de fevereiro, apenas 35% dos inquiridos dos 18 aos 39 anos disseram que apoiam a aplicação de sanções à Rússia se isso levar ao aumento dos preços da energia nos EUA.

Na faixa etária acima dos 65 anos, 70% dizem estar dispostos a aguentar as consequências económicas das sanções.

“Os resultados mostram-nos que este momento exige mais do que uma simples reafirmação do compromisso dos EUA com o Artigo 5º da NATO”, defendeu Hohmann, sobre o discurso do Estado da União. “Isto pode parecer uma perda de tempo para Biden, porque ele sabe instintivamente o que está em jogo“.

Para o colunista do Post, um discurso de Biden sobre a importância da NATO e de apoio à Ucrânia deve estar livre de ataques a Trump, e deve fazer levantar tanto os congressistas do Partido Democrata como os do Partido Republicano.

Dessa forma, será possível “mostrar aos jovens dos 18 aos 29 anos que os EUA levam a sério as suas alianças”.

Elogios a Putin

Mas, além de uma eventual demonstração de apoio à Ucrânia, na noite de terça-feira, através de peças de vestuário com as cores da bandeira do país, é difícil imaginar que os republicanos queiram ser filmados a ovacionar Biden, seja qual for o momento no discurso do Estado da União.

Na última sexta-feira (no segundo dia da invasão russa), dois congressistas republicanos participaram numa conferência, na Florida, organizada por Nick Fuentes — um conhecido supremacista branco e admirador de Putin, cuja conta na rede social lançada por Trump na semana passada, a Truth Social, foi aceite e verificada.

A participação de Marjorie Taylor Greene e de Paul Gosar na conferência da Florida foi duramente criticada pelos republicanos Mitt Romney e Liz Cheney, mas a congressista do estado da Georgia seria recebida de forma calorosa, no sábado, na importante conferência anual CPAC, onde se reúnem as principais figuras do Partido Republicano.

Um dia depois, no domingo, Trump reafirmou os seus elogios ao Presidente russo, ao mesmo tempo que atacou o atual Presidente norte-americano.

“O problema não é Putin ser esperto — é claro que ele é esperto — o problema é que os nossos líderes são burros“, disse o ex-Presidente dos EUA.

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Economia russa já vacila perante pressão das sanções: “Se eu pudesse deixar a Rússia agora mesmo, deixaria” !


Queda abrupta da divisa e filas às portas dos bancos na Rússia, no dia em que o banco central foi forçado a colocar as taxas de juro a 20%, para travar a depreciação da moeda e a escalada da inflação.

A economia russa deu esta segunda-feira sinais claros de poder estar a entrar num círculo vicioso de queda da divisa e escalada da inflação.

Segundo o Público, o banco central revela sérias dificuldades em contrariar uma crise com características semelhantes às que ocorreram em economias emergentes no passado, mas que desta vez é provocada pelas sanções económicas e financeiras com que o Ocidente respondeu ao ataque da Rússia à Ucrânia.

As medidas decididas durante o fim de semana pelos EUA, União Europeia e Reino Unido parecem ter sido o golpe capaz de fazer vacilar a economia russa.

O bloqueio do acesso de parte dos bancos russos ao sistema de mensagens para transações internacionais SWIFT e, principalmente, o congelamento das reservas de divisas estrangeiras detidas pelo banco central russo na Europa e nos Estados Unidos, acentuou a quebra de confiança dos mercados no sistema financeiro da Rússia e na sua divisa.

Logo ao início do dia, a queda do rublo face ao dólar superou os 30%, com a divisa a bater sucessivamente novos mínimos históricos.

O banco central russo não demorou a responder, mas, em vez de, como fez na última quinta-feira, intervir diretamente no mercado comprando rublos com as divisas estrangeiras que acumulou ao longo dos últimos anos, o que fez foi anunciar um aumento drástico das suas taxas de juro de referência de 9,5% para 20%.

“Se eu pudesse deixar a Rússia agora mesmo, deixaria. Mas não posso deixar o meu emprego”, diz Andrey, em entrevista à BBC.

Andrey explica que não tem dinheiro para conseguir uma hipoteca em Moscovo, agora que as taxas de juro foram aumentadas.

“Estou a planear encontrar novos clientes no estrangeiro o mais rapidamente possível e sair da Rússia com o dinheiro que estava a poupar para a primeira prestação”, diz o desenhador industrial de 31 anos.

Milhões de russos como começam a sentir o efeito das sanções económicas ocidentais destinadas a punir o país por invadir a vizinha Ucrânia.

O banco central russo decretou ainda a obrigação das principais empresas exportadoras russas, que incluem as produtoras de petróleo e gás natural, de trocarem 80% das suas receitas em divisas estrangeiras por rublos.

O anúncio das medidas fez reverter parte das perdas do rublo face ao dólar, mas mesmo assim, ao fim do dia a tendência já era outra vez de descida e depreciação ao dia anterior cifrava-se acima dos 20%.

“Quando a operação em Donbas começou, fui ao multibanco e retirei as poupanças que tinha em Sberbank em dólares. Agora guardo-as literalmente debaixo da minha almofada”, conta Anton, um cidadão russo.

“O resto das minhas poupanças ainda estão nos bancos: metade em dólares e o resto em rublos. Se as coisas piorarem, eu retiro o lote. Estou assustado porque espero uma onda de assaltos. Mas é o que é”, acrescenta.

“Tem-se dado muita importância ao SWIFT, mas parece-me que o congelamento das reservas do banco central é a sanção mais importante. Impede que a autoridade monetária russa consiga intervir de forma significativa no mercado cambial para defender a sua moeda, já que não tem à sua disposição as divisas estrangeiras que precisa para comprar rublos. Isto abre a porta a ataques especulativos à moeda e cria o risco de entrada num círculo vicioso de queda da divisa e subida da inflação”, explica Miguel Faria e Castro, economista na Reserva Federal de St. Louis, nos EUA.

Esta quebra abrupta do valor da divisa, para além de levar a uma subida imediata da inflação, faz com que as pessoas optem por gastar imediatamente o seu dinheiro para comprar bens que não percam o seu valor e tentem ficar na sua mão com o máximo de divisas estrangeiras, como o dólar ou o euro.

Esses passos já começam a ser evidentes na Rússia, com relatos de aumentos das compras de jóias e com o surgimento de filas maiores que o normal junto aos bancos e às caixas de levantamento automático.

“Em economias emergentes, como a da Rússia, é comum as pessoas terem contas bancárias em divisas estrangeiras. Mas agora, o facto de o banco central ter perdido o acesso a parte das suas divisas, faz essas pessoas terem dúvidas de que o seu banco terá os dólares ou os euros suficientes no caso de quererem levantar o dinheiro. É por isso que começam as corridas aos bancos“, diz o economista.
A arma económica que falta

Com o aumento das taxas de juro que agora realizou, o banco central tenta dar um incentivo aos aforradores para manterem os seus depósitos (já que os bancos comerciais irão também subir os juros oferecidos), limitar a subida da inflação e, principalmente, tentar contrariar a queda da divisa nos mercados internacionais.

É, como explica Miguel Faria e Castro, “uma das únicas coisas que conseguem fazer, mas tem um custo, que é encaminhar ainda mais a economia para uma recessão“.

Uma subida das taxas de juro, ainda para mais da dimensão agora decidida na Rússia, constitui um obstáculo ao acesso ao crédito e, por isso, tem como resultado uma contração do consumo e do investimento ainda maior do que a que já aconteceria tendo em conta o efeito negativo na confiança que a atual conjuntura está a gerar.

A outra medida tomada esta segunda-feira pelo banco central – a de obrigar as empresas a venderem as divisas estrangeiras que obtém com as suas exportações – também pode constituir uma ajuda para a evolução do rublo nos mercados internacionais.

No entanto, isso apenas acontecerá enquanto for possível às empresas russas continuarem a vender petróleo e gás natural.

Até agora, para evitarem a imposição de custos mais severos para as suas economias, EUA e Europa têm tido a preocupação de poupar o comércio de produtos energéticos com a Rússia. Por exemplo, existem isenções no bloqueio do acesso ao SWIFT para as transações deste tipo de bens.

“É a última grande medida que falta tomar: acabar com as exportações de petróleo e gás natural. Mas face à grande dependência que ainda existe na Europa relativamente às exportações destes bens por parte da Rússia, a verdade é que é bastante prejudicial para os dois lados. Aliás, qualquer um dos lados pode usar esta arma”, afirma o investigador da Reserva Rederal de St. Louis.

A possibilidade de não ser apenas a Rússia a registar perdas nesta guerra económica está a ser colocada pelos próprios mercados, tendo-se registado esta segunda-feira perdas significativas nos principais índices em Wall Street e nas bolsas europeias, principalmente no que diz respeito ao sector financeiro.

No mercado petrolífero, a tendência continua a ser a manutenção do nível muito elevado de preços, acima de 100 dólares por barril, algo que se irá repercutir junto dos consumidores de todo o mundo.

Mas também aqui, as empresas petrolíferas russas começam a ter mais dificuldades em saírem beneficiadas.

O preço do petróleo vendido pela Rússia já está, nos mercados internacionais, a registar um desconto face ao petróleo vendido no mercado do mar do Norte ou no mercado norte-americano.

Isto é, certamente receosos do risco que constitui atualmente estar à espera de produtos provenientes da Rússia, os compradores estão a tentar encontrar petróleo noutros mercados e isso faz com que o preço do barril recebido pelas empresas russas fique mais baixo do que o registado noutros mercados.

https://zap.aeiou.pt/economia-russa-ja-vacila-perante-pressao-das-sancoes-464943


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