terça-feira, 28 de setembro de 2021

Novo Centro de Cancro do Pâncreas em Lisboa é único no mundo e tem a bênção dos Reis de Espanha !

Centro de Cancro do Pâncreas Botton-Champalimaud

Inaugurado, ontem, o novo Centro de Cancro do Pâncreas Botton-Champalimaud que resulta de uma parceria entre a Fundação Champalimaud e o casal espanhol Maurizio e Charlotte Botton. Os Reis de Espanha marcaram presença na cerimónia.

É uma unidade única no mundo que vai dedicar-se à investigação científica e ao tratamento do cancro do pâncreas, um dos mais letais e que ameaça tornar-se na segunda causa de morte por cancro na Europa e nos EUA.

O centro tem capacidade para operar 10 doentes por dia, com três salas de cirurgia equipadas com tecnologia avançada, 25 quartos de internamento e 15 de cuidados intensivos, como explica à Lusa o vice-presidente da Fundação Champalimaud, João Silveira Botelho.

A Fundação já tinha iniciado um programa de cancro do pâncreas, mas, em conjunto com a família Botton (que contribuiu com 50 milhões de euros), decidiu levar este programa “a um outro nível”, com o primeiro centro do género no mundo exclusivamente dedicado a esta doença.

“Cada vez há maior número de casos” de cancro do pâncreas que “é dos mais letais e, portanto, dos mais difíceis e aquele onde ainda é preciso descobrir muito para podermos ter resultados satisfatórios na cura e na sobrevida“, constata João Silveira Botelho, sublinhando que o progresso em tratamento e cura desta doença nos últimos 50 anos “foi marginal”.

“Nós temos a esperança e temos o propósito de podermos contribuir de uma forma decisiva para inverter este estado de coisas”, acrescenta.

O “triângulo” perfeito

A unidade vai “fazer um triângulo entre a investigação, a [prática] clínica e o doente”, como sublinha o vice-presidente da Fundação Champalimaud.

“O doente é uma peça essencial neste centro, queremos que seja um parceiro nisto. Por isso, tivemos também aqui uma preocupação, quer do ponto de vista da arquitectura, quer do ponto de vista da comodidade. Queremos que ele tenha a resistência, até do ponto de vista psicológico, para lidar com uma doença destas”, frisa João Silveira Botelho.

Na área da investigação, o Centro de Cancro do Pâncreas Botton-Champalimaud vai ter cerca de 200 investigadores e dois laboratórios, um de ciência básica e outro de manipulação celular.

Terapia celular em parceria com o NIH dos EUA

“Vamos ter neste novo centro cerca de 120 investigadores básicos e 80 investigadores clínicos e dois tipos de laboratórios: um de ciência básica e um laboratório clínico de manipulação celular, mais avançado, tendo em vista a retirada de células dos pacientes, a sua transformação e reinserção no próprio paciente [imunoterapia]”, explica ainda João Silveira Botelho.

De acordo com o responsável, são estas células que “funcionarão como medicamento para o tratamento do cancro do pâncreas”.

“Estes ensaios faremos em colaboração com o National Institute of Health (NIH), nos Estados Unidos, que começou já a desenvolver também este tipo de terapia celular e, portanto, temos uma correlação muito próxima com eles no sentido de utilizarmos os mesmos tipos de protocolo”, sublinha João Silveira Botelho, notando que será “quase uma terapia celular conjunta”.

Desenvolver tratamentos inovadores

O centro dará atenção especial ao estudo do perfil imunológico dos tumores do pâncreas e ao desenvolvimento de tratamentos inovadores nesta área e pretende, segundo a Fundação, “investir especialmente no desenvolvimento de ensaios clínicos com novos medicamentos de imunoterapia e em vacinas anti-tumorais personalizadas”.

No total, em diversas modalidades, o centro clínico da Fundação Champalimaud, em Algés (Lisboa), trata cerca de 900 doentes/dia.

Quanto ao cancro do pâncreas, um dos mais letais e que em 80% dos casos é diagnosticado já numa fase avançada, recebe actualmente cerca de 140 doentes/ano, uma capacidade que agora é aumentada com o novo centro dedicado em exclusivo à doença.

A Fundação trata por ano cerca de 15 a 20 doentes que são enviados directamente pelo Serviço Nacional de Saúde. Os restantes têm outros sub-sistemas de saúde ou seguros de saúde.

Além disso, segundo explica o vice-presidente da instituição, há doentes do serviço público seguidos, por exemplo, em hospitais como o do Barreiro, Setúbal, Évora ou Garcia de Orta (Almada), que acabam por fazer alguns exames de diagnóstico na Fundação, designadamente nas áreas da imagiologia e medicina nuclear, na sequência de concursos públicos a que a entidade concorre.

https://zap.aeiou.pt/centro-cancro-pancreas-lisboa-433530

 

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